Ozempic e similares: o que acontece no intestino, nos olhos e além

Ozempic, Wegovy e Mounjaro viraram assunto em consultórios, redes sociais e rodas de conversa. Eles ajudam a emagrecer, controlam o diabetes e ainda reduzem o risco de problemas no coração.

Mas enquanto o peso diminui, o corpo inteiro também reage, e nem sempre as pessoas percebem isso.

Esses medicamentos atuam muito além do apetite. E entender como eles funcionam, inclusive fora da balança, é parte essencial para usar com segurança.

Por que eles funcionam tão bem?

Esses remédios imitam um hormônio natural do intestino chamado GLP-1. Ele é liberado depois das refeições e avisa ao cérebro que já comemos o suficiente.

Quando esse sinal é prolongado artificialmente, três efeitos aparecem:

  • menos fome;
  • mais saciedade;
  • estômago esvaziando mais devagar.

É como se o corpo acreditasse que já comeu o suficiente por mais tempo.

A fome demora mais para voltar, a pessoa sente menos vontade de repetir o prato e, comendo menos ao longo dos dias, o peso tende a diminuir.

O detalhe é que esse mesmo mecanismo explica os efeitos colaterais mais comuns.

O intestino sente primeiro

Náusea, vômito, diarreia, prisão de ventre e sensação de estômago cheio são frequentes nas primeiras semanas.

Em estudos clínicos, cerca de 1 em cada 5 pessoas relatou náusea.

Isso não é exceção. É esperado.

Quando a dose sobe rápido demais, o desconforto tende a ser maior, por isso o ajuste costuma ser gradual.

Como o esvaziamento do estômago fica mais lento, o alimento permanece ali por mais tempo. Isso pode:

  • aumentar enjoo;
  • causar empachamento (deixar a pessoa com a impressão de que a comida “parou” no estômago);
  • exigir cuidado antes de cirurgias ou exames com sedação.

Há também indícios de maior risco de pedra na vesícula, especialmente quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida.

E o pâncreas?

Durante anos circulou a preocupação de que esses medicamentos poderiam aumentar risco de pancreatite ou câncer pancreático.

Até agora, estudos de longo prazo não confirmaram uma ligação causal clara.

A recomendação atual é vigilância contínua — não porque haja prova de dano estabelecido, mas porque o uso está cada vez mais amplo.

Tireoide: um alerta específico e raro

O alerta sobre a tireoide começou em estudos com animais. Em roedores, esses medicamentos estimularam células ligadas a um tipo raro de câncer chamado carcinoma medular da tireoide.

Quando os pesquisadores olharam para humanos, o cenário foi diferente. O “alvo” do remédio quase não existe na tireoide saudável das pessoas.

Mesmo assim, por precaução, quem tem histórico pessoal ou familiar desse tipo específico de câncer geralmente não deve usar a medicação.

Vale destacar que estamos falando de um câncer raro, e até o momento não há evidência consistente de aumento do risco para outros tipos de câncer de tireoide.

Olhos: atenção para quem já tem retinopatia

Parte dos pacientes diabéticos apresentou piora da retinopatia após iniciar a semaglutida.

As análises sugerem que isso ocorreu principalmente em quem já tinha doença ocular avançada e passou por uma queda rápida da glicose.

Em termos simples, o problema parece estar mais ligado ao fato de o açúcar no sangue cair rápido demais, e não a um efeito tóxico direto do remédio nos olhos.

Quando a glicose diminui de forma muito acelerada, a retina pode reagir temporariamente. Isso já foi observado há anos em pessoas que iniciam tratamento com insulina.

Além disso, está em investigação uma condição rara do nervo óptico chamada NAION, que pode causar perda súbita de visão em um dos olhos.

Os estudos ainda são divergentes e os casos relatados são pouco frequentes, mas o tema segue sob monitoramento à medida que o uso desses remédios se expande.

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Humor e saúde mental: respostas ainda não definitivas

Obesidade e diabetes já aumentam o risco de depressão e ansiedade.

Quando esses medicamentos passaram a ser usados em larga escala, surgiram relatos de alterações de humor.

Alguns estudos apontaram mais ansiedade e sintomas depressivos. Outros mostraram o contrário: possível melhora do humor.

Análises maiores até o momento não confirmaram aumento consistente de pensamentos suicidas ou eventos psiquiátricos graves.

A ciência ainda está organizando essas evidências.

O que isso significa na prática?

Esses medicamentos continuam oferecendo benefícios claros. Perda de peso, melhor controle glicêmico e redução de risco cardiovascular.

Mas o uso amplo exige acompanhamento cuidadoso, especialmente em:

  • idosos;
  • gestantes;
  • pessoas com doença renal avançada;
  • quem perde peso muito rapidamente;
  • pacientes com retinopatia prévia.

A discussão atual não é sobre abandonar o tratamento, e sim sobre entender melhor seus efeitos a longo prazo e personalizar a indicação.

As informações acima vêm de uma revisão científica publicada no Journal of Clinical Investigation.

Ela analisou os dados mais recentes sobre a segurança dos medicamentos à base de GLP-1 usados contra obesidade e diabetes tipo 2.

Os benefícios estão bem documentados. Ainda assim, o uso amplo exige atenção contínua, especialmente no longo prazo, conforme mais pessoas adotam esse tratamento.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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