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Vacina do Butantan contra chikungunya avança, mas ainda não é para todos
A vacina contra chikungunya pode ficar mais perto da rede pública depois que a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a fabricar o imunizante no Brasil.
Na prática, a decisão pode reduzir custos e facilitar uma futura inclusão da vacina no SUS.
Transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, a chikungunya preocupa principalmente pelo risco de sintomas prolongados. Em alguns casos, a dor nas articulações pode durar meses e até limitar atividades simples do dia a dia.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 127 mil casos e 125 mortes por chikungunya, segundo o Ministério da Saúde.
O que muda com a autorização da Anvisa
A vacina já havia sido aprovada pela Anvisa em 2025, mas até agora a produção estava restrita às fábricas da Valneva, farmacêutica parceira do Butantan, na Europa.
Com a nova autorização, o Butantan passa a ser reconhecido oficialmente como local de fabricação do imunizante.
Como o Butantan é uma instituição pública, a produção nacional pode reduzir custos e diminuir a dependência de fábricas no exterior.
Na prática, esse é um passo importante para que a vacina possa entrar no SUS no futuro.
Isso não significa, porém, que ela já esteja disponível para toda a população brasileira.
Quem pode receber a vacina contra chikungunya
A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos com risco aumentado de exposição ao vírus.
Por ser feita com vírus atenuado (uma versão enfraquecida do vírus), ela não deve ser aplicada em:
- gestantes;
- pessoas imunodeficientes;
- pessoas imunossuprimidas.
O esquema é de dose única.
Segundo estudo publicado na revista científica The Lancet, 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes após a vacinação.
Os efeitos adversos relatados foram leves ou moderados, como:
- dor de cabeça;
- fadiga;
- febre.
Quando a vacina contra chikungunya pode chegar ao SUS
Esse ainda é o principal ponto em aberto.
O Ministério da Saúde já encaminhou à Conitec, comissão responsável por avaliar tecnologias no SUS, o pedido de incorporação da vacina à rede pública.
A autorização da fabricação nacional reforça esse processo, mas ainda faltam etapas antes de uma eventual oferta ampla pelo SUS.
Ou seja, ainda não existe uma data oficial para a vacina ser oferecida em todo o país.
Vacinação já ocorre em projeto-piloto
Enquanto a incorporação nacional não acontece, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto em dez municípios de São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Ceará.
A vacinação começou em fevereiro, e cerca de 23 mil pessoas já receberam a dose.
A experiência deve ajudar o governo a entender como organizar uma futura campanha em larga escala.
Por que a chikungunya preocupa tanto
Embora muita gente associe a chikungunya apenas à febre e dores no corpo, a doença pode deixar sequelas prolongadas.
Os sintomas costumam evoluir em três fases:
- aguda;
- pós-aguda;
- crônica.
Na fase crônica, as dores articulares podem persistir por mais de três meses e, em alguns pacientes, tornam-se incapacitantes.
Em áreas com grande circulação do mosquito Aedes aegypti, o impacto pode ser expressivo.
Neste ano, um surto em Dourados, no Mato Grosso do Sul, provocou mortes e levou ao fechamento de escolas em uma reserva indígena urbana.
Além da vacinação, medidas como evitar água parada e combater o mosquito continuam sendo a principal forma de prevenção para a maior parte da população brasileira.
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