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Você dorme bem mesmo depois do café? O problema pode estar no sono profundo
Você toma café à tarde ou até mesmo à noite e ainda assim consegue dormir sem dificuldade? Para muita gente, isso parece sinal de que a cafeína não interfere no sono.
Mas pesquisadores vêm descobrindo que a história pode ser mais complicada.
Mesmo quando a pessoa adormece normalmente e passa horas na cama, o cérebro pode estar descansando de forma diferente durante a noite.
Em alguns casos, a cafeína não reduz necessariamente o tempo de sono, mas pode alterar a qualidade da recuperação que acontece enquanto dormimos.
O café pode afetar o sono profundo mesmo quando você dorme normalmente?
A maior parte das pessoas avalia a própria noite de sono por critérios simples: quanto tempo dormiu, se demorou para pegar no sono ou quantas vezes acordou durante a madrugada.
Só que existe outro aspecto importante relacionado ao que acontece dentro do cérebro durante esse período.
Pesquisadores que estudam os efeitos da cafeína utilizam a eletroencefalografia (EEG), exame capaz de registrar a atividade elétrica cerebral durante o sono.
Com ele, é possível observar alterações que nem sempre são percebidas pela própria pessoa.
Uma revisão científica recente sugere que a cafeína pode reduzir a presença das chamadas ondas lentas, um padrão associado ao sono profundo.
Essa fase é considerada fundamental para processos ligados à recuperação física, à consolidação de memórias e ao funcionamento adequado do cérebro.
Quando a atividade de ondas lentas diminui, o sono pode se tornar mais superficial, mesmo que a pessoa não perceba.
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Por que algumas pessoas não sentem diferença?
Quem nunca tomou um café depois do jantar e pensou: “comigo isso não faz diferença”?
Segundo os pesquisadores, a resposta à cafeína varia bastante de uma pessoa para outra. Isso acontece porque diversos fatores influenciam a forma como o organismo processa a substância, incluindo:
- genética;
- idade;
- nível de estresse;
- rotina de sono;
- cansaço acumulado;
- velocidade de metabolização da cafeína.
Por causa dessas diferenças, duas pessoas podem consumir a mesma quantidade de café e apresentar efeitos completamente distintos.
Em alguns casos, até mesmo a cafeína ingerida durante a manhã pode continuar exercendo influência no organismo ao longo do dia.
O problema pode passar despercebido
Um dos achados mais interessantes é que a percepção da pessoa nem sempre corresponde ao que está acontecendo no cérebro.
Em outras palavras, alguém pode dormir sem dificuldade, não se lembrar de despertares durante a madrugada e ainda assim apresentar menos sinais de sono profundo nos registros cerebrais.
Isso pode ajudar a entender por que algumas pessoas relatam sensação de recuperação incompleta, cansaço frequente ou dificuldade de concentração, mesmo quando aparentemente dormem o suficiente.
Naturalmente, esses sintomas podem ter várias causas e não devem ser atribuídos automaticamente ao consumo de café.
A qualidade do sono, porém, vem recebendo atenção crescente dos especialistas porque nem sempre é refletida apenas pelo número de horas dormidas.
Cada vez mais, os pesquisadores entendem que uma boa noite de sono vai além do tempo passado na cama. A forma como o cérebro descansa durante a noite também pode influenciar a recuperação física e mental no dia seguinte.
O estudo foi publicado na revista científica Nutrients por pesquisadores da Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia.
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