Colocar gelo em lesão pode aliviar na hora, mas será que atrasa a recuperação?

Você torce o tornozelo, sente uma fisgada depois do treino ou fica com o músculo dolorido após esforço físico. Quase sempre, a primeira orientação que aparece é a mesma: “coloca gelo”.

O hábito é tão comum que parece impossível questionar.

O gelo em lesão costuma aliviar a dor rapidamente, reduzir a sensação de inchaço e dar a impressão de que a lesão está sob controle. Mas uma nova pesquisa levanta uma dúvida importante: em alguns casos, esse alívio imediato pode atrapalhar a recuperação?

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, observaram que a crioterapia, nome técnico para o uso terapêutico do frio, reduziu a dor no curto prazo. Porém, em alguns tipos de lesão estudados em animais, a dor demorou muito mais tempo para desaparecer após o uso do gelo.

Isso não significa que o gelo virou “vilão” ou que deve ser abandonado em qualquer situação. O ponto é outro. Talvez ele não deva ser usado de forma automática para toda torção, pancada ou dor muscular.

Por que isso pode acontecer?

Quando uma região do corpo se machuca, é comum surgir dor, calor, vermelhidão e inchaço. Embora muita gente veja isso apenas como algo negativo, essa reação faz parte do processo de reparo.

É como se o corpo enviasse uma equipe para limpar a área danificada, organizar a resposta e iniciar a reconstrução do tecido.

Por isso, reduzir essa reação logo no começo pode, em algumas situações, interferir na recuperação.

O estudo sugere justamente esse paradoxo. O gelo pode aliviar a dor na hora, mas talvez atrase etapas importantes do reparo e faça a dor durar mais tempo depois.

Isso vale para pessoas?

Ainda é cedo para afirmar.

A pesquisa foi feita em animais, e estudos desse tipo ajudam a entender mecanismos do corpo, mas não podem ser aplicados automaticamente aos seres humanos.

A gravidade da lesão, a forma de usar o gelo, o tempo de aplicação e o contexto de cada pessoa fazem diferença.

Mesmo assim, o achado chama atenção porque se soma a outras pesquisas que questionam o uso indiscriminado de estratégias anti-inflamatórias, incluindo alguns medicamentos usados para aliviar dor e inflamação.

Usar gelo em lesão ajuda ou atrapalha?

Depende da situação.

O gelo pode continuar sendo útil quando há dor intensa, trauma recente ou orientação profissional.

Mas talvez não faça sentido correr para o freezer diante de qualquer desconforto muscular leve depois do treino.

Também é importante não confundir alívio com recuperação.

Quem já voltou a treinar porque “a dor passou” sabe como isso pode enganar. O desconforto diminui, mas o tecido ainda pode estar em recuperação.

Se a dor melhora logo após usar gelo em lesão, isso não significa necessariamente que a área já esteja pronta para esforço.

Voltar cedo demais ao futebol, à academia ou ao trabalho físico pode piorar o problema.

Sinais como dor forte, inchaço importante, dificuldade para apoiar o pé, perda de força, dormência, deformidade ou dor que não melhora em poucos dias merecem avaliação.

No fim, o estudo coloca um freio numa ideia que virou quase automática. O gelo não precisa ser demonizado, mas também não deve ser um reflexo imediato diante de qualquer dor muscular ou torção.

Nem toda inflamação é inimiga, e nem todo alívio rápido significa uma recuperação melhor.

O estudo que reacendeu essa discussão foi publicado na revista científica Anesthesiology e avaliou, em modelo animal, como a crioterapia pode influenciar a duração da dor inflamatória após lesões.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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