Sintomas de falta de zinco: o que o corpo tenta avisar

O zinco é um mineral essencial para a vida. Embora seja necessário em pequenas quantidades, ele participa de centenas de reações no organismo.

Está envolvido na imunidade, na cicatrização, no crescimento, na fertilidade, na produção hormonal e até na comunicação entre as células do cérebro.

Mesmo assim, a deficiência desse nutriente ainda é mais comum do que se imagina. Um ponto importante é que o corpo não possui grandes reservas de zinco: ele depende de ingestão regular por meio da alimentação.

Mas como saber se os níveis estão baixos? Os sintomas de falta de zinco nem sempre aparecem de forma isolada.

Muitas vezes surgem como sinais aparentemente desconectados, que podem ser confundidos com estresse, má alimentação ou outras condições. Entender esses sinais ajuda a enxergar o quadro como um todo.

Alterações na pele, cabelos e unhas

Um dos primeiros lugares onde a deficiência costuma se manifestar é na pele. O zinco é fundamental para a divisão celular e para a produção de proteínas estruturais, como o colágeno.

Ele também participa do controle da inflamação e da regeneração dos tecidos. Quando há deficiência, a renovação da pele fica prejudicada.

Na prática, isso pode se traduzir em pele mais seca, descamativa ou com pequenas lesões que demoram a cicatrizar. Algumas pessoas percebem rachaduras nos cantos da boca ou maior sensibilidade a irritações.

Cicatrização lenta

A cicatrização lenta é um dos sinais mais clássicos. Cortes simples parecem levar mais tempo para fechar, e pequenas feridas podem inflamar com facilidade.

Isso acontece porque o zinco é essencial para uma resposta inflamatória adequada e para a formação de novo tecido.

Queda de cabelo e unhas quebradiças

Nos cabelos e unhas, o impacto também pode ser perceptível. O mineral participa da síntese de queratina, proteína que dá estrutura aos fios e às unhas.

A deficiência pode levar a aumento da queda de cabelo, fios mais finos e unhas quebradiças.

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Imunidade baixa e infecções frequentes

Entre os sintomas de falta de zinco mais relevantes está a maior suscetibilidade a infecções. O zinco atua diretamente no desenvolvimento e na função das células de defesa, como linfócitos T e células natural killer.

Ele ajuda a regular a resposta inflamatória e a coordenação do sistema imunológico.

A deficiência de zinco compromete a função imunológica e pode aumentar o risco de infecções respiratórias, diarreia e outras doenças infecciosas.

Em termos simples: não é que o zinco “evite” todas as infecções, mas níveis adequados ajudam o sistema imune a responder de maneira mais eficiente.

No dia a dia, isso pode aparecer como resfriados frequentes, gripes mais prolongadas ou dificuldade maior de recuperação após doenças comuns.

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Perda de apetite e alterações no paladar

Se a comida parece sem gosto ou surge um sabor metálico persistente na boca, isso também pode estar relacionado. O zinco é necessário para o funcionamento adequado das papilas gustativas e dos receptores olfativos.

A deficiência pode provocar disgeusia, termo médico para alteração do paladar.

Além disso, o mineral participa da regulação de hormônios relacionados ao apetite, como a grelina. Quando os níveis estão baixos, pode haver redução da fome, o que diminui a ingestão alimentar e, paradoxalmente, pode agravar ainda mais a deficiência.

Em crianças e idosos, essa combinação de pouco apetite e alteração do paladar pode resultar em perda de peso ou dificuldade de ganho ponderal.

Sintomas gastrointestinais

O intestino também pode dar sinais. O zinco participa da integridade da mucosa intestinal e da absorção adequada de nutrientes. Em casos de deficiência, podem ocorrer episódios de diarreia recorrente ou prolongada.

A própria OMS destaca que a suplementação de zinco é recomendada em alguns casos de diarreia infantil, justamente por seu papel na recuperação da mucosa intestinal e na redução da duração do quadro.

Quando a deficiência é persistente, pode haver má absorção de outros nutrientes, criando um ciclo que agrava o desequilíbrio nutricional.

Impactos cognitivos e emocionais

O cérebro também depende do zinco. Esse mineral participa da comunicação entre neurônios e influencia neurotransmissores como serotonina e glutamato.

Ele está presente em altas concentrações em regiões cerebrais relacionadas à memória e ao aprendizado.

Revisões científicas em nutrição clínica descrevem associação entre níveis baixos de zinco e alterações de humor, maior risco de sintomas depressivos e prejuízo cognitivo, especialmente em populações mais vulneráveis.

Na prática, isso pode aparecer como irritabilidade aumentada, dificuldade de concentração, sensação de “mente lenta” ou esquecimentos mais frequentes.

Como esses sintomas têm muitas causas possíveis, o zinco não deve ser visto como explicação única. Ainda assim, a deficiência nutricional é um fator real e frequentemente subestimado.

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Sinais em crianças e adolescentes

Em fases de crescimento acelerado, a demanda por zinco aumenta. O mineral é essencial para a divisão celular, produção de DNA e ação do hormônio do crescimento.

Em crianças, a deficiência pode se manifestar como atraso no crescimento, ganho de peso insuficiente ou maior frequência de infecções.

Em adolescentes, pode haver atraso puberal ou alterações no desenvolvimento sexual, já que o zinco também participa da produção hormonal.

Dificuldades de aprendizagem e atenção podem surgir como reflexo dos impactos cognitivos já descritos.

Sintomas menos conhecidos

Alguns sinais são menos lembrados, mas igualmente importantes. A dificuldade de adaptação ao escuro pode estar relacionada à deficiência de zinco, pois ele auxilia na ativação da vitamina A, essencial para a visão noturna.

Alterações no olfato, diminuição da libido e, em homens, redução da qualidade do esperma também podem ocorrer, uma vez que o zinco é importante para a saúde reprodutiva.

Em alguns casos, pode haver maior sensibilidade ao frio, já que o mineral participa do metabolismo energético e da regulação térmica.

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Quem tem maior risco de deficiência?

Alguns grupos merecem atenção especial: idosos, gestantes, pessoas com dietas muito restritivas, indivíduos com doenças intestinais inflamatórias, alcoolismo ou distúrbios de absorção.

Dietas pobres em proteínas animais também podem reduzir a biodisponibilidade de zinco, já que o mineral presente em fontes vegetais pode ter absorção menor devido à presença de fitatos.

Quando procurar avaliação médica

Os sintomas de falta de zinco são inespecíficos e podem se confundir com outras condições clínicas. Por isso, a suspeita deve sempre ser avaliada por um profissional de saúde, especialmente quando os sinais são persistentes, progressivos ou aparecem em conjunto.

Sinais de alerta que merecem avaliação com mais urgência incluem perda de peso sem explicação, infecções recorrentes ou prolongadas, atraso de crescimento em crianças, alterações importantes de humor associadas a sintomas físicos e queda acentuada de cabelo acompanhada de outros sinais sistêmicos.

O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica e, quando indicado, exames laboratoriais. A suplementação só deve ser feita com orientação profissional, pois o excesso de zinco pode causar efeitos adversos e interferir na absorção de outros minerais, como o cobre.

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O papel da alimentação

Manter níveis adequados de zinco depende principalmente da dieta. Carnes, frutos do mar (especialmente ostras), ovos, leguminosas, sementes e oleaginosas são boas fontes. Uma alimentação variada costuma ser suficiente para a maioria das pessoas saudáveis.

Se você percebe pequenos sinais persistentes, vale olhar para o conjunto: rotina, qualidade da alimentação, fase da vida e presença de doenças intestinais ou restrições alimentares. O corpo frequentemente comunica suas necessidades antes que problemas maiores se instalem.

Pequenos sinais podem ter grande significado

Os sintomas de falta de zinco raramente aparecem de forma dramática no início.

Na maioria das vezes, o corpo envia sinais sutis: uma cicatrização que demora mais, infecções frequentes, alterações no paladar, queda de cabelo ou mudanças no humor que parecem difíceis de explicar.

O desafio é que esses sinais costumam ser atribuídos ao cansaço, ao estresse ou à rotina acelerada. No entanto, quando persistem ou surgem em conjunto, podem indicar um desequilíbrio nutricional que merece atenção.

O zinco participa de processos essenciais — da renovação celular à imunidade, da saúde intestinal ao funcionamento cerebral. Manter níveis adequados não significa buscar suplementação indiscriminada, mas sim garantir uma alimentação variada e, quando necessário, avaliação profissional.

Observar o próprio corpo com atenção e responsabilidade é um dos primeiros passos para prevenir complicações maiores. Pequenas deficiências, quando identificadas precocemente, costumam ser mais simples de corrigir.

Se os sinais persistirem, especialmente em crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas, a orientação médica é fundamental para um diagnóstico preciso e seguro.

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Sugestões de links internos (cluster temático):
Imunidade baixa: causas e o que fazer. Queda de cabelo: principais deficiências nutricionais. Pele seca ou desidratada: entenda a diferença. Perda de apetite: quando investigar. Deficiências nutricionais mais comuns.

Tags:
deficiência de zinco; nutrição; imunidade; queda de cabelo; saúde mineral

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Farm. Elizandra Civalsci Costa

Editora-chefe do SaúdeLAB. Farmacêutica (CRF MT nº 3490), formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner.

Atua na supervisão editorial e na produção de conteúdos jornalísticos e informativos sobre saúde, ciência e bem-estar, seguindo critérios de apuração, revisão e responsabilidade editorial.

Possui formação em revisão de conteúdo para web pela Rock Content University e capacitação em fact-checking pelo Poynter Institute.

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