Antes do diabetes aparecer, o corpo costuma dar esses sinais

Você pode até tentar comer melhor, fazer exercícios e cuidar da saúde, mas ainda assim sentir cansaço frequente, dificuldade para emagrecer ou fome fora de hora. Em muitos casos, esses sinais têm uma explicação pouco comentada fora dos consultórios: a resistência à insulina.

Esse problema metabólico é silencioso, comum e está por trás do aumento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.

Entender o que é resistência à insulina, como ela surge e quais são seus impactos é um passo importante para proteger a saúde agora e no futuro.

O que é resistência à insulina?

A resistência à insulina acontece quando as células do corpo passam a responder mal à ação desse hormônio, essencial para o controle do açúcar no sangue.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), alterações nesse mecanismo estão na base de doenças metabólicas como o diabetes, que se desenvolve quando o organismo não consegue utilizar o hormônio de forma eficaz ou produzi-lo em quantidade suficiente.

Em condições normais, a insulina funciona como uma “chave”. Ela permite que a glicose entre nas células e seja usada como fonte de energia.

Quando há resistência, essa chave já não funciona tão bem.

A glicose permanece circulando no sangue, enquanto as células “reclamam” por energia.

Para compensar, o pâncreas passa a produzir cada vez mais insulina.

Com o passar dos anos, esse esforço excessivo pode acabar favorecendo o surgimento do pré-diabetes e do diabetes tipo 2.

Esse mecanismo é reconhecido pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que apontam a resistência à insulina como um fator central no desenvolvimento da doença e destacam a importância da identificação precoce para reduzir complicações.

Como a insulina age normalmente no organismo

Depois das refeições, especialmente quando consumimos carboidratos como arroz, pão ou massas, o nível de açúcar no sangue aumenta.

É nesse momento que o pâncreas libera insulina, responsável por sinalizar às células do músculo, do fígado e do tecido adiposo que absorvam essa glicose e a usem como fonte de energia.

Assim, o açúcar sai da corrente sanguínea, os níveis se mantêm equilibrados e o corpo consegue funcionar adequadamente.

O que muda quando surge a resistência à insulina

Na resistência à insulina, as células se tornam menos sensíveis ao hormônio.

Mesmo com níveis elevados de insulina, a glicose entra com dificuldade nas células.

O resultado é um ciclo silencioso:

  • aumento da glicose no sangue;
  • produção excessiva de insulina;
  • maior armazenamento de gordura;
  • piora progressiva da sensibilidade à insulina.

Esse processo pode levar anos até ser percebido.

Leitura Recomendada: Sede constante, cansaço e visão turva: 8 sinais que podem indicar pré-diabetes

O que causa resistência à insulina?

A resistência à insulina não surge de um único fator. Ela é resultado da combinação entre genética, estilo de vida e condições metabólicas.

Predisposição genética

Algumas pessoas já nascem com maior tendência a desenvolver alterações no metabolismo da glicose.

Isso não significa que a condição seja inevitável, mas aumenta o risco quando outros fatores estão presentes.

Excesso de peso e gordura abdominal

A gordura acumulada na região abdominal, especialmente a gordura visceral, libera substâncias inflamatórias que interferem diretamente na ação da insulina.

Esse é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento da resistência à insulina.

Sedentarismo

A atividade física melhora a sensibilidade das células à insulina de forma direta.

Quando o corpo se movimenta pouco, essa resposta tende a piorar, mesmo em pessoas que não estão acima do peso.

Alimentação desequilibrada

Dietas ricas em açúcares, carboidratos refinados, ultraprocessados e excesso calórico sobrecarregam o sistema de controle da glicose e favorecem o surgimento da resistência à insulina ao longo do tempo.

Estresse crônico e sono inadequado

Altos níveis de estresse elevam o cortisol, hormônio que pode aumentar a glicose no sangue.

Já a privação de sono afeta hormônios ligados ao apetite e ao metabolismo, contribuindo para o problema.

Leitura Recomendada: Quanto tempo para reverter pré-diabetes? Tudo que você precisa para ter sucesso!

Quais são os sinais e sintomas da resistência à insulina?

Na maioria das vezes, ela não provoca sintomas evidentes no início.

Ainda assim, ao longo do tempo, alguns sinais podem surgir e indicar que o metabolismo da glicose não está funcionando como deveria:

  • ganho de peso, principalmente na região abdominal, mesmo sem grandes mudanças na alimentação;
  • fome frequente, especialmente por alimentos ricos em carboidratos e doces;
  • cansaço persistente, sensação de pouca energia e sonolência após as refeições;
  • dificuldade de concentração e lapsos de memória;
  • aumento da pressão arterial;
  • manchas escurecidas e espessadas na pele, conhecidas como acantose nigricans, mais comuns no pescoço, axilas e virilha.

Esses sinais, isoladamente, não confirmam o diagnóstico, mas são comuns em pessoas com alterações metabólicas e indicam a necessidade de avaliação médica e exames específicos.

As recomendações da American Diabetes Association (ADA) ressaltam que a resistência à insulina e o pré-diabetes costumam evoluir de forma silenciosa, o que reforça a importância do acompanhamento médico e da identificação precoce.

Como é feito o diagnóstico da resistência à insulina?

Não existe um único exame capaz de diagnosticar a resistência à insulina de forma definitiva.

O diagnóstico costuma ser feito a partir da avaliação clínica associada a exames laboratoriais.

Exames mais utilizados

  • Glicemia de jejum;
  • Hemoglobina glicada (HbA1c);
  • Teste oral de tolerância à glicose;
  • Insulina em jejum;
  • Índice HOMA-IR, que estima a resistência à insulina a partir da glicose e da insulina.

O médico também pode avaliar o perfil lipídico, a circunferência abdominal e a pressão arterial.

Leitura Recomendada: Exame HOMA-IR e HOMA-BETA: o que realmente revelam sobre sua insulina

Quais são os impactos da resistência à insulina na saúde?

Quando não tratada, a resistência à insulina pode desencadear uma série de problemas metabólicos.

Diabetes tipo 2

É a consequência mais conhecida. Com o tempo, o pâncreas não consegue mais produzir insulina suficiente para compensar a resistência.

Síndrome metabólica

Conjunto de alterações que inclui aumento da circunferência abdominal, pressão alta, triglicerídeos elevados, HDL baixo e glicose alterada.

Doenças cardiovasculares

A resistência à insulina favorece inflamação, aterosclerose e aumenta o risco de infarto e AVC.

Fígado gorduroso não alcoólico

O excesso de insulina estimula o acúmulo de gordura no fígado, podendo evoluir para inflamação hepática.

Alterações hormonais e fertilidade

Em mulheres, está associada à síndrome dos ovários policísticos (SOP). Em homens, pode contribuir para redução da testosterona.

Outros impactos

Estudos observacionais também associam a resistência à insulina a maior risco de alguns tipos de câncer e a alterações na saúde mental, como maior risco de depressão.

Leia mais: O que você precisa saber sobre exercício físico e pré-diabetes

Resistência à insulina tem tratamento?

Sim. E, em muitos casos, ela pode ser controlada ou até revertida, especialmente quando identificada precocemente.

Mudanças na alimentação

  • reduzir açúcares e carboidratos refinados;
  • priorizar alimentos naturais e ricos em fibras;
  • incluir proteínas e gorduras saudáveis;
  • manter equilíbrio calórico.

Exercícios físicos regulares

  • combinar atividades aeróbicas e musculação;
  • pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada;
  • reduzir o tempo sentado ao longo do dia.

Controle do peso

Mesmo uma perda de 5% a 10% do peso corporal já melhora significativamente a sensibilidade à insulina.

Sono e estresse

Dormir bem e controlar o estresse são pilares frequentemente negligenciados, mas fundamentais para o equilíbrio hormonal.

Uso de medicamentos

Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos como a metformina, especialmente quando há diabetes, pré-diabetes ou alto risco metabólico.

Outras medicações podem ser consideradas conforme o quadro clínico.

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Resistência à insulina: por que identificar cedo faz diferença

A resistência à insulina é um problema comum, silencioso e muitas vezes subestimado.

Ela não aparece de repente, mas se desenvolve ao longo dos anos, influenciada por hábitos de vida, genética e alterações metabólicas.

Identificar essa condição precocemente permite agir antes que surjam complicações como o pré-diabetes, o diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares.

Com informação de qualidade, acompanhamento médico e mudanças consistentes no estilo de vida, é possível melhorar a sensibilidade à insulina e proteger a saúde a longo prazo.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Diabetes e distúrbios metabólicos
  • Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – Diretrizes SBD 2025
  • American Diabetes Association – Standards of Medical Care in Diabetes
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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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