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Estudo revela que o corpo não “cancela” o esforço a mais do exercício
Fazer mais exercício físico aumenta o gasto calórico ao longo do dia — e o corpo não parece “anular” esse esforço, como muita gente imagina. Essa é a principal conclusão de um estudo internacional que ajuda a desmontar uma ideia bastante comum entre pessoas que tentam se manter ativas.
Existe a crença de que, ao se exercitar mais, o organismo passaria a economizar energia em outras funções, reduzindo parte do benefício do movimento. Seria como se o corpo “cancelasse” o treino nos bastidores.
Os dados científicos, no entanto, sugerem que essa compensação não acontece da forma que muitos acreditam.
O corpo não funciona como um orçamento fixo
Há anos, pesquisadores discutem como o organismo administra a energia ao longo do dia. Duas hipóteses tentam explicar esse funcionamento:
- Hipótese do limite fixo: o corpo teria um teto diário de gasto energético. Ao se movimentar mais, compensaria esse esforço economizando energia em outras funções.
- Hipótese do gasto expansível: o gasto não teria esse limite rígido. Quanto mais a pessoa se movimenta, maior é o gasto total de calorias, sem cortes em funções básicas.
Os dados do estudo analisado reforçam a segunda explicação.
À medida que a atividade física aumenta, o gasto energético diário também cresce, sem redução relevante de energia em processos essenciais, como respiração, circulação sanguínea ou controle da temperatura corporal.
Na prática, isso indica que o exercício eleva o gasto calórico de forma real, sem que o organismo entre automaticamente em um “modo econômico”.
Como os cientistas chegaram a essa conclusão
Para investigar a questão com precisão, os pesquisadores avaliaram pessoas com rotinas muito diferentes (desde indivíduos quase sedentários até atletas de resistência extrema) em um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.
O grupo incluía adultos de várias idades e perfis físicos.
Os participantes passaram por um método clássico da ciência metabólica, conhecido como técnica da água duplamente marcada.
A partir da análise da urina, os cientistas conseguem estimar com bastante fidelidade quanto dióxido de carbono o corpo produz — um indicador direto do gasto energético total.
Além disso, sensores de movimento acompanharam a rotina diária dos voluntários, registrando não apenas exercícios formais, mas também deslocamentos e atividades comuns do dia a dia.
O padrão observado foi consistente. Pessoas mais ativas gastaram mais energia no total, sem sinais claros de compensação metabólica.
Menos tempo sentado também entra na conta
Outro achado do estudo foi a relação direta entre se movimentar mais e passar menos tempo sentado.
Pessoas mais ativas tendem, naturalmente, a reduzir o comportamento sedentário ao longo do dia.
Isso ajuda a entender por que pequenas mudanças fazem diferença.
Caminhar mais, subir escadas, levantar-se com frequência e evitar longos períodos sentado aumentam o gasto energético diário e trazem benefícios para a saúde.
O que isso muda na vida real
Para quem se exercita pensando em saúde ou controle de peso, o esforço adicional faz diferença, contrariando a ideia de que o corpo teria um teto de gasto energético.
Os pesquisadores lembram que situações extremas, como restrição alimentar severa ou esforço muito intenso sem reposição adequada, podem alterar esse cenário.
Fora desses casos, o organismo responde ao aumento da atividade de forma direta.
Na prática, manter-se ativo continua sendo uma estratégia eficaz.
O exercício aumenta o gasto calórico, favorece a saúde metabólica e contribui para uma rotina mais equilibrada.
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