O que muda quando você perde seus pais e não tem com quem dividir isso

Algumas perdas só mostram o tamanho que têm quando acontecem, e a morte de um pai ou de uma mãe costuma ser uma delas.

Para quem já passou por isso, a dúvida costuma aparecer em algum momento: como lidar com a morte dos pais quando tudo muda de uma vez?

Não é apenas um momento triste. É algo que mexe com a rotina, com decisões práticas e com emoções difíceis de explicar.

E, em alguns casos, esse impacto pode ser diferente, sem que a pessoa entenda exatamente o porquê.

Você já reparou como algumas famílias conseguem atravessar esse momento juntas, enquanto outras parecem lidar com tudo praticamente sozinhas?

Uma das explicações possíveis pode estar em algo simples: o número de irmãos.

Quando tudo recai sobre uma única pessoa

Na prática, o luto pela perda dos pais envolve muito mais do que lidar com a saudade.

Há decisões médicas, burocracias, organização de cuidados, especialmente quando a morte não é repentina. Em muitos casos, esse processo começa antes mesmo da perda acontecer.

Agora imagine passar por tudo isso sozinho.

  • Sem dividir tarefas
  • Sem ter com quem conversar que vive exatamente a mesma situação
  • Sem alguém que compartilhe responsabilidades ou experiências semelhantes

É aí que a sobrecarga pode aparecer, e nem sempre de forma óbvia.

O que acontece com quem tem menos irmãos

Esse padrão não é apenas percepção. Uma pesquisa recente observou comportamentos semelhantes ao analisar adultos após a perda dos pais.

Pessoas com menos irmãos (especialmente filhos únicos) apresentaram um aumento maior no uso de medicamentos relacionados à saúde mental no período próximo à perda.

Isso inclui medicamentos usados para ansiedade, insônia e outros sinais de sofrimento psicológico.

Ou seja, esse impacto também pode aparecer, em alguns casos, na forma de maior busca por apoio médico, embora isso não permita medir diretamente a intensidade do sofrimento.

Outro ponto que chama atenção é que esse processo pode começar antes mesmo da morte, principalmente quando o pai ou a mãe enfrenta uma doença prolongada.

Como lidar com a morte dos pais
Como lidar com a morte dos pais? / Imagem: SaúdeLab

A diferença que quase ninguém percebe no dia a dia

Quem tem irmãos muitas vezes nem percebe o quanto isso pode influenciar a experiência desse momento.

Porque existe algo ali que vai além da divisão de tarefas.

  • Alguém para lembrar histórias
  • Alguém que também está passando pela mesma situação
  • Alguém com quem compartilhar decisões e responsabilidades

Esse tipo de convivência pode estar associado a formas de apoio emocional e prático durante o luto.

Já quem passa por isso sozinho tende a concentrar mais responsabilidades e vivências, o que pode aumentar a sobrecarga em algumas situações.

Nem todo luto acontece da mesma forma

Uma observação importante é que esse impacto não é igual em todos os casos.

A perda da mãe, por exemplo, esteve associada a mudanças mais marcantes nesse período do que a do pai.

Além disso:

  • Mulheres tendem a apresentar maior uso desses medicamentos, o que pode refletir diferenças na busca por ajuda
  • Doenças prolongadas podem gerar impactos antes mesmo da perda
  • Perdas inesperadas podem provocar reações mais intensas no curto prazo

Ou seja, o contexto faz toda a diferença, e os resultados não são iguais para todas as pessoas.

O tamanho da família pode influenciar mais do que parece

Hoje, muitas famílias são menores do que eram no passado.

Na prática, isso significa que mais pessoas podem enfrentar esse tipo de situação com menos apoio familiar direto.

Mas isso não quer dizer que o sofrimento será necessariamente maior, e sim que o suporte pode precisar vir de outras fontes.

Amigos próximos, parceiros, terapia, grupos de apoio (e até outros familiares, como tios e primos) podem ajudar a construir uma rede importante nesse processo.

Às vezes, o que muda não é a perda — é como ela é vivida

Perder um pai ou uma mãe é sempre um momento marcante.

Mas o que muda de pessoa para pessoa não é só a dor, é como essa experiência é vivida no dia a dia.

Ter com quem dividir responsabilidades e vivências pode não diminuir a saudade, mas pode influenciar a forma como esse período é enfrentado.

Essa percepção vem sendo explorada em pesquisas recentes, como a publicada no Journal of Epidemiology and Community Health, que analisou como o número de irmãos pode estar associado a diferenças no uso de medicamentos relacionados à saúde mental após a perda dos pais.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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