Iniciativa começou com uma ideia simples e ganhou apoio de colegas e moradores da comunidade, levando momentos de alegria a pessoas em tratamento hospitalar
Uma flor pode parecer para alguns um presente simples, mas, para quem está internado e enfrenta dias difíceis longe de casa, ela pode representar um momento de carinho inesperado.
Foi pensando nisso que a enfermeira Sarah Skinner decidiu compartilhar com pacientes de um hospital algo que cultivava no próprio jardim. A ideia começou de forma modesta, mas ganhou tantos adeptos que se transformou em uma tradição.
No dia 8 de outubro, ela levou 850 dálias ao UMass Memorial Medical Center, em Worcester, no estado norte-americano de Massachusetts. A iniciativa, batizada de Dahlia Day, ou Dia das Dálias, já mobiliza colegas de trabalho e moradores da comunidade.
Como um jardim virou uma forma de acolhimento
Sarah trabalha como enfermeira especializada e coordenadora clínica de cuidados intensivos. No hospital, acompanha de perto as dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares em momentos delicados.
Segundo relatou à revista People, o trabalho em unidades de terapia intensiva envolve muita tristeza e o contato com famílias que vivem alguns dos dias mais difíceis de suas vidas.
Nesse cenário, cultivar flores se tornou uma atividade compartilhada entre colegas.
Durante a pandemia de Covid-19, o hábito ganhou força, com profissionais trocando tubérculos (estruturas subterrâneas que dão origem a novas plantas) e dicas de jardinagem.
Com o tempo, muitos passaram a ter mais flores do que conseguiam aproveitar. Sarah, então, começou a considerar a possibilidade de levá-las aos pacientes.
Em 2024, apresentou a ideia à direção do hospital e recebeu apoio para colocá-la em prática.
O que acontece quando as flores chegam aos quartos
Sarah contou à People que percebe a mudança no ambiente quando a equipe entra nas unidades carregando baldes de flores. Muitos pacientes sorriem e agradecem pelo gesto.
Uma das histórias que mais a marcaram foi a de uma paciente que atravessava um período de muita preocupação e estresse.
No ano anterior, ela recebeu uma flor acompanhada de um cartão no quarto e, mais tarde, entrou em contato para dizer que o presente havia ajudado a tornar aquele momento um pouco mais leve.
O relato ajuda a entender o propósito da iniciativa. Em meio às dificuldades de uma internação, um gesto inesperado pode oferecer um momento de acolhimento a quem está longe de casa e enfrenta dias de incerteza.
Uma ideia que se multiplicou
O Dia das Dálias deixou de ser uma iniciativa individual e passou a mobilizar diferentes grupos da comunidade. Além dos colegas do hospital, participam uma associação de cultivadores de dálias, um grupo juvenil de West Boylston, grupos de mães e outros moradores que também cultivam flores.
Segundo Sarah, o projeto já reúne quase 50 participantes.
A escolha das dálias também combina com a história. Seus tubérculos podem gerar novas plantas, permitindo que o cultivo se multiplique a cada temporada.
Sarah vê nessa característica uma semelhança com o próprio projeto, que começou com uma ideia simples e passou a alcançar centenas de pacientes.
Ela espera manter a tradição nos próximos anos e, se possível, estender a distribuição a outras unidades do centro médico.
Mais do que as flores, a iniciativa leva aos pacientes uma lembrança de que há pessoas dispostas a tornar um momento difícil um pouco mais leve.
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