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Dor na panturrilha ao andar pode ser só cansaço ou algo mais sério?
Sentir dor na panturrilha ao andar é mais comum do que parece. Muitas pessoas relatam uma fisgada repentina na “batata da perna”, uma sensação de aperto que surge após alguns minutos de caminhada ou um incômodo que piora conforme o trajeto avança.
Às vezes, a dor aparece apenas em subidas. Em outras situações, surge depois de passar muito tempo sentado e tentar retomar a rotina.
Embora frequentemente esteja ligada a cansaço muscular ou esforço excessivo, a dor na panturrilha ao caminhar também pode ser um sinal de alerta para problemas circulatórios ou inflamatórios.
Entender o que está por trás do sintoma é essencial para tomar decisões seguras e evitar complicações.
O que acontece na panturrilha quando caminhamos
A panturrilha é formada principalmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo, que juntos compõem o chamado tríceps sural. Eles funcionam como uma espécie de mola natural.
A cada passo, esses músculos se contraem para elevar o calcanhar e impulsionar o corpo para frente, e depois relaxam para que o pé volte ao chão.
Esse movimento repetitivo exige coordenação entre músculos, tendões, nervos e vasos sanguíneos.
Quando há sobrecarga, inflamação ou dificuldade na circulação do sangue, o tecido muscular pode sofrer com falta de oxigênio ou microlesões. O resultado é dor.
Em termos simples, imagine que o músculo precisa de combustível e oxigênio para funcionar. Se ele trabalha mais do que consegue suportar ou se o sangue não chega adequadamente, ele “reclama” por meio da dor.
Leitura Recomendada: O que fazer para melhorar a circulação sanguínea nas pernas? Saiba o que funciona de verdade
Causas mais comuns da dor na panturrilha ao andar
A dor na panturrilha ao andar pode ter origem muscular, vascular ou até neurológica. A intensidade, a duração e o contexto em que surge ajudam a diferenciar as causas.
Sobrecarga e estiramento muscular
Após uma caminhada mais longa do que o habitual, uma corrida sem preparo ou até o uso de um calçado inadequado, o músculo pode sofrer pequenas lesões nas fibras. Isso gera dor que costuma piorar com o movimento e melhorar com o repouso.
Em geral, a pessoa consegue apontar o momento em que exagerou na atividade. A região pode ficar sensível ao toque e levemente inchada.
Cãibras
As cãibras são contrações involuntárias e dolorosas do músculo. Podem surgir durante a caminhada ou logo depois. Desidratação, perda de eletrólitos pelo suor e fadiga muscular estão entre os fatores mais associados.
Em materiais educativos, o Ministério da Saúde reforça que a ingestão adequada de líquidos é fundamental para o funcionamento muscular e para prevenir alterações relacionadas à desidratação, que podem contribuir para cãibras e desconfortos musculares.
Insuficiência venosa
Quando as veias das pernas têm dificuldade para levar o sangue de volta ao coração, ocorre acúmulo de sangue nos membros inferiores. Isso provoca sensação de peso, inchaço e dor que piora ao ficar muito tempo em pé ou ao caminhar longas distâncias.
A dor tende a ser mais difusa, acompanhada de sensação de cansaço nas pernas, e pode melhorar ao elevar os membros.
Doença arterial periférica
Aqui está uma causa que merece atenção especial. A doença arterial periférica ocorre quando as artérias das pernas ficam estreitadas por placas de gordura, reduzindo o fluxo de sangue para os músculos.
A dor na panturrilha ao andar, nesse caso, é chamada de claudicação intermitente. Ela surge após alguns minutos de caminhada e melhora com o repouso. Depois de descansar, a pessoa consegue caminhar novamente até que a dor reapareça.
A claudicação é um sintoma típico da doença arterial periférica e está relacionada à redução do fluxo sanguíneo para os músculos durante o esforço. Esse tipo de dor não deve ser ignorado, pois pode indicar risco cardiovascular aumentado.
Sociedades médicas da área vascular também destacam que dor desencadeada pelo esforço e aliviada com o repouso é um sinal clássico de doença arterial periférica, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo, diabetes, hipertensão ou colesterol elevado.
Leitura Recomendada: Vitaminas para circulação: o que realmente ajuda a proteger as pernas e as artérias
Como identificar o tipo de dor
Nem toda dor na panturrilha ao andar é igual. Algumas pistas ajudam a entender melhor o que pode estar acontecendo.
Quando a dor é localizada, piora ao pressionar o músculo e está associada a esforço recente, a causa costuma ser muscular. Já quando aparece sempre após uma mesma distância percorrida e melhora rapidamente ao parar, a suspeita vascular deve ser considerada.
Se houver inchaço importante em apenas uma perna, calor local, vermelhidão e dor intensa mesmo em repouso, é fundamental descartar trombose venosa profunda, uma condição potencialmente grave.
Fatores que aumentam o risco
Alguns contextos favorecem o aparecimento de dor na panturrilha ao caminhar. O sedentarismo leva à perda de força e flexibilidade muscular. O excesso de peso aumenta a carga sobre os membros inferiores. O uso de calçados inadequados altera a biomecânica da marcha.
Fatores cardiovasculares também pesam. Tabagismo, diabetes, hipertensão e colesterol alto elevam o risco de problemas arteriais que podem se manifestar como dor na panturrilha ao andar.
Quando procurar avaliação médica
A dor ocasional após esforço intenso geralmente melhora em poucos dias com repouso, hidratação e cuidados simples. No entanto, alguns sinais exigem avaliação médica sem demora.
Dor forte e persistente, especialmente se acompanhada de inchaço significativo em apenas uma perna, vermelhidão, calor local ou dificuldade para apoiar o pé, deve ser investigada rapidamente.
Se a dor surgir sempre ao caminhar e melhorar ao parar, principalmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular, é importante procurar um clínico ou angiologista para avaliação da circulação.
Também merece atenção qualquer dor na panturrilha associada a falta de ar, dor no peito ou sensação de desmaio, pois pode indicar complicações vasculares.
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Como aliviar e tratar a dor na panturrilha ao andar
O tratamento depende da causa.
Nos casos musculares, repouso relativo, aplicação de gelo nas primeiras 48 horas e retorno gradual à atividade costumam ser suficientes. Alongamentos leves e fortalecimento orientado ajudam a prevenir recorrências.
Quando há suspeita de insuficiência venosa, elevar as pernas ao final do dia, usar meias de compressão sob orientação médica e manter atividade física regular podem aliviar os sintomas.
Já na doença arterial periférica, o tratamento envolve controle rigoroso dos fatores de risco, prática supervisionada de exercícios e, em alguns casos, medicações ou procedimentos específicos. A abordagem é individualizada e exige acompanhamento profissional.
É possível prevenir?
Sim. Manter uma rotina de atividade física regular, com progressão gradual de intensidade, fortalece a musculatura da panturrilha. Aquecer antes de caminhar ou correr reduz o risco de lesões.
A hidratação adequada, especialmente em dias quentes ou durante exercícios, também contribui para o bom funcionamento muscular.
Além disso, cuidar da saúde cardiovascular é essencial. Controlar pressão arterial, glicemia e colesterol, parar de fumar e manter peso saudável reduz o risco de causas vasculares da dor na panturrilha ao andar.
Um sintoma que não deve ser banalizado
A dor na panturrilha ao andar pode ser apenas um sinal de que você exagerou na caminhada. Mas também pode ser o primeiro indício de um problema circulatório mais sério.
Observar o padrão da dor, os fatores associados e a evolução ao longo dos dias é fundamental. O corpo costuma dar sinais antes de algo mais grave acontecer. Escutar esses sinais é uma forma de autocuidado.
Se houver dúvida, persistência do sintoma ou qualquer sinal de alerta, buscar orientação médica é a decisão mais segura. Cuidar da saúde das pernas é também cuidar da saúde do coração e da qualidade de vida.
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