Antes dos tremores, o Parkinson pode dar um sinal que muita gente ignora

Dormir poucas horas ou acordar sem se sentir descansado é uma queixa comum. Na maioria das vezes, o problema está ligado ao estresse, à ansiedade ou a maus hábitos de sono. Mas, em alguns casos, essas alterações podem ser um dos primeiros sinais de mudanças no cérebro que antecedem o surgimento de algumas doenças.

É o caso da doença de Parkinson. Um novo estudo sugere que pessoas que dormem muito pouco e relatam sono de pior qualidade podem ter maior probabilidade de desenvolver a doença ao longo dos anos.

Isso não significa que dormir mal cause Parkinson, mas reforça a importância do sono como um possível sinal precoce de alterações neurológicas.

O que o estudo descobriu sobre os sintomas de Parkinson

O estudo analisou dados de milhares de adultos para investigar se havia relação entre os hábitos de sono e o risco de desenvolver Parkinson.

Os resultados mostraram que pessoas que costumavam dormir quatro horas ou menos por noite apresentaram maior probabilidade de desenvolver a doença do que aquelas que dormiam entre sete e nove horas.

A qualidade do sono também fez diferença. Quem relatava dormir mal com frequência apresentou mais casos de Parkinson durante o período de acompanhamento.

Por que o sono pode estar relacionado ao Parkinson?

A doença de Parkinson é conhecida principalmente pelos tremores e pela dificuldade para realizar movimentos.

No entanto, seus primeiros sintomas podem surgir muitos anos antes do diagnóstico e nem sempre envolvem alterações motoras.

Entre esses sinais estão distúrbios do sono, perda do olfato, constipação intestinal e mudanças de humor.

Uma das hipóteses é que o processo da doença comece a afetar regiões do cérebro responsáveis pela regulação do sono antes mesmo do aparecimento dos sintomas mais conhecidos.

Por isso, alterações persistentes no padrão de sono vêm despertando cada vez mais interesse entre os pesquisadores.

Dormir mal não significa que você terá Parkinson

Ter noites mal dormidas não quer dizer que uma pessoa terá Parkinson.

O estudo encontrou uma relação entre esse tipo de alteração e a doença, mas isso não significa que dormir pouco ou ter um descanso de má qualidade provoque o problema.

Na verdade, os pesquisadores acreditam que, em algumas pessoas, essas mudanças podem surgir como um dos primeiros sinais do Parkinson, anos antes dos sintomas mais conhecidos, como tremores e dificuldade para se movimentar.

Por isso, alterações persistentes no padrão de descanso merecem atenção, mas não devem ser vistas como um diagnóstico. A maioria das pessoas que enfrenta dificuldades para dormir nunca desenvolverá a doença.

O que fazer diante de alterações no sono?

Problemas para dormir não devem ser ignorados, principalmente quando persistem por semanas ou passam a fazer parte da rotina.

Buscar avaliação médica ajuda a identificar possíveis causas, que podem variar desde insônia e apneia do sono até outras condições de saúde que também merecem tratamento.

Além disso, manter uma boa higiene do sono — com horários regulares, ambiente adequado para dormir e redução do uso de telas antes de deitar — continua sendo uma das principais recomendações para preservar a saúde.

O estudo, publicado na revista científica npj Parkinson’s Disease, reforça que a qualidade e a duração do sono podem oferecer pistas importantes sobre alterações precoces na saúde do cérebro.

Mesmo assim, são necessárias novas pesquisas para confirmar essa relação e entender como essas informações poderão ser usadas, no futuro, para identificar pessoas com maior risco da doença.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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