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Os rins adoecem em silêncio — e o prato tem mais a ver com isso do que parece
A doença renal crônica é um problema mais comum do que parece e costuma evoluir em silêncio. Estima-se que cerca de 10% dos adultos no mundo convivam com algum grau da condição, muitas vezes sem saber.
Quando os sintomas surgem, o comprometimento dos rins já pode estar avançado.
Por isso, fatores que ajudam na prevenção chamam cada vez mais atenção. Um deles está presente todos os dias na rotina: a alimentação.
Alimentação e doença renal: uma relação pouco percebida
Os rins participam do controle da pressão arterial, do equilíbrio de líquidos e da filtragem de substâncias no sangue.
Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gorduras pouco saudáveis sobrecarregam esse sistema ao longo do tempo.
Por outro lado, padrões alimentares mais equilibrados, com maior presença de vegetais, fibras e alimentos naturais, estão associados a menor inflamação no organismo e melhor controle metabólico.
Esses fatores são importantes para a saúde dos rins.
O que a ciência tem observado
Essa relação foi observada em um grande estudo populacional publicado na revista científica CMAJ, que acompanhou mais de 170 mil pessoas no Reino Unido por cerca de 12 anos.
Os dados mostraram que pessoas com maior adesão a um padrão alimentar baseado em vegetais, conhecido como dieta EAT-Lancet, apresentaram menor risco de desenvolver doença renal crônica ao longo do tempo.
A redução do risco foi modesta, variando entre 6% e 9%, mas relevante quando se considera o impacto coletivo de uma doença tão frequente.
Por que o efeito não é igual para todos?
Os pesquisadores observaram que características individuais ajudam a explicar por que a dieta funciona melhor para algumas pessoas do que para outras.
Em parte, isso ocorre por diferenças genéticas ligadas a processos inflamatórios do organismo.
O ambiente em que a pessoa vive também pesa. Em locais com menos áreas verdes e menos oportunidades para hábitos saudáveis, a alimentação tende a ter um papel ainda mais decisivo na proteção dos rins.
Análises do sangue mostraram que quem segue esse padrão alimentar costuma apresentar sinais de menor inflamação e melhor funcionamento dos rins.
Essas mudanças ajudam a reduzir o risco da doença, mas não explicam tudo sozinhas; outros fatores de saúde continuam influenciando o resultado.
O que isso significa na prática?
Não se trata de uma garantia nem de uma solução única.
A doença renal crônica envolve múltiplos fatores, como genética, pressão alta, diabetes e estilo de vida.
No entanto, o conjunto de evidências reforça que reduzir ultraprocessados e carnes em excesso, e aumentar o consumo de alimentos de origem vegetal, pode contribuir para proteger os rins ao longo dos anos, especialmente quando essas escolhas se tornam hábito.
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