Por que nem todo contato próximo transmite gripe

A transmissão da gripe costuma gerar dúvidas. Afinal, quanto tempo é preciso ficar perto de alguém gripado para se infectar? Estar no mesmo ambiente já representa, por si só, um risco inevitável?

Um estudo publicado na revista científica PLOS Pathogens ajuda a refinar essas respostas.

No teste, voluntários com gripe e sem gripe permaneceram juntos por horas, em contato próximo, e não houve registro de transmissão do vírus nas condições avaliadas pelos pesquisadores.

Transmissão da gripe: como o experimento foi realizado

A pesquisa foi conduzida por cientistas de universidades dos Estados Unidos e analisou, na prática, como ocorre o contágio da influenza em ambientes fechados.

Voluntários saudáveis foram reunidos em um hotel adaptado para quarentena e divididos em dois grupos:

  • um com gripe confirmada por exames laboratoriais;
  • e outro sem infecção.

Durante vários dias, os participantes permaneceram juntos em quartos compartilhados, com ventilação limitada.

Conversaram, jogaram, dividiram objetos e ficaram frente a frente, simulando situações comuns do cotidiano.

Ainda assim, nenhum dos voluntários saudáveis desenvolveu gripe, nem apresentou sintomas ou testes positivos após o período de exposição.

Tosse e quantidade de vírus no ar fazem diferença

Um dos fatores que ajuda a explicar esse resultado foi a baixa liberação do vírus no ar pelas pessoas infectadas. A maioria apresentava sintomas leves e tossia pouco.

Sabe-se que o vírus da gripe pode ser eliminado tanto pela respiração quanto pela tosse, mas nem todas as pessoas liberam a mesma quantidade de partículas virais.

Algumas quase não contaminam o ambiente, enquanto outras liberam volumes muito maiores, sobretudo quando tossem com frequência.

No experimento, apenas uma amostra de ar apresentou vírus viável — justamente no dia em que um participante doente teve mais episódios de tosse.

Ventilação ajuda a reduzir o risco

Outro fator relevante foi a circulação do ar no ambiente.

Embora o local não tivesse grande entrada de ar externo, o ar se misturava rapidamente, o que pode ter ajudado a dispersar o vírus e a reduzir a chance de alguém inalar uma quantidade suficiente para se infectar.

Os dados indicam que o risco é maior quando a pessoa saudável permanece próxima à “nuvem” de ar expelida pela respiração ou pela tosse de alguém infectado, antes que esse ar se disperse.

Imunidade prévia pode ter influenciado

A idade dos voluntários também pode ter influenciado.

A maioria dos participantes saudáveis tinha entre 30 e 40 anos, faixa etária que costuma ter algum grau de imunidade prévia, seja por infecções anteriores ou vacinação.

O que muda na prática

Os pesquisadores reforçam que isso não significa que a gripe deixou de ser contagiosa.

A transmissão da gripe depende da combinação de vários fatores, como intensidade dos sintomas, carga viral, ventilação do ambiente e nível de imunidade das pessoas expostas.

Em locais fechados, mal ventilados ou com pessoas tossindo intensamente, o risco continua elevado.

O estudo ajuda a entender por que nem todo contato próximo resulta em infecção e reforça a importância de medidas como ventilação adequada e vacinação para reduzir o contágio da gripe.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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