Quem tem sobrepeso pode se surpreender com frutas vermelhas

Incluir frutas vermelhas na rotina pode ter efeitos além do esperado, especialmente para quem vive com sobrepeso ou obesidade.

Uma nova revisão científica reuniu evidências de que esses alimentos podem influenciar não só o metabolismo, mas também a memória.

Os pesquisadores analisaram estudos com frutas como mirtilo, morango, framboesa e uva para entender se elas ajudam a amenizar impactos da obesidade que também atingem o cérebro.

O que a obesidade tem a ver com a memória?

Hoje se sabe que a obesidade não afeta apenas o coração ou o risco de diabetes. Ela também está associada a maior probabilidade de declínio cognitivo e demência.

O excesso de peso pode favorecer inflamação crônica, alterar hormônios como a leptina e prejudicar a ação da insulina — fatores que, em conjunto, impactam o funcionamento cerebral.

Mudanças na microbiota intestinal e na barreira hematoencefálica também entram nessa equação.

Em outras palavras, quando o metabolismo não vai bem, o cérebro pode sentir. É justamente aí que certos alimentos entram no radar da ciência.

Onde entram as frutas vermelhas?

Frutas vermelhas são ricas em polifenóis, especialmente flavonoides e antocianinas, que são compostos naturais com ação antioxidante e anti-inflamatória.

Na revisão, que reuniu 12 estudos com adultos de meia-idade e idosos (incluindo pessoas com comprometimento cognitivo leve), o consumo regular dessas frutas foi associado a pequenas melhoras na memória em parte das pesquisas.

Não se trata de efeito milagroso, mas de sinais considerados promissores.

O que mudou no corpo dos participantes?

Alguns estudos apontaram melhor resposta à insulina, controle mais estável da glicose e ajustes na leptina (hormônio da saciedade). Alterações nesses sistemas estão associadas a maior risco de perda de memória em pessoas com obesidade.

Em um ensaio, o consumo diário de cerca de 25 g de mirtilo selvagem em pó melhorou o reconhecimento de palavras e as respostas de glicose e insulina após as refeições.

O índice de massa corporal nem sempre caiu, mas marcadores metabólicos melhoraram. Isso sugere possíveis benefícios mesmo sem perda de peso relevante.

Intestino e cérebro conversam

Um dos focos mais recentes da ciência é o chamado eixo intestino-cérebro.

Compostos das frutas vermelhas, como as antocianinas, parecem ajudar a equilibrar a microbiota, favorecendo bactérias benéficas.

Esse efeito pode reduzir a inflamação do organismo e influenciar substâncias ligadas ao humor e à memória, como dopamina e serotonina.

Há também sinais de possível ação sobre proteínas associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide e tau. Ainda assim, os estudos em humanos são limitados e os resultados permanecem inconsistentes.

Vale a pena colocar no prato?

Ainda não dá para afirmar que frutas vermelhas previnem demência. A revisão publicada na revista científica Nutrients encontrou sinais positivos, mas ainda não conclusivos.

Mesmo assim, incluir frutas vermelhas na rotina pode ser uma estratégia simples para apoiar a saúde metabólica e possivelmente a memória ao longo do envelhecimento.

Elas não substituem tratamento médico nem compensam hábitos pouco saudáveis. Mas, dentro de uma alimentação equilibrada, podem ser boas aliadas para cuidar do corpo (e do cérebro) com o passar dos anos.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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