Por que xingar pode ajudar o corpo a ir além

Quem já tentou levantar um peso difícil, empurrar um móvel pesado ou concluir um exercício puxado provavelmente conhece a cena: no meio do esforço, um palavrão escapa quase sem pensar. O que parecia apenas um hábito impulsivo agora tem respaldo científico. Um novo estudo mostra que xingar melhora o desempenho físico em tarefas curtas e intensas.

A pesquisa foi publicada na revista científica American Psychologist e investigou se o uso de palavrões durante o esforço físico realmente faz diferença ou se tudo não passa de impressão.

Os resultados indicam que o hábito pode, sim, melhorar o desempenho em tarefas físicas intensas.

Xingar melhora o desempenho físico: o que o estudo analisou

No experimento, voluntários adultos realizaram um exercício simples, porém exigente: sustentar o próprio peso com os braços apoiados em uma cadeira pelo maior tempo possível.

Em uma das etapas, repetiam uma palavra neutra; na outra, um palavrão escolhido por eles mesmos.

Quando xingavam, os participantes conseguiam manter o exercício por mais tempo.

O ganho não foi gigantesco, mas foi estatisticamente significativo. O suficiente para indicar que o uso de palavrões influencia o rendimento físico em tarefas curtas e intensas.

Não é força extra, é melhor uso do corpo

O efeito observado não tem relação com ganhar músculo ou aumentar força de forma permanente. O que muda é o estado mental durante o esforço.

Segundo os pesquisadores, xingar provoca um estado chamado de desinibição psicológica.

Em termos simples, é como se o cérebro parasse de se segurar tanto.

A pessoa fica menos preocupada com julgamentos, desconforto ou pensamentos paralelos que atrapalham o foco.

Durante os testes, quem usava palavrões relatou se sentir mais concentrado, menos travado e mais disposto a ir até o limite.

Esses fatores ajudam a explicar por que xingar melhora o desempenho físico, mesmo sem qualquer equipamento, suplemento ou treino adicional.

Não é só raiva: é foco e liberação mental

O estudo também mostra que o efeito não está ligado apenas à raiva. O palavrão carrega uma carga emocional forte, capaz de “silenciar” distrações internas e liberar o corpo para usar melhor a força que já tem.

Fenômenos parecidos já haviam sido observados com gritos ou gemidos em esportes, mas o palavrão parece ativar esse estado mental de forma mais rápida e direta.

Funciona para todo mundo?

Homens e mulheres responderam de maneira semelhante nos testes, e o tipo de palavrão não foi determinante, desde que tivesse significado emocional para quem fala.

Ainda assim, os próprios autores fazem um alerta. Isso não é um passe livre para sair xingando em qualquer situação.

O efeito é pontual e faz sentido em momentos específicos de esforço físico intenso, como exercícios, esportes ou reabilitação.

No fim das contas, a ciência apenas confirmou algo que muita gente já sentia na prática. Em certos momentos, xingar não é falta de educação, é o cérebro ajudando o corpo a não desistir antes da hora.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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