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Síndrome da neve visual: por que algumas pessoas veem rostos onde eles não existem
A síndrome da neve visual é uma condição neurológica rara que faz a pessoa enxergar pequenos pontos cintilantes o tempo todo, como se estivesse olhando para uma televisão fora de sintonia.
Esses pontos cobrem todo o campo de visão e não desaparecem, nem mesmo em ambientes escuros.
Agora, um novo estudo ajuda a entender por que o cérebro dessas pessoas pode acabar “vendo demais”.
Sabe quando uma nuvem, uma parede manchada ou a frente de um carro parecem formar um rosto? Para a maioria das pessoas, isso acontece de vez em quando. Para quem tem síndrome da neve visual, porém, essa percepção tende a surgir com muito mais facilidade e intensidade.
Pesquisadores observaram que essas pessoas identificam rostos ilusórios com mais força em objetos comuns do dia a dia, como nuvens, cascas de árvores, paredes ou até uma xícara de café.
Esse fenômeno tem nome: pareidolia facial.
Trata-se de uma ilusão visual normal, resultado de um mecanismo do cérebro humano moldado para reconhecer rostos rapidamente — uma habilidade essencial para a sobrevivência e para a vida em sociedade.
O problema surge quando esse sistema parece funcionar com o “volume alto demais”.
O que é a síndrome da neve visual
A síndrome da neve visual é marcada pela percepção constante de pequenos pontos cintilantes espalhados por todo o campo de visão.
Diferente de manchas passageiras ou ilusões momentâneas, essa percepção não desaparece.
Além da chamada “neve visual”, muitas pessoas apresentam:
- sensibilidade à luz;
- imagens que demoram a desaparecer após o movimento do olhar;
- rastros ao acompanhar objetos em movimento;
- crises frequentes de enxaqueca.
No dia a dia, isso pode tornar tarefas simples, como ler, dirigir ou usar telas, mais cansativas e confusas.
Apesar de estar cada vez mais reconhecida, a síndrome da neve visual ainda é pouco diagnosticada e frequentemente mal compreendida, inclusive por profissionais de saúde.
O cérebro que vê padrões com mais intensidade
Para entender como a síndrome da neve visual afeta a percepção, pesquisadores realizaram um experimento online com mais de 250 voluntários.
O estudo, publicado na revista científica Perception, mostrou imagens de objetos comuns do dia a dia (como superfícies, paisagens e utensílios) e pediu que os participantes avaliassem o quanto conseguiam enxergar um rosto nessas imagens.
Pessoas com síndrome da neve visual atribuíram notas mais altas à maioria das imagens, indicando que percebiam rostos com mais facilidade e intensidade do que aquelas sem a condição.
Quando a enxaqueca entra em cena
O efeito é ainda mais intenso em pessoas que têm síndrome da neve visual associada à enxaqueca.
As duas condições parecem envolver um cérebro mais sensível a estímulos visuais.
Durante crises de enxaqueca, essa sensibilidade aumenta, fazendo com que o cérebro interprete ruídos visuais de forma exagerada e enxergue padrões com mais facilidade.
Ver rostos não é loucura
A pareidolia não é um transtorno mental. É uma experiência comum, que faz parte do funcionamento normal do cérebro.
Na síndrome da neve visual, porém, esse mecanismo parece estar mais ativo.
Isso ajuda a explicar por que essas pessoas percebem o mundo visual como mais intenso e cansativo.
Além de validar essa experiência, a descoberta pode abrir caminho para formas mais objetivas de identificação da condição.
No fim, o estudo reforça a ideia de que o cérebro precisa equilibrar sensibilidade e precisão. Quando esse equilíbrio falha, padrões aleatórios podem ganhar forma — até mesmo rostos.
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