Pressão ocular baixa pode ameaçar a visão; estudo traz esperança

A pressão ocular baixa é uma condição pouco conhecida fora dos consultórios de oftalmologia, mas que pode comprometer seriamente a visão quando se mantém por longos períodos.

Diferentemente do glaucoma, em que a pressão dentro do olho é elevada, aqui o problema é o oposto. A pressão fica baixa demais, fazendo com que o olho perca sustentação e sofra alterações estruturais progressivas.

Nesses casos, o problema vai além de um número alterado no exame. A chamada hipotonia ocular pode provocar mudanças no formato do olho, inchaço da retina, distorções visuais, dificuldade para focar e, em situações mais graves, perda visual permanente.

Por isso, pesquisadores vêm buscando estratégias para proteger a visão de pacientes que não respondem bem aos tratamentos convencionais.

Um estudo publicado no British Journal of Ophthalmology trouxe uma nova perspectiva ao testar uma abordagem ainda restrita a centros oftalmológicos especializados.

O que acontece quando a pressão do olho cai demais

A pressão interna do olho funciona como um suporte que mantém sua forma e o alinhamento das estruturas responsáveis pela visão.

Quando essa pressão cai e permanece baixa por muito tempo, o olho perde estabilidade.

Isso pode levar a dobras e inchaço da retina, visão borrada, distorções nas imagens e comprometimento do nervo óptico. Com o tempo, essas alterações estruturais aumentam o risco de perda visual permanente.

A chamada hipotonia ocular costuma surgir após cirurgias para glaucoma, inflamações prolongadas ou traumas.

Mesmo depois de tratar a origem do problema, a pressão do olho pode continuar baixa, deixando sequelas na estrutura ocular que dificultam a recuperação da visão.

Um gel dentro do olho para dar sustentação

No estudo, médicos acompanharam pacientes com pressão ocular baixa crônica e alterações estruturais já visíveis, todos com risco real de perda visual.

A proposta foi aplicar dentro do olho um gel transparente chamado hidroxipropilmetilcelulose, substância já utilizada em cirurgias de catarata.

Na prática, o gel funciona como um suporte interno temporário.

Ele ajuda o olho a recuperar parte de sua estrutura enquanto a pressão intraocular aumenta gradualmente.

As aplicações foram feitas ao longo de vários meses, com acompanhamento rigoroso.

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Resultados animadores, mas com cautela

Após um ano, a maioria dos pacientes apresentou melhora da visão ou manutenção da acuidade visual, além de aumento da pressão interna do olho.

Em vários casos, houve também recuperação parcial da estrutura ocular, um fator importante para estabilizar a retina e evitar danos mais graves.

Cerca de 9 em cada 10 olhos tratados tiveram evolução visual favorável.

Houve efeitos colaterais em alguns casos, como inflamação temporária ou visão embaçada logo após a aplicação, mas esses episódios foram controlados com medicação e acompanhamento médico.

O que esse estudo representa

Até agora, não existia um protocolo bem definido para tratar a pressão ocular baixa quando ela já causava alterações estruturais.

O estudo mostra que, em pacientes cuidadosamente selecionados, essa estratégia pode ajudar a preservar a visão quando outras opções já foram esgotadas.

Os próprios autores destacam que o tratamento não substitui a correção da causa da hipotonia, quando ela é reversível.

Ainda assim, os resultados abrem caminho para novas pesquisas e reforçam um alerta importante, a de que alterações na pressão dos olhos, para mais ou para menos, nunca devem ser ignoradas.

O acompanhamento precoce faz toda a diferença na preservação da visão.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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