Quem tem pressão alta pode tomar melatonina? Saiba o que realmente acontece

Quem tem pressão alta pode tomar melatonina sem riscos? Essa é uma dúvida comum entre pessoas que sofrem com hipertensão e também enfrentam noites maldormidas.

Afinal, o sono e a pressão arterial estão intimamente ligados—e a melatonina, conhecida como o “hormônio do sono”, pode ser tanto uma aliada quanto uma preocupação para quem precisa controlar os níveis pressóricos.

Dormir mal não só deixa qualquer um cansado no dia seguinte, como também pode agravar problemas cardiovasculares. Por outro lado, muitos hipertensos hesitam em tomar suplementos de melatonina, com medo de que eles interfiram na pressão ou interajam com seus medicamentos. Será que esse receio tem fundamento?

Hoje, no SaúdeLAB, vamos descobrir o que a ciência diz sobre a relação entre melatonina e pressão arterial, quando ela é indicada (ou não) para hipertensos e como usá-la com segurança.

Se você está em busca de uma noite de sono melhor, mas não quer colocar sua saúde cardiovascular em risco, continue lendo—as respostas podem te surpreender.

O que é melatonina e como ela funciona?

A melatonina é um hormônio natural produzido pela glândula pineal, uma pequena estrutura no cérebro que responde à escuridão. Sua principal função é regular o ciclo sono-vigília, avisando ao corpo que está na hora de descansar quando a luz diminui. Por isso, ela é frequentemente chamada de “hormônio do sono”.

Além de ser produzida pelo próprio organismo, a melatonina também está disponível como suplemento—seja em comprimidos, cápsulas ou gotas. Seu uso é comum em casos de insônia, jet lag (aquela dificuldade para dormir após viagens longas) e até em alguns distúrbios do ritmo circadiano.

Mas como exatamente ela age? Quando a noite chega e a luz ambiente diminui, a glândula pineal aumenta a produção de melatonina, enviando um sinal ao cérebro de que é hora de relaxar e preparar-se para o sono.

Quando tomada como suplemento, a melatonina sintética reproduz esse efeito, ajudando a “enganar” o corpo e induzir o adormecimento mais rapidamente.

No entanto, seu papel não se limita apenas ao sono. Estudos sugerem que a melatonina também tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o que pode trazer benefícios indiretos para a saúde cardiovascular. Mas será que isso significa que ela é segura para quem tem pressão alta?

Leia mais: Melatonina: benefícios, usos, efeitos e mitos sobre o hormônio do sono

Pressão alta e sono: qual a relação?

A conexão entre sono e pressão arterial é mais profunda do que muitos imaginam. Dormir mal ou por poucas horas não só deixa a pessoa cansada, como também pode contribuir para o aumento da pressão sanguínea—e, a longo prazo, agravar quadros de hipertensão.

Durante o sono, o corpo entra em um estado de repouso que permite a redução natural da pressão arterial, um fenômeno conhecido como “dipping noturno”.

Quando esse processo é interrompido—seja por insônia, apneia do sono ou simplesmente noites mal dormidas—o sistema nervoso simpático permanece mais ativo, elevando os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios que podem aumentar a pressão.

Pesquisas mostram que pessoas que dormem menos de seis horas por noite têm maior risco de desenvolver hipertensão. Além disso, distúrbios como a apneia obstrutiva do sono estão fortemente associados a pressão alta resistente, justamente porque fragmentam o descanso e reduzem a oxigenação adequada.

É nesse contexto que muitos hipertensos buscam a melatonina como uma possível solução para melhorar a qualidade do sono. Afinal, se dormir mal piora a pressão, um suplemento que ajuda a regular o sono poderia, teoricamente, trazer benefícios indiretos. Mas será que a melatonina em si interfere na pressão arterial?

Melatonina afeta a pressão arterial? O que diz a ciência

A grande questão que preocupa muitos hipertensos é: a melatonina altera a pressão sanguínea? A resposta não é simples, mas pesquisas recentes trazem dados importantes.

O efeito da melatonina na pressão: redução ou neutralidade?

Estudos sugerem que a melatonina pode ter um leve efeito hipotensor (redutor de pressão) em algumas pessoas. Isso ocorre porque o hormônio:

  • Promove vasodilatação (relaxamento dos vasos sanguíneos) ao estimular a produção de óxido nítrico, uma molécula que ajuda no controle da pressão arterial.
  • Reduz a atividade do sistema nervoso simpático, responsável por respostas de “luta ou fuga” que elevam a pressão.
  • Age como antioxidante, combatendo o estresse oxidativo associado à hipertensão.

Em uma meta-análise publicada no Journal of Clinical Hypertension, pesquisadores observaram que a suplementação com melatonina (em doses entre 2 mg e 5 mg ao dia) reduziu modestamente a pressão arterial sistólica e diastólica em pacientes com hipertensão noturna.

Por outro lado, em pessoas com pressão normal ou bem controlada, a melatonina não costuma causar quedas significativas. A maioria dos estudos indica que, em doses terapêuticas (até 10 mg), ela é neutral para a pressão na maior parte da população.

Riscos e exceções

Apesar dos possíveis benefícios, há situações em que a melatonina merece cautela:

  • Pacientes com hipotensão (pressão muito baixa) podem sentir tonturas ou fraqueza.
  • Interações medicamentosas: A melatonina pode potencializar o efeito de alguns anti-hipertensivos, como betabloqueadores (ex.: propranolol) e bloqueadores dos canais de cálcio (ex.: amlodipina).
  • Doses muito altas (acima de 10 mg) podem causar efeitos imprevisíveis, como sonolência diurna e oscilações pressóricas.

Para a maioria dos hipertensos, a melatonina é segura e pode até ajudar indiretamente ao melhorar o sono. Porém, o ideal é monitorar a pressão nas primeiras semanas de uso e ajustar a dose conforme necessário.

Veja também: Melatonina faz mal para o coração? Fique atento aos efeitos colaterais

Quem tem pressão alta pode tomar melatonina?

Agora que entendemos os efeitos da melatonina na pressão, a pergunta central: ela é liberada para hipertensos? A resposta é sim, mas com ressalvas.

Quando a melatonina é indicada para hipertensos?

Ela pode ser uma opção válida se o paciente:

  • Tem insônia ou dificuldade para dormir (comum em até 50% dos hipertensos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia).
  • Sofre com desregulação do ritmo circadiano (como trabalhadores noturnos ou idosos com sono fragmentado).
  • Usa medicamentos que atrapalham o sono (alguns anti-hipertensivos têm a insônia como efeito colateral).

Precauções indispensáveis

  • Consulta Médica Prévia: Principalmente para quem toma múltiplos medicamentos ou tem hipertensão descontrolada.
  • Dose Conservadora: Começar com 1 mg a 3 mg, 30 minutos antes de dormir. Evitar doses acima de 5 mg sem acompanhamento.
  • Monitoramento da Pressão: Anotar medidas antes e após iniciar o suplemento para detectar alterações.

Cuidado com Interações

  • Anti-hipertensivos: A melatonina pode potencializar o efeito de alguns remédios, levando a quedas abruptas de pressão.
  • Anticoagulantes: Pode aumentar o risco de sangramentos quando combinada com varfarina.

Contraindicações

A melatonina não é recomendada para:

  • Grávidas e lactantes (não há estudos suficientes sobre segurança).
  • Pessoas com doenças autoimunes (ela pode estimular o sistema imunológico).
  • Pacientes em uso de imunossupressores (como corticoides).

Como usar melatonina com segurança na hipertensão

Para quem tem pressão alta, a melatonina pode ser uma aliada do sono — desde que usada com estratégia. Aqui estão as recomendações essenciais para incorporá-la à rotina sem riscos:

Dosagem: menos é mais

Inicie com a menor dose eficaz: 0,5 mg a 1 mg, 30 a 60 minutos antes de dormir. Muitas pessoas respondem bem a quantidades mínimas.

Ajuste gradual: Se necessário, aumente para 2 mg ou 3 mg após alguns dias, mas evite ultrapassar 5 mg sem orientação médica.

Formas de liberação prolongada: Indicadas para quem acorda frequentemente à noite, mas exigem acompanhamento rigoroso em hipertensos.

Timing e rotina

Horário consistente: Tome sempre no mesmo horário para regular o relógio biológico.

Evite uso contínuo prolongado: A melatonina é segura por até 3 meses, mas o ideal é intercalar com outras estratégias de higiene do sono.

Combinação com hábitos saudáveis

Potencialize os efeitos da melatonina com:

  • Ambiente escuro e fresco: A luz inibe a produção natural do hormônio. Use cortinas blackout e evite telas antes de dormir.
  • Jantar leve: Refeições pesadas ou álcool prejudicam a qualidade do sono e a eficácia da melatonina.
  • Rotina relaxante: Meditação, alongamentos ou chás calmantes (como camomila) podem complementar a suplementação.

Sinais de alerta

Interrompa o uso e consulte um médico se surgirem:

  • Quedas abruptas de pressão (tonturas, visão turva).
  • Sonolência diurna excessiva.
  • Taquicardia ou palpitações (raros, mas possíveis em doses altas).

A resposta para “quem tem pressão alta pode tomar melatonina?” é, na maioria dos casos, sim — mas com planejamento. A ciência indica que, em doses moderadas, o suplemento não só é seguro como pode indiretamente beneficiar a saúde cardiovascular ao melhorar a qualidade do sono, fator crítico para o controle da hipertensão.

Se você sofre de insônia e hipertensão, a melatonina pode ser o complemento que faltava para noites mais reparadoras — desde que usada com consciência.

Priorize o diálogo com seu médico, comece devagar e observe como seu corpo reage. Afinal, dormir bem é um passo fundamental para manter a pressão sob controle e viver com mais qualidade.

Leia mais:

Compartilhe este conteúdo
Elizandra Civalsci Costa
Elizandra Civalsci Costa

Farmacêutica (CRF MT n° 3490) pela Universidade Estadual de Londrina e Especialista em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner. - Curitiba PR. Possui curso em Revisão de Conteúdo para Web pela Rock Content University e Fact Checker pela poynter.org. Contato (65) 99813-4203

Artigos: 1142
plugins premium WordPress

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS