Ministério da Saúde amplia arsenal terapêutico para anemia falciforme no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo importante no tratamento da anemia falciforme, uma das doenças genéticas mais prevalentes no Brasil.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (03/03/2025) a incorporação da deferiprona, medicamento utilizado para combater a sobrecarga de ferro em pacientes que dependem de transfusões sanguíneas frequentes. A medida visa reduzir complicações graves e melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.

A anemia falciforme é uma condição hereditária que afeta principalmente a população negra, com estimativas de que 60 mil brasileiros vivam com a doença.

A ampliação do acesso à deferiprona representa um avanço significativo, já que o acúmulo de ferro no organismo – consequência das transfusões repetidas – pode levar a danos irreversíveis em órgãos como coração, fígado e glândulas endócrinas.

Entenda o que é a anemia falciforme, seus sintomas, riscos e como a incorporação desse medicamento pelo SUS pode impactar positivamente o tratamento, aqui no SaúdeLAB.

O que é anemia falciforme?

A anemia falciforme é uma doença genética caracterizada por uma alteração na hemoglobina, a proteína dos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.

Em pessoas com a condição, os glóbulos vermelhos assumem um formato de “foice” (daí o nome) em vez do formato arredondado tradicional. Essa deformação dificulta a circulação sanguínea, causando obstruções nos vasos e levando a crises de dor intensa, além de outras complicações.

Diferença entre traço falciforme e anemia falciforme

Traço falciforme: Quando a pessoa herda um gene alterado de um dos pais, mas não desenvolve a doença. Pode passar para os filhos, mas geralmente não apresenta sintomas.

Anemia falciforme: Ocorre quando dois genes alterados são herdados (um de cada pai), levando à manifestação da doença.

Sintomas e complicações da anemia falciforme

A anemia falciforme se manifesta de diferentes formas, dependendo da gravidade da condição. Entre os sintomas mais comuns estão as crises de dor vaso-oclusivas, provocadas pelo bloqueio da circulação sanguínea devido ao formato anormal das hemácias.

Essas crises podem atingir ossos, articulações, tórax e abdômen, muitas vezes com intensidade suficiente para exigir hospitalização e o uso de analgésicos potentes.

Além da dor, os pacientes enfrentam anemia crônica, já que os glóbulos vermelhos deformados são destruídos mais rapidamente pelo organismo. Isso resulta em fadiga constante, palidez e falta de ar, sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

Outro problema frequente são as infecções recorrentes, uma vez que o baço – órgão essencial na defesa imunológica – pode sofrer danos progressivos, aumentando o risco de pneumonia, meningite e outras doenças graves.

As complicações da anemia falciforme também afetam órgãos vitais. Os rins podem perder função ao longo do tempo, enquanto o fígado e o coração ficam sobrecarregados pelo excesso de ferro decorrente das transfusões sanguíneas.

Em crianças, há ainda um risco elevado de acidente vascular cerebral (AVC), uma das consequências mais temidas da doença.

Hemácia de pessoas que tem anemia falciforme.
Hemácia de pessoas que tem anemia falciforme. Foto: Ilustração Canva PRO

A importância das transfusões e os riscos da sobrecarga de ferro

As transfusões sanguíneas regulares são um pilar fundamental no tratamento da anemia falciforme. Elas ajudam a reduzir as crises de dor, prevenir complicações como o AVC e melhorar a oxigenação dos tecidos.

No entanto, esse procedimento traz um desafio significativo: o sangue transfundido contém ferro, e o organismo não consegue eliminá-lo eficientemente.

Com o tempo, esse acúmulo – conhecido como hemocromatose secundária – pode levar a danos graves, como cirrose hepática, insuficiência cardíaca, diabetes e desequilíbrios hormonais.

Até recentemente, o SUS oferecia apenas a desferroxamina, um medicamento quelante de ferro que exige aplicação subcutânea prolongada, um método invasivo que dificultava a adesão ao tratamento. A incorporação da deferiprona, uma alternativa oral mais prática, representa um avanço importante no manejo dessa complicação.

Deferiprona: o novo medicamento disponível no SUS

A deferiprona é uma alternativa mais prática para o controle da sobrecarga de ferro. Diferentemente da desferroxamina, ela é administrada por via oral, facilitando o uso diário.

Como funciona?

  • Age como um quelante de ferro, ligando-se ao excesso do mineral no organismo e promovendo sua eliminação pela urina.
  • Reduz os riscos de danos ao coração, fígado e outros órgãos.

Quem pode usar?

  • Pacientes com anemia falciforme que necessitam de transfusões frequentes.
  • Pessoas com talassemia maior (outra doença que exige transfusões regulares).

A decisão do Ministério da Saúde amplia o acesso a esse medicamento, que antes era restrito a casos específicos de talassemia.

Impacto da medida na qualidade de vida dos pacientes

A incorporação da deferiprona pelo SUS representa:

  • Maior adesão ao tratamento: Por ser via oral, é mais fácil de administrar.
  • Prevenção de complicações: Reduz o risco de danos a órgãos vitais.
  • Equidade no acesso: Pacientes de baixa renda terão acesso a um tratamento eficaz.

A ampliação do acesso à deferiprona é um passo importante no tratamento da anemia falciforme, mas o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar continuam sendo essenciais.

Como acessar o tratamento pelo SUS?

Pacientes com anemia falciforme que necessitam da deferiprona para controlar a sobrecarga de ferro devem seguir um processo específico no SUS.

Primeiramente, é necessário ter diagnóstico confirmado da doença e histórico de transfusões sanguíneas frequentes, com comprovação de excesso de ferro através de exames como ressonância cardíaca, ferritina sérica ou biópsia hepática.

O acesso ao medicamento começa com consulta em serviços especializados, como hemocentros ou com hematologistas em hospitais de referência.

O médico responsável avaliará o caso e, se constatar a necessidade, fará a prescrição da deferiprona. Em seguida, a solicitação é encaminhada para autorização via sistema do SUS, que varia conforme a região. Uma vez aprovada, a retirada é feita em farmácias de alto custo ou unidades de saúde designadas.

O tratamento exige acompanhamento regular para monitorar os níveis de ferro e ajustar a dosagem quando necessário. Em caso de dificuldades no acesso, recomenda-se buscar apoio em associações de pacientes ou na Defensoria Pública para garantir o direito ao tratamento.

O Disque Saúde 136 também pode fornecer orientações sobre os passos burocráticos.

Embora ainda existam desafios, como a falta de conscientização sobre a doença, a medida reforça o compromisso do SUS em oferecer tratamento digno e eficaz para quem vive com anemia falciforme.

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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

Artigos: 283
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