Ela ficou furiosa ao telefone com o plano de saúde. Horas depois, foi parar no hospital com a “síndrome do coração partido”

Uma ligação para o plano de saúde deixou uma mulher de 63 anos tão frustrada e irritada que, pouco depois de desligar o telefone, ela percebeu que havia algo errado com seu corpo.

A situação aconteceu nos Estados Unidos. Depois de procurar atendimento, a paciente foi transferida para o centro médico da Universidade de Vermont, em Burlington, onde os médicos suspeitaram de um infarto.

O que parecia ser apenas uma situação estressante ganhou outra dimensão nas horas seguintes. Com os sintomas persistentes, sensação de quase desmaio e alterações na frequência cardíaca, ela precisou ser internada.

Mas os exames revelaram outra condição: a síndrome do coração partido, também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, uma alteração temporária do funcionamento do coração que pode surgir após um estresse físico ou emocional intenso.

O caso foi descrito por médicos da University of Vermont Larner College of Medicine em um relato publicado na revista Case Reports in Cardiology.

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi o gatilho emocional associado ao episódio: uma conversa com a operadora do plano de saúde.

A ligação que terminou no hospital

Antes daquele dia, a mulher não tinha histórico de doença cardíaca e levava uma vida ativa. Ela tinha passado por um tratamento contra o câncer de mama, mas exames anteriores mostravam que seu coração funcionava normalmente.

A ligação era sobre uma mudança no plano de saúde e a cobertura de cuidados preventivos. Durante a conversa, ela ficou muito frustrada e irritada.

Pouco depois, começou a sentir que algo estava errado.

Os sintomas persistiram, ela teve sensação de quase desmaio e percebeu alterações nos batimentos cardíacos. No pronto-socorro, exames mostraram sinais de que o coração estava sofrendo, semelhantes aos que podem aparecer durante um infarto.

Por precaução, os médicos iniciaram o tratamento usado nesses casos e a transferiram para uma unidade especializada em atendimento cardíaco.

O que os médicos descobriram

Os exames começaram a mudar a história.

O ecocardiograma mostrou que o coração estava bombeando menos sangue do que deveria. A fração de ejeção, que mostra quanto sangue o coração consegue bombear a cada batimento, estava em 35%.

A ponta do coração quase não se mexia, enquanto a parte de cima se contraía com mais força, dando à região um formato de “balão”.

O conjunto dos exames apontou para a cardiomiopatia de Takotsubo, conhecida como síndrome do coração partido.

O que é a síndrome do coração partido

A síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo, é uma alteração temporária no funcionamento do coração que pode surgir após um estresse físico ou emocional intenso.

O nome não significa que o coração tenha literalmente se partido. A expressão surgiu porque acontecimentos emocionalmente marcantes podem preceder o problema.

Isso não significa que uma discussão ou um momento de raiva vá provocar a síndrome. Neste caso, os pesquisadores associaram o episódio ao forte estresse provocado pela conversa com a seguradora.

Como o estresse pode afetar o coração

A ciência ainda não conhece completamente como o estresse desencadeia o Takotsubo. Uma das hipóteses é que a reação intensa do organismo ao estresse, com liberação de substâncias como catecolaminas e cortisol, possa afetar temporariamente o funcionamento do coração.

É uma reação incomum e potencialmente grave, e não uma consequência esperada de situações comuns de irritação.

Quais sintomas merecem atenção

Os sintomas podem ser parecidos com os de um infarto. Entre eles estão:

  • Dor ou pressão no peito
  • Falta de ar
  • Palpitações
  • Desmaio ou sensação de desmaio

Esses sinais precisam de avaliação médica rápida. Somente exames, como eletrocardiograma, exames de sangue e exames de imagem, podem ajudar a identificar a causa. Por isso, não é seguro atribuí-los simplesmente ao estresse.

O coração da mulher se recuperou

Apesar do início preocupante, a evolução foi favorável. Os sintomas desapareceram, o eletrocardiograma melhorou e ela recebeu alta.

Cerca de três semanas depois, um novo ecocardiograma mostrou que:

  • o coração havia recuperado sua força para bombear sangue;
  • as alterações vistas durante a internação haviam desaparecido.

Isso mostra que a síndrome do coração partido pode ser temporária e reversível. Ainda assim, ela pode causar complicações importantes durante a fase aguda. Além disso, quem já teve o problema pode apresentar um novo episódio. Segundo os pesquisadores, isso ocorre em aproximadamente 2% a 4% dos casos a cada ano.

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Redação SaúdeLab

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