Amizades online com desconhecidos podem aumentar a solidão adulta

Você abre o Instagram, responde um comentário, troca mensagens rápidas e acompanha a rotina de pessoas que parecem próximas. Algumas curtem suas fotos, reagem aos seus stories e aparecem todos os dias no seu feed. Mas, quando a tela apaga, fica a pergunta: isso realmente diminui a solidão?

Um estudo feito com adultos nos Estados Unidos sugere que nem sempre.

Segundo os pesquisadores, manter conexões nas redes sociais com pessoas que nunca foram encontradas pessoalmente pode estar associado a uma sensação maior de solidão.

Isso não significa que toda amizade virtual seja ruim. O ponto é outro.

Quando a maior parte das interações acontece com desconhecidos, mesmo que pareçam íntimos online, esse contato pode não oferecer o mesmo tipo de vínculo que uma relação construída fora da tela.

Redes sociais e solidão: quando parece companhia, mas não preenche

Nas redes sociais, é fácil confundir movimento com conexão. O celular vibra, chegam notificações, alguém comenta uma publicação. Por alguns minutos, existe interação. Mas isso não quer dizer que exista apoio real.

A solidão não depende apenas da quantidade de pessoas ao redor, nem do número de contatos no perfil.

Ela tem mais relação com a qualidade dos vínculos. Sentir-se conhecido, lembrado, escutado e compreendido.

Uma pessoa pode ter centenas de conexões online e, ainda assim, não ter alguém para quem possa dizer, sem filtro: “não estou bem”.

Redes sociais aumentam a solidão?

O estudo não mostra que as redes sociais causam solidão diretamente. Mas os resultados sugerem que adultos com muitos contatos online desconhecidos tendem a se sentir mais solitários.

A pesquisa analisou mais de 1.500 adultos entre 30 e 70 anos. Os pesquisadores observaram que pessoas com mais conexões virtuais formadas por desconhecidos relatavam mais solidão.

Já conversar online com pessoas conhecidas fora da internet não apareceu ligado a mais isolamento. Porém, esse tipo de interação também não foi suficiente, sozinho, para reduzir a solidão.

Na prática, isso sugere uma diferença importante. Falar pela internet com alguém que você já conhece pode funcionar como uma continuação de uma relação real. Já interagir com desconhecidos pode criar uma sensação de proximidade que nem sempre se sustenta fora da tela.

É o caso daquela pessoa que comenta sempre, mas não sabe da sua história. Ou do grupo em que todos opinam, mas quase ninguém percebe quando você some.

A comparação também entra nessa conta

Outro ponto importante é que as redes sociais favorecem comparações.

O que aparece na tela costuma ser um recorte: viagens, encontros, festas, conquistas, amigos reunidos.

Quando se trata de desconhecidos, esse efeito pode ser ainda mais forte. Como não existe convivência real, falta contexto. A pessoa vê apenas a parte editada da vida do outro.

Para quem já se sente sozinho, isso pode aumentar a sensação de estar de fora.

A pessoa entra na rede buscando distração ou acolhimento, mas pode sair se sentindo ainda mais distante socialmente.

Redes sociais não substituem vínculo real

O estudo não sugere que as pessoas abandonem as redes sociais. A reflexão é mais simples. Observar que papel elas ocupam na vida emocional.

Depois de usar as redes, você se sente mais conectado ou mais distante? Mais acolhido ou mais comparado? Mais leve ou mais sozinho?

Talvez o caminho não seja ter mais contatos, mas fortalecer relações que já têm presença, história e cuidado.

Uma ligação, um encontro, uma conversa com alguém próximo ou a retomada de uma amizade antiga podem oferecer algo que a curtida de um desconhecido não entrega.

A solidão tem sido tratada cada vez mais como um tema de saúde pública, por seus impactos na saúde mental e física.

E o estudo, publicado na revista científica Public Health Reports, reforça a ideia de que nem toda conexão online aproxima de verdade.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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