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Gosta de café e chocolate amargo? Um achado da ciência pode te interessar
Café, chocolate amargo e a busca por uma vida mais longa e saudável raramente aparecem juntos na mesma conversa. Um estudo recente, porém, reuniu esses elementos ao investigar como compostos da alimentação podem se relacionar com a forma como o corpo envelhece.
Os pesquisadores observaram que pessoas com níveis mais altos de teobromina no sangue apresentavam sinais de um envelhecimento biológico mais lento.
Esse composto natural está presente principalmente no cacau e, em menor quantidade, no café.
Em vez de considerar apenas a idade registrada no documento, a análise se concentrou em marcadores que indicam como o organismo está funcionando por dentro, no nível das células, ajudando a estimar se o corpo envelhece no ritmo esperado ou de forma mais acelerada.
Ao comparar diferentes substâncias comuns no café e no cacau, esse padrão apareceu de forma consistente apenas com a teobromina.
Os dados vieram de mais de 1.600 adultos europeus e foram publicados na revista científica Aging.
O que é envelhecimento biológico, afinal?
Para medir o envelhecimento biológico, os cientistas não usam calendários, mas pistas deixadas pelas próprias células.
Algumas alterações no DNA funcionam como registros do tempo e ajudam a indicar se o organismo está envelhecendo mais rápido ou mais devagar do que o esperado.
No estudo, essas pistas foram usadas para comparar o estado das células entre os participantes.
Quem apresentava níveis mais altos de teobromina no sangue tendia a exibir marcadores compatíveis com um envelhecimento celular mais lento, além de sinais associados à melhor preservação dos telômeros, estruturas que protegem os cromossomos.
Em termos simples, é como se o organismo estivesse envelhecendo com menos pressa.
O que é a teobromina
A teobromina é uma substância natural da família das metilxantinas, a mesma da cafeína. A diferença é que seu efeito costuma ser mais suave.
Ela está presente principalmente no cacau e, por consequência, no chocolate amargo.
O café também contém teobromina, mas em quantidades bem menores.
Em chocolates com maior teor de cacau, esse composto aparece em destaque.
Por agir de forma menos estimulante que a cafeína, a teobromina é conhecida por provocar sensações mais estáveis, o que ajuda a explicar o interesse crescente da ciência nesse composto.
Onde entram o chocolate amargo e o café
O trabalho não aponta chocolate ou café como “antídotos” contra o envelhecimento. Ele mostra uma associação importante: níveis mais altos de teobromina no sangue apareceram junto a marcadores biológicos mais favoráveis.
Mesmo após considerar a influência da cafeína e de outros compostos presentes no café, a associação com a teobromina permaneceu.
Isso sugere que o achado está mais relacionado ao cacau do que ao café em si.
O padrão apareceu de forma semelhante em mulheres e homens, de diferentes idades, o que dá mais consistência aos resultados.
O que dá para levar disso para a vida real
Ainda é cedo para transformar esses achados em recomendações práticas.
Os próprios autores destacam que são necessárias mais pesquisas para entender como a teobromina atua no organismo e qual é o seu papel nesses mecanismos.
Mesmo assim, o estudo ajuda a destacar que componentes específicos da alimentação podem estar ligados a processos profundos do envelhecimento humano, muitos deles ainda pouco compreendidos.
Para quem aprecia chocolate amargo, a descoberta traz um sinal positivo. Além do prazer, pode haver benefícios que a ciência começa agora a desvendar.
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