“Nada melhorava”: azia parecia algo comum, mas escondia um problema grave em jovem de 31 anos

Sintomas começaram de forma silenciosa e foram tratados como indigestão durante mais de um ano

A azia começou de forma discreta. Uma queimação depois das refeições, desconforto ao se deitar e aquela sensação de que bastava evitar certos alimentos para tudo voltar ao normal.

Foi assim que Chloe Sterling, enfermeira de 31 anos que vive em Liverpool, na Inglaterra, passou meses tentando controlar os sintomas sem imaginar que havia algo muito mais grave por trás do problema.

No início, ela acreditava estar lidando apenas com algo comum. Cortou comidas gordurosas, reduziu o consumo de álcool e passou a usar medicamentos para indigestão ácida depois de procurar atendimento médico.

Durante algum tempo, parecia funcionar. Só que a melhora nunca durava muito. A queimação sempre voltava.

Como acontece com muita gente, Chloe associava o desconforto ao estresse, à alimentação ou ao ritmo intenso da rotina.

Afinal, sintomas digestivos costumam ser tão comuns que muita gente aprende a conviver com eles sem procurar uma investigação mais aprofundada.

Mas, aos poucos, tudo começou a piorar.

Dor nas costas e desconforto constante mudaram a rotina

No fim de 2024, além da azia frequente, Chloe começou a sentir dores no estômago e nas costas. O incômodo passou a atrapalhar até atividades simples do dia a dia.

Naquela época, ela também havia começado a usar o Mounjaro, medicamento utilizado para perda de peso, e imaginou que os sintomas poderiam estar relacionados à medicação.

Por precaução, interrompeu o uso e procurou atendimento hospitalar.

No hospital, insistiu para fazer uma endoscopia, exame realizado com uma câmera introduzida pela boca para analisar o esôfago e o estômago.

Mesmo assim, ouviu dos médicos que provavelmente enfrentava apenas uma infecção gastrointestinal.

Ela recebeu antibióticos e foi orientada a continuar o tratamento em casa.

Só que nada melhorava.

“A azia estava piorando e me incomodava todos os dias”, contou Chloe ao Daily Mail.

Com o passar dos meses, ela decidiu insistir em uma avaliação mais aprofundada. Ainda assim, a resposta definitiva demorou a aparecer.

Diagnóstico veio 18 meses após os primeiros sintomas

A descoberta só aconteceu cerca de um ano e meio depois dos primeiros sinais.

Durante uma nova endoscopia de acompanhamento, os médicos identificaram um adenocarcinoma de células em anel de sinete, um tipo raro e agressivo de câncer de estômago.

O nome da doença vem do formato das células cancerígenas vistas no microscópio, semelhantes a pequenos anéis.

Diferentemente de outros tumores, esse tipo de câncer pode ser mais difícil de detectar porque nem sempre forma massas bem definidas.

Quando recebeu a ligação com o resultado, Chloe estava gripada em casa. Mesmo passando mal, preferiu receber a notícia por telefone.

Foi naquele momento que descobriu que estava com câncer.

Segundo ela, a sensação foi de completa irrealidade.

“Parece que você está assistindo aquilo acontecer com outra pessoa”, relatou.

Cirurgia retirou completamente o estômago

O tratamento começou imediatamente.

Chloe passou por sessões de quimioterapia e depois enfrentou uma cirurgia de sete horas para retirada completa do estômago.

A decisão, segundo ela, foi difícil, mas parecia ser a única alternativa para impedir o avanço da doença.

Após o procedimento, permaneceu três dias na UTI e iniciou um processo longo de recuperação, que incluiu reaprender a se alimentar sem o órgão.

Hoje, está livre do câncer, mas continua realizando exames frequentes para monitorar possíveis sinais de retorno da doença.

Azia persistente
Chloe Sterling e a azia persistente / Fonte: Daily Mail

Quando a azia persistente merece atenção

Médicos costumam chamar atenção principalmente para sintomas digestivos que persistem por semanas, pioram com o tempo ou começam a interferir na qualidade de vida.

Isso não significa que azia seja sinal de câncer. Na maioria das vezes, o problema está ligado a refluxo, gastrite, alimentação inadequada, ansiedade ou outras condições bastante comuns.

Ainda assim, alguns sinais merecem avaliação médica, especialmente quando aparecem junto de:

  • dores persistentes no estômago ou nas costas;
  • perda de peso sem explicação;
  • dificuldade para comer;
  • sensação constante de estômago cheio;
  • cansaço excessivo.

Pesquisadores também investigam a relação da bactéria Helicobacter pylori com o aumento do risco de câncer gástrico em parte dos pacientes.

A infecção é bastante comum e muitas pessoas convivem com ela sem apresentar sintomas. Em alguns casos, porém, ela pode provocar inflamações persistentes no estômago.

“Talvez eu não tivesse insistido tanto”

Durante décadas, o câncer de estômago foi mais associado a pessoas idosas. Nos últimos anos, porém, especialistas vêm observando um aumento gradual de casos em adultos mais jovens, inclusive entre mulheres.

Para Chloe, ter formação na área da saúde fez diferença.

Ela acredita que só conseguiu chegar ao diagnóstico porque insistiu repetidamente em novos exames.

“Sem minha formação, talvez eu não tivesse insistido tanto”, afirmou.

Hoje, enquanto tenta reconstruir a rotina depois de um tratamento agressivo, Chloe diz que espera ajudar outras pessoas a perceberem quando um sintoma deixa de parecer normal.

Sem pânico. Mas também sem ignorar sinais persistentes do corpo.

As informações são do Daily Mail.

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Redação SaúdeLab

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