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A falta de um nutriente pode estar ligada à depressão e à dor de cabeça crônica
Depressão e dor de cabeça crônica estão mais conectadas do que muita gente imagina. Aquela pressão persistente na cabeça, que aparece em boa parte do mês, pode ter relação não só com estresse ou noites mal dormidas, mas também com a saúde emocional e hábitos do dia a dia.
Isso é o que sugere um grande estudo científico publicado na revista Scientific Reports, que analisou dados de quase 10 mil adultos.
Os pesquisadores observaram que pessoas com sintomas de depressão relatam mais episódios de dor de cabeça crônica — definida como aquela que ocorre em pelo menos 15 dias do mês. Essa associação já era conhecida.
O diferencial do estudo foi investigar quais fatores ajudam a explicar essa ligação.
Os resultados indicam que o caminho entre depressão e dor de cabeça crônica pode envolver mudanças no corpo e no estilo de vida, especialmente ganho de peso e baixa ingestão de ferro na alimentação.
Ou seja, não se trata apenas de algo “da cabeça”. O corpo inteiro entra nessa equação.
Quando o peso também pesa na dor
O estudo mostrou que pessoas com depressão tendem a apresentar índice de massa corporal (IMC) mais elevado, o que indica maior chance de sobrepeso ou obesidade.
Esse aumento de peso, por sua vez, apareceu associado a mais episódios de dor de cabeça crônica.
Uma explicação possível é que a gordura corporal funciona como um tecido ativo, capaz de liberar substâncias inflamatórias.
Esse ambiente inflamatório pode deixar o sistema nervoso mais sensível à dor, favorecendo crises mais frequentes e persistentes.
Ferro na alimentação também faz diferença
Outro achado importante envolve a alimentação.
Pessoas com depressão tendem a consumir menos ferro, e essa menor ingestão esteve associada a mais dor de cabeça crônica.
O ferro é essencial para o transporte de oxigênio no sangue e para o funcionamento adequado do cérebro.
Quando o consumo é insuficiente, podem surgir cansaço, dificuldade de concentração e dores de cabeça mais frequentes.
A pesquisa avaliou quanto ferro as pessoas consumiam na dieta, e não resultados de exames. Mesmo assim, os achados sugerem que uma alimentação pobre em ferro pode favorecer a dor de cabeça crônica.
E a atividade física?
A prática de atividade física também entrou na análise do estudo.
Como já era esperado, pessoas com depressão tendem a se movimentar menos no dia a dia, seja por cansaço, desânimo ou falta de energia.
O ponto importante é que a atividade física, sozinha, não explicou diretamente a relação entre depressão e dor de cabeça crônica. Ou seja, não é apenas deixar de se exercitar que faz a dor aparecer.
Ela atua de forma indireta. Quando a pessoa se movimenta menos, aumenta a chance de ganhar peso e de ter hábitos alimentares piores.
Esses fatores, juntos, podem deixar o corpo mais propenso a dores persistentes, incluindo a dor de cabeça.
Um olhar mais amplo para a dor
O principal recado do estudo é que tratar apenas a dor pode não ser suficiente.
Em muitos casos, cuidar da saúde mental, do peso e da alimentação (especialmente da ingestão de ferro) pode ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises.
Na prática, isso passa por escolhas simples no dia a dia, como incluir com mais regularidade alimentos ricos em ferro, a exemplo de carnes, feijão, lentilha, grão-de-bico, folhas verde-escuras (como espinafre) e ovos.
Isso reforça que corpo e mente caminham juntos. E a dor de cabeça crônica pode ser um sinal de que esse equilíbrio precisa de mais atenção.
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