Vacina contra dependência química pode transformar o tratamento da cocaína e do crack

A dependência de cocaína e crack é um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Pensando em enfrentar esse problema, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolvem a Calixcoca, uma vacina contra dependência química voltada especificamente para essas duas drogas.

Nos testes com animais, os resultados foram animadores e indicam potencial para uma nova forma de tratamento no futuro.

Vacina contra dependência química: como funciona a Calixcoca

Diferente das vacinas tradicionais, que protegem contra vírus e bactérias, a vacina contra dependência química (neste caso, voltada para cocaína e crack) tem outro objetivo.

Ela faz com que o corpo produza anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, impedindo que a droga alcance o cérebro.

Dessa forma, os efeitos de euforia e prazer imediato, que reforçam o vício, deixam de acontecer.

Nos estudos com camundongos, além da produção de anticorpos, houve outro resultado importante: as fêmeas expostas à cocaína tiveram menos abortos espontâneos, e os filhotes nasceram mais saudáveis.

Esses achados, embora restritos a animais, abrem caminho para novas investigações sobre o impacto da vacina em diferentes situações.

Avanços e reconhecimento

A Calixcoca já foi patenteada no Brasil e nos Estados Unidos, o que reforça a relevância da inovação desenvolvida na UFMG.

Além disso, ela tem outra característica que a diferencia das vacinas tradicionais: não é feita a partir de proteínas.

Sua base é uma molécula chamada calixareno (V4N2), responsável por induzir a produção dos anticorpos que bloqueiam os efeitos da droga.

Os pesquisadores também avaliam se a vacina poderá ser armazenada em temperatura ambiente, o que facilitaria a distribuição em regiões distantes.

O que vem pela frente

A pesquisa entrou em uma nova etapa que deve durar até quatro anos.

O plano inclui análises de laboratório e, depois, os primeiros testes em humanos, previstos para começar entre o terceiro e o quarto ano do projeto.

A iniciativa já conta com financiamento assegurado do governo de Minas Gerais, além de apoio da Fapemig. Até agora, foram investidos mais de R$ 18 milhões, e novos aportes estão programados até 2027.

Pesquisas paralelas

Além da Calixcoca, os cientistas da UFMG já desenvolvem outras vacinas contra a dependência química.

Há estudos em andamento para uma vacina contra metanfetaminas, em parceria com a Universidade de Washington, e também para uma versão bivalente (única vacina capaz de agir contra duas drogas ao mesmo tempo) voltada para o crack e a nicotina.

Calixcoca: por que essa vacina pode ser um marco

Atualmente, não existe nenhum tratamento farmacológico consolidado para a dependência de cocaína.

Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas usem cocaína ou crack regularmente no mundo, e um quarto delas desenvolve algum tipo de transtorno relacionado.

Além disso, a produção global de cocaína cresceu 34% entre 2022 e 2023, reforçando a dimensão do problema.

Nesse cenário, a vacina contra dependência química da UFMG (mesmo sendo voltada apenas para cocaína e crack) surge como uma possibilidade inédita.

Se os resultados em humanos confirmarem o que já foi observado em animais, ela poderá abrir um novo caminho no enfrentamento do vício em drogas.

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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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