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Tempo de tela em crianças: o que está mudando no corpo delas sem ninguém notar
O tempo de tela em crianças tem preocupado cada vez mais pais e profissionais de saúde. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology reforça esse alerta ao mostrar que o uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisão está associado ao aumento de gordura corporal e a alterações importantes no metabolismo infantil.
Os pesquisadores observaram que muitas crianças ultrapassam com facilidade o limite de duas horas diárias de telas recreativas, recomendado por especialistas.
Esse hábito não impacta apenas o peso visível, mas também aspectos menos aparentes da saúde, que podem trazer consequências no futuro.
Gordura abdominal que não aparece no espelho
Um dos achados centrais do estudo envolve a gordura visceral.
Diferente da gordura que fica logo abaixo da pele, esse tipo se acumula na região abdominal, ao redor de órgãos como fígado e intestino.
As crianças que passavam mais de duas horas por dia em frente às telas apresentaram maior quantidade de gordura visceral e maior percentual de gordura corporal total.
Esse acúmulo é especialmente preocupante porque está ligado, ao longo da vida, a maior risco de diabetes tipo 2, alterações no colesterol e doenças cardiovasculares.
O estudo chama atenção para um ponto importante. Mesmo crianças com peso aparentemente normal podem ter excesso de gordura abdominal, o que representa um risco silencioso à saúde.
Sedentarismo digital e desequilíbrio metabólico
O uso excessivo de telas costuma vir acompanhado de longos períodos sentados e pouca movimentação. Isso reduz o gasto de energia do corpo e favorece o ganho de gordura.
Além disso, crianças que passam muito tempo diante das telas tendem a beliscar mais alimentos ultraprocessados, dormir pior e prestar menos atenção aos sinais de saciedade.
A combinação desses fatores cria um ambiente propício ao desequilíbrio metabólico.
Outro resultado relevante foi a associação entre maior tempo de tela e níveis mais baixos de HDL, conhecido como o “colesterol bom”, que ajuda a proteger o coração ao longo da vida.
O papel da atividade física como proteção
Um diferencial do estudo foi analisar o condicionamento cardiorrespiratório, ou seja, o “fôlego” da criança.
Os pesquisadores perceberam que boa parte dos efeitos negativos do excesso de telas ocorre porque as crianças se movimentam menos e perdem condicionamento físico.
Quando o nível de atividade física era maior, os impactos do tempo de tela sobre a gordura corporal e o metabolismo eram significativamente menores.
Isso mostra que estimular o movimento pode ajudar a reduzir os efeitos do mundo digital.
Um alerta para famílias e escolas
Os autores destacam que o equilíbrio é fundamental.
Não se trata apenas de cortar telas, mas de abrir espaço para brincadeiras, esportes e atividades ao ar livre.
Para famílias e escolas, incentivar o movimento desde cedo pode fazer uma grande diferença na saúde das crianças, agora e no futuro.
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