O que muda no cérebro da mãe com o segundo filho

Não é raro ouvir que a maternidade deixa a mulher mais sensível ou esquecida. O que muita gente não sabe é que a ciência já confirmou que a gravidez realmente muda o cérebro.

Agora, pesquisadores descobriram algo além do esperado. A segunda gestação também traz alterações, e de forma diferente da primeira.

O cérebro da mãe não volta ao normal após a gravidez

No estudo, mais de 100 mulheres foram acompanhadas ao longo do tempo.

Algumas estavam grávidas do primeiro filho, outras do segundo, enquanto um terceiro grupo não engravidou.

Com exames cerebrais feitos em diferentes momentos, os cientistas conseguiram ver o que mudava no cérebro ao longo do processo.

O achado chamou atenção. Cada gravidez deixa sua própria marca.

Em outras palavras, não existe um “reset” depois do primeiro bebê. O cérebro continua se adaptando à maternidade conforme a vida da mulher muda.

Primeira gravidez: cérebro mais voltado ao vínculo

Na primeira gestação, as mudanças mais fortes aparecem em áreas do cérebro ligadas à leitura de emoções e à conexão social.

Na prática, isso pode deixar a mãe mais sensível aos sinais do bebê, mesmo os mais sutis.

Esse ajuste pode ajudar, por exemplo, a:

  • perceber rapidamente quando algo incomoda o filho;
  • entender diferentes tipos de choro;
  • captar necessidades mesmo sem o bebê conseguir se expressar;
  • fortalecer o vínculo emocional nos primeiros meses.

Esse conjunto de mudanças ajuda a explicar por que muitas mulheres relatam uma conexão tão intensa logo após o nascimento.

Segunda gravidez: cérebro mais voltado à gestão do dia a dia

Na segunda gestação, o padrão muda.

Em vez de priorizar tanto a leitura emocional, o cérebro passa a mostrar mais alterações em áreas ligadas à atenção e à resposta rápida a estímulos.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de adaptação pode ser útil quando a mãe precisa dividir o foco entre mais de um filho.

Na vida real, isso pode significar maior facilidade para:

  • reagir rapidamente ao que acontece ao redor;
  • alternar entre várias tarefas seguidas;
  • acompanhar diferentes demandas ao mesmo tempo.

É como se o cérebro começasse a se preparar para uma rotina mais puxada dentro de casa.

Ligação com a saúde mental materna

O estudo também apontou um dado importante para a saúde emocional das mães.

As mudanças cerebrais observadas se associaram a sintomas de depressão perinatal — condição que pode surgir durante a gravidez ou após o parto.

A diferença apareceu no momento em que esses sinais tendem a surgir:

  • na primeira gravidez, mais frequentemente depois do nascimento;
  • na segunda, mais durante a gestação.

Esse achado pode ajudar profissionais de saúde e famílias a reconhecer mais cedo quando algo não vai bem.

O que muda na vida real

Os resultados reforçam a ideia de que a maternidade não é apenas uma mudança de rotina. Trata-se também de uma adaptação biológica profunda.

O cérebro materno é plástico, ou seja, consegue se reorganizar conforme as demandas da vida.

Primeiro, para fortalecer o vínculo com o bebê. Depois, para dar conta de múltiplos cuidados ao mesmo tempo.

Compreender melhor esse processo pode ajudar a identificar precocemente sinais de sofrimento emocional e aprimorar o cuidado com a saúde mental das mães.

Os achados foram publicados na revista científica Nature Communications.

Leitura Recomendada: Pílula que imita exercício pode ajudar quem não consegue se exercitar

Compartilhe este conteúdo
Avatar photo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS