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Hipotireoidismo na gravidez afeta o bebê? Estudo liga casos ao autismo
Um estudo publicado neste mês de novembro no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism trouxe um panorama mais claro sobre um tema que frequentemente preocupa gestantes e revelou com mais precisão como o hipotireoidismo na gravidez afeta o bebê.
A pesquisa, realizada em Israel com mais de 51 mil mães e filhos, analisou a relação entre alterações dos hormônios da tireoide na gestação e o risco de diagnóstico de autismo.
No início da gravidez, o feto depende totalmente dos hormônios produzidos pela mãe. E esses hormônios são essenciais para a formação das primeiras estruturas do cérebro.
Quando existe uma tireoide alterada na gravidez que permanece desequilibrada por semanas ou meses, esse processo pode ser prejudicado.
O estudo investigou justamente essa situação.
Quando o hipotireoidismo na gravidez está descontrolado, o risco aumenta
Os pesquisadores observaram que nem toda alteração da tireoide representa um risco maior.
Mulheres com hipotireoidismo crônico que estavam em tratamento e com os níveis hormonais controlados não apresentaram aumento na probabilidade de ter um bebê diagnosticado com autismo.
Esse dado, claro, ajuda a reduzir a preocupação de muitas gestantes.
A preocupação surge quando a mulher já tinha hipotireoidismo antes da gestação e chega grávida com a doença descompensada, ou quando a tireoide na gestação permanece desregulada ao longo dos trimestres.
Nesses cenários, o estudo identificou maior probabilidade de diagnóstico de autismo. E quanto mais tempo o hipotireoidismo na gravidez permanece sem controle, maior o risco observado.
O padrão foi este:
- um trimestre com hormônios alterados já elevou o risco;
- dois trimestres aumentaram ainda mais a chance;
- três trimestres de tireoide alterada na gravidez registraram o nível mais alto de risco.
Mensagem para as gestantes
Para quem está grávida ou planejando engravidar, a mensagem é que o problema não é ter hipotireoidismo, e sim deixar o hipotireoidismo na gravidez sem acompanhamento ou sem os hormônios ajustados.
Como a tireoide na gestação tem impacto direto na formação neurológica do bebê, especialmente nos primeiros meses, um desequilíbrio prolongado pode influenciar o desenvolvimento.
No entanto, o tratamento costuma ser simples, acessível e eficaz.
A maioria das mulheres responde bem à reposição hormonal e rapidamente volta aos níveis adequados, reduzindo os riscos para o bebê.
Por que exames regulares fazem tanta diferença
O estudo reforça algo que endocrinologistas já recomendam: avaliar a função da tireoide no início da gestação faz diferença.
Muitas mulheres não têm sintomas e só descobrem a tireoide alterada na gravidez por meio de exames.
Quanto antes a alteração for identificada, menores as chances de que o hipotireoidismo na gravidez afete o bebê de forma negativa.
Da mesma forma, acompanhar os níveis hormonais ao longo dos trimestres ajuda o médico a ajustar doses, evitar recaídas e garantir que o feto receba a quantidade adequada de hormônios durante toda a gestação.
Um alerta que traz informação, não pânico
Apesar de o tema gerar preocupação, o estudo traz um recado tranquilizador ao mostrar que, com acompanhamento e tratamento adequados, o risco extra praticamente desaparece.
O que aumenta a vulnerabilidade é o desequilíbrio que permanece sem tratamento.
Mais do que apontar um perigo, a pesquisa destaca que é possível agir cedo e proteger o bebê.
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