Antes da artrite aparecer: o que a ciência já sabe sobre um medicamento

A artrite reumatoide costuma se instalar de forma silenciosa, mas seus efeitos são duradouros. Dor, inchaço nas articulações, rigidez matinal e perda progressiva de qualidade de vida fazem parte do quadro. Diante disso, há anos a ciência tenta responder a uma pergunta-chave: é possível agir antes que a doença se manifeste por completo?

Um estudo internacional publicado na revista The Lancet Rheumatology traz uma resposta cautelosamente positiva.

Ao acompanhar pessoas com alto risco de desenvolver artrite reumatoide por até oito anos, os pesquisadores observaram que o uso do medicamento abatacepte conseguiu adiar o surgimento da doença, embora não tenha impedido que ela aparecesse ao longo do tempo.

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Artrite reumatoide: quem participou do estudo

A pesquisa envolveu adultos que ainda não tinham diagnóstico de artrite reumatoide, mas já apresentavam sinais importantes de risco.

Todos apresentavam dores articulares persistentes e exames de sangue que indicavam a presença de autoanticorpos ligados à artrite reumatoide.

Entre eles, o ACPA, um marcador que sinaliza que o sistema imunológico já está em atividade anormal, mesmo antes do surgimento da doença.

Esses participantes fizeram parte, inicialmente, de um ensaio clínico no qual receberam, por um ano, injeções semanais de abatacepte ou placebo.

Após o fim do tratamento, os voluntários continuaram sendo acompanhados por um período que variou de quatro a oito anos, sem saber qual substância haviam recebido.

O que é o abatacepte

O abatacepte é um medicamento biológico já utilizado no tratamento da artrite reumatoide estabelecida.

Ele atua modulando a resposta do sistema imunológico, reduzindo a ativação exagerada de células de defesa envolvidas no processo inflamatório.

A principal novidade do estudo foi testar essa estratégia em um estágio muito precoce, antes que a doença se manifestasse de forma definitiva.

O que os resultados mostraram

Os resultados mostraram que o abatacepte não impediu o desenvolvimento da artrite reumatoide ao longo do tempo.

No entanto, quem recebeu o medicamento apresentou, em média, um atraso de cerca de cinco meses no surgimento da doença, com efeito observável por até quatro anos.

Ou seja, o tratamento não bloqueou a artrite, mas conseguiu ganhar tempo.

Quem mais se beneficiou

O benefício foi mais evidente em um subgrupo específico.

Pessoas com vários tipos de autoanticorpos no sangue, o que indica que o sistema imunológico já estava mais alterado, tinham maior risco de desenvolver artrite reumatoide.

Ainda assim, foram justamente essas que mais se beneficiaram do tratamento, ficando sem a doença por mais tempo.

Segurança e próximos passos

Os dados de segurança foram positivos, sem aumento relevante de eventos graves.

O estudo reforça uma mudança na reumatologia, que é agir antes da artrite se instalar.

Ainda não é uma estratégia pronta para uso amplo, mas indica a possibilidade de adiar a doença em pessoas de alto risco.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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