Tagatose: mesmo sabor do açúcar, menos impacto no organismo

A tagatose é um tipo de açúcar ainda pouco conhecido fora do meio científico, mas que reúne características raras. Tem sabor muito parecido com o do açúcar comum, menor valor calórico e impacto reduzido nos níveis de glicose no sangue. Essas qualidades explicam por que, há anos, ela é estudada como uma possível alternativa ao açúcar tradicional.

Agora, um novo estudo publicado na revista Cell Reports Physical Science aponta um caminho promissor para tornar esse açúcar raro mais acessível, ao apresentar uma forma inovadora de produzi-lo a partir da glicose, o açúcar mais abundante da indústria alimentícia.

Encontrada naturalmente em pequenas quantidades em alimentos como laticínios, a tagatose tem despertado interesse sobretudo entre pessoas com diabetes e entre aquelas que buscam reduzir o consumo de açúcar, justamente por combinar sabor agradável com efeitos metabólicos mais favoráveis.

Por que a tagatose ainda é pouco usada

Apesar das vantagens, a tagatose quase não aparece nos alimentos do dia a dia. O principal obstáculo sempre foi o custo. 

Até agora, os métodos de produção dependiam de matérias-primas específicas e processos industriais pouco eficientes, o que encarece o produto e dificulta sua aplicação em larga escala.

Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo sendo estudada há anos, a tagatose segue restrita a usos pontuais e ainda distante do consumidor comum.

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O que o novo estudo trouxe de diferente

O principal avanço do estudo está na forma de produção. 

Em vez de depender de fontes raras e caras, os pesquisadores mostraram que é possível produzir tagatose usando a glicose, o açúcar mais comum e barato da indústria alimentícia.

Para isso, eles modificaram o funcionamento de bactérias, fazendo com que essas células passem a trabalhar como pequenas fábricas. 

Dentro delas, a glicose é primeiro transformada em galactose e, em seguida, convertida em tagatose. 

Todo esse processo acontece no interior das próprias bactérias, sem necessidade de reações químicas agressivas ou geração relevante de resíduos.

O que isso pode mudar no futuro

Os próprios autores deixam claro que o método ainda precisa ser aprimorado para alcançar escala industrial. Portanto, não se trata de um produto pronto para chegar ao supermercado. 

Mesmo assim, o avanço é relevante, pois indica um caminho mais eficiente e potencialmente mais sustentável para produzir esse açúcar raro.

Se a tecnologia for otimizada, a tagatose pode se tornar uma alternativa ao açúcar tradicional, combinando sabor semelhante com menor impacto metabólico. 

Além disso, a pesquisa reforça o papel da biotecnologia no desenvolvimento de soluções que conectam saúde, alimentação consciente e sustentabilidade.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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