Imagine estar conversando com alguém e perceber que, de repente, a pessoa começa a falar enrolado. Ou notar que um familiar não consegue levantar um dos braços, fica com a boca torta ou perde o equilíbrio sem motivo aparente. Você saberia o que fazer?
Essas mudanças podem ser sinais de um acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. O problema é que, diante de sintomas inesperados, muita gente espera alguns minutos para ver se tudo volta ao normal.
Essa espera pode atrasar o atendimento e comprometer a recuperação.
No dia 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, a mensagem é direta: cada minuto conta.
Sinais de AVC: como reconhecer
O AVC ocorre quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe. Com a circulação comprometida, as células cerebrais podem sofrer danos, o que torna o atendimento rápido tão importante.
Os sinais variam conforme a região do cérebro afetada. Entre os principais, estão:
- Boca torta ou rosto assimétrico: um dos lados pode ficar caído quando a pessoa sorri.
- Fraqueza em um lado do corpo: dificuldade para levantar um braço, movimentar uma perna ou segurar objetos.
- Fala alterada: a pessoa pode falar enrolado, ter dificuldade para encontrar palavras ou não compreender o que ouve.
- Alterações súbitas na visão: perda visual ou dificuldade repentina para enxergar com um ou ambos os olhos.
- Perda de equilíbrio ou coordenação: tontura repentina, dificuldade para caminhar ou instabilidade intensa.
- Confusão mental repentina: dificuldade inesperada para compreender situações ou responder de maneira coerente.
Segundo o médico generalista Dr. Rodrigo Mustafá, que atua em urgência e emergência no SUS há 12 anos, alterações neurológicas de início súbito precisam ser levadas a sério.
“A perda súbita de força, a assimetria dos lábios, a fala enrolada, as alterações visuais e a confusão mental são sinais de alerta. Quando aparecem de repente, precisam ser avaliados com urgência”, afirma.
Tontura e dor de cabeça também podem indicar AVC?
Nem toda tontura, dor de cabeça ou sensação de formigamento indica um AVC. Esses sintomas têm várias causas, mas a maneira como aparecem pode ajudar a identificar uma emergência.
Uma tontura súbita acompanhada de dificuldade para caminhar, perda de coordenação ou outros sinais neurológicos exige atenção. O mesmo vale para a perda repentina de sensibilidade ou força, especialmente quando afeta um lado do corpo.
Mustafá também chama a atenção para dores de cabeça que começam de forma abrupta, são muito intensas ou mudam drasticamente de padrão.
“Uma dor de cabeça súbita e muito forte, principalmente quando atinge grande intensidade rapidamente, não deve ser ignorada. Pode estar relacionada a uma emergência neurológica e precisa de avaliação imediata,” alerta o médico.
Uma dor desse tipo pode ocorrer em hemorragias cerebrais, inclusive quando há ruptura de um aneurisma.
Mas vale lembrar: não é necessário sentir dor de cabeça para ter um AVC. Alterações na força, na fala, na visão e no equilíbrio também podem ser os primeiros sinais.
O que fazer diante de uma suspeita de AVC?
Não espere os sintomas desaparecerem para procurar ajuda. No Brasil, ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192, diante da suspeita de AVC.
Se possível, anote quando os sintomas começaram.
Caso ninguém tenha presenciado o início, informe quando a pessoa foi vista bem pela última vez, mesmo que isso tenha ocorrido antes de dormir.
Esse dado ajuda a equipe médica a avaliar as possibilidades de tratamento.
Não ofereça medicamentos por conta própria, comida ou bebida. E não espere até o dia seguinte para buscar atendimento.
Mesmo que os sintomas desapareçam, a avaliação médica continua sendo urgente.
O episódio pode ter sido um ataque isquêmico transitório (AIT), que também exige atenção e pode indicar risco de AVC. Não é possível diferenciar com segurança um AIT de um AVC apenas porque os sintomas melhoraram.
Por que cada minuto conta
No AVC isquêmico, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo, determinados tratamentos podem restabelecer a circulação e reduzir os danos cerebrais.
A indicação depende de fatores como o tempo de evolução, os resultados dos exames e as condições clínicas da pessoa.
Alguns pacientes podem se beneficiar de intervenções mesmo após as janelas iniciais de tratamento. Por isso, não cabe à família concluir que é tarde demais para procurar ajuda.
A prevenção também merece atenção. Em um texto de sua coluna no SaúdeLab, o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira destaca os benefícios da atividade física para a saúde cardiovascular.
Segundo ele, exercitar-se “reduz a pressão arterial, melhora os níveis de colesterol, controla a glicemia, fortalece o músculo cardíaco e diminui drasticamente o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”.
A mensagem do Dia Mundial do AVC é um alerta para situações que podem acontecer em casa, no trabalho ou na rua. Não é preciso reconhecer todos os sintomas nem ter certeza do diagnóstico para agir.
Diante de uma alteração neurológica súbita, procure atendimento de emergência. Não espere para ver se passa. Cada minuto conta.
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