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Pressão alta: o hábito em casa que faz diferença, mas poucos mantêm
Mesmo com orientações claras das principais diretrizes médicas e maior acesso a aparelhos de medição, acompanhar a pressão arterial em casa ainda não faz parte da rotina da maioria das pessoas com hipertensão.
Um estudo recente do Mass General Brigham mostra que, na prática, o engajamento com esse cuidado segue abaixo do recomendado — mesmo quando há orientação, suporte personalizado e medidores gratuitos.
A pesquisa analisou dados de mais de 3.300 pacientes que participaram de um programa remoto de controle da hipertensão entre 2018 e 2022.
Todos receberam um aparelho para uso domiciliar e informações detalhadas sobre como e quando medir a pressão.Ainda assim, uma parcela expressiva simplesmente não manteve o acompanhamento ao longo do tempo.
Por que medir a pressão fora do consultório faz diferença
A medição domiciliar é considerada fundamental porque tende a refletir melhor a pressão real do dia a dia.
No consultório, fatores como ansiedade, estresse ou o próprio deslocamento até a consulta podem elevar os números momentaneamente.
Em casa, ao longo de vários dias, é possível identificar padrões mais confiáveis e ajustar o tratamento de forma mais precisa.
Por isso, as diretrizes recomendam que pessoas com hipertensão façam duas medições seguidas, com intervalo de um minuto, duas vezes ao dia, durante até sete dias antes de uma consulta médica.
O problema é que, embora o protocolo faça sentido do ponto de vista clínico, ele exige disciplina e constância, algo difícil de manter na rotina real da maioria das pessoas.
A adesão está longe do ideal
Ao analisar o engajamento, os pesquisadores observaram quantas medições os participantes realizaram ao longo de períodos de sete dias.
Cerca de um terço não fez nenhuma medição. Outros apresentaram participação baixa ou irregular.
Apenas pouco mais de um terço conseguiu atingir um nível elevado de engajamento, próximo ao recomendado pelas diretrizes.
Esse dado chama atenção porque, entre os participantes que conseguiram manter o monitoramento regular ao longo do tempo e alcançaram uma fase de manutenção, houve uma queda significativa da pressão arterial.
Essa melhora esteve associada a uma redução expressiva no risco de eventos cardiovasculares graves e também de mortalidade por qualquer causa.
O desafio não é o método, mas a rotina
Os resultados indicam que o monitoramento em casa funciona, porém o principal obstáculo está na dificuldade de incorporá-lo à vida cotidiana.
Lembrar horários, repetir medições e acompanhar resultados pode se tornar cansativo, especialmente para quem já lida com outras demandas ou doenças crônicas.
Tecnologia pode tornar o cuidado mais simples
Diante desse cenário, os autores defendem a necessidade de soluções mais práticas.
A expectativa é avançar no uso de dispositivos vestíveis capazes de medir a pressão de forma contínua e quase automática, reduzindo o esforço exigido do paciente.
Com novos aparelhos em desenvolvimento ou em fase de aprovação, a tendência é que o controle da pressão arterial caminhe para um modelo mais simples, confortável e compatível com a vida real.
Tudo isso, sem abrir mão da precisão necessária para proteger o coração.
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