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Nova insulina começa a chegar ao SUS e pode mudar rotina de pacientes com diabetes
Tomar menos injeções ao longo do dia pode parecer um detalhe pequeno para quem não convive com diabetes. Mas, para muitas famílias brasileiras, isso interfere diretamente na rotina, nos horários das refeições e no controle diário da doença.
Agora, o SUS começou uma nova etapa que pode mudar parte dessa dinâmica.
Depois de uma fase inicial em quatro estados, o Ministério da Saúde começou a ampliar a distribuição da insulina glargina na rede pública.
A expectativa é que municípios de diferentes regiões do país passem a receber o medicamento a partir de julho.
Entre o fim de maio e junho, profissionais da rede pública devem passar por treinamentos para preparar a nova etapa da distribuição.
A glargina é um tipo de insulina de longa duração usada no tratamento da diabetes.
Segundo o Ministério da Saúde, ela será incorporada gradualmente para parte dos pacientes atendidos pelo SUS, sem substituir automaticamente os tratamentos utilizados hoje.
O que muda com a insulina glargina no SUS
A principal diferença da glargina está no tempo de ação.
Enquanto a insulina NPH costuma exigir mais de uma aplicação diária e maior rigidez nos horários, a glargina pode agir por até 24 horas. Em muitos casos, isso permite apenas uma aplicação ao dia.
Na prática, a mudança pode ajudar a reduzir interrupções constantes na rotina de quem depende da insulina diariamente.
Para crianças, por exemplo, isso pode diminuir parte da pressão envolvendo horários durante a escola e atividades fora de casa. Já para idosos, o tratamento pode se tornar mais simples de organizar ao longo do dia.
Expansão começou após fase inicial em quatro estados
A primeira etapa da estratégia aconteceu em Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal.
Segundo o Ministério da Saúde, essa fase inicial serviu para organizar a implementação da nova insulina na rede pública, treinar profissionais e avaliar como a distribuição funcionaria na prática.
Agora, a preparação avança para outros municípios brasileiros.
A estimativa inicial do governo era beneficiar mais de 50 mil pessoas nas primeiras etapas da transição.
Quem terá acesso primeiro
Nesta fase de ampliação, os grupos prioritários continuam sendo:
- crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1;
- idosos com 80 anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
A troca não será automática.
Cada paciente deverá passar por avaliação individual para verificar se a mudança é adequada ao seu quadro clínico.
Segundo o Ministério da Saúde, a intenção é evitar substituições padronizadas sem considerar as necessidades específicas de cada pessoa.
Produção nacional também faz parte do plano
A insulina glargina usada pelo SUS é produzida por meio de uma parceria entre Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.
Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 6 milhões de unidades foram entregues à rede pública em 2025. A previsão é ampliar a capacidade de produção nos próximos meses.
Enquanto isso, as insulinas tradicionais, como NPH e Regular, continuam fazendo parte do tratamento oferecido pelo SUS.
O SUS já oferece tratamento gratuito para diabetes
O tratamento do diabetes já faz parte da estrutura do SUS há anos.
A rede pública oferece acompanhamento médico, exames, medicamentos e diferentes tipos de insulina conforme a necessidade de cada paciente.
O atendimento normalmente começa pela Atenção Primária, responsável pelo acompanhamento contínuo de pessoas que convivem com a doença.
Com a ampliação gradual da distribuição da glargina, mais pacientes poderão passar a ter acesso a uma opção de insulina de ação prolongada dentro da rede pública.
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