A bichectomia continua sendo uma boa opção? O que mudou na indicação da cirurgia

Há poucos anos, a bichectomia virou uma das cirurgias estéticas mais comentadas do Brasil. A promessa de um rosto mais fino e marcado fez o procedimento ganhar popularidade entre famosos, influenciadores e milhares de pacientes.

Hoje, o cenário é diferente. A cirurgia continua sendo realizada, mas passou a ser indicada com muito mais critério.

O motivo é simples. O conhecimento sobre o envelhecimento facial evoluiu e mostrou que retirar gordura nem sempre é a melhor escolha.

Afinal, a bichectomia vale a pena? Quais são seus riscos? Existe chance de o rosto ficar envelhecido com o passar dos anos? Entenda quando a cirurgia é indicada, seus benefícios e os cuidados antes de tomar essa decisão.

O que é bichectomia?

A bichectomia é uma cirurgia que remove parcialmente as bolsas de Bichat, estruturas de gordura localizadas profundamente nas bochechas.

Além de contribuírem para o volume do rosto, essas bolsas são consideradas importantes para o deslizamento dos músculos da mastigação e para a proteção de estruturas profundas da face.

O objetivo da cirurgia é tornar o contorno facial mais definido, principalmente na transição entre as maçãs do rosto e a mandíbula.

O procedimento costuma durar entre 30 e 60 minutos e, na maioria dos casos, é realizado com anestesia local, podendo ser associado à sedação.

Embora geralmente seja rápido, exige conhecimento detalhado da anatomia facial para reduzir o risco de complicações.

Por que a bichectomia passou a ser indicada com mais cautela?

Isso não aconteceu porque a cirurgia deixou de ser segura, mas porque a compreensão sobre o envelhecimento facial mudou.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Vinícius Julio Camargo, “a bichectomia continua sendo um procedimento válido. O que mudou, na realidade, foi a sua indicação, que evoluiu bastante nos últimos anos.”

Durante um período, o procedimento foi realizado com frequência por motivos estéticos, muitas vezes sem uma avaliação aprofundada das características individuais de cada paciente.

Hoje, sabe-se que a perda de volume faz parte do envelhecimento natural da face.

Em pessoas que já têm pouca gordura nas bochechas, a retirada das bolsas de Bichat pode acentuar a perda natural de volume da face ao longo dos anos. Como consequência, as bochechas podem ficar mais fundas, os sulcos do rosto mais aparentes e a aparência mais envelhecida.

Como destaca o especialista, “atualmente, a tendência é uma cirurgia plástica que prioriza a individualidade e a naturalidade de cada pessoa.”

Para quem a bichectomia é indicada?

Nem todo mundo se beneficia da cirurgia.

A indicação depende de uma avaliação individual, que considera o formato do rosto, a quantidade de gordura na face, o grau de envelhecimento facial e as expectativas do paciente.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Vinícius Julio Camargo, “os melhores candidatos são pacientes com o rosto mais arredondado e que apresentam um volume excessivo na região inferior das bochechas, mesmo estando dentro dos parâmetros ideais de peso.”

Além da finalidade estética, a bichectomia também pode ser indicada para pessoas que mordem repetidamente a parte interna das bochechas durante a mastigação, causando traumatismos frequentes na mucosa.

Prós e contras da bichectomia
Prós e contras da bichectomia / SaúdeLab

Por outro lado, ela geralmente não é recomendada para pessoas que:

  • já possuem rosto naturalmente fino ou bem definido;
  • apresentam pouca gordura facial;
  • têm pouca projeção das ossos das maçãs do rosto;
  • apresentam perda natural de volume facial relacionada ao envelhecimento;
  • esperam que a cirurgia substitua o emagrecimento;
  • acreditam que o procedimento deixará o rosto extremamente marcado ou “encovado”.

Também costuma ser contraindicada para adolescentes, gestantes, pessoas com infecções na face, distúrbios de coagulação ou condições clínicas que aumentem o risco cirúrgico.

Prós e contras da bichectomia

Como qualquer procedimento cirúrgico, a bichectomia pode oferecer benefícios quando há indicação adequada, mas também apresenta limitações que precisam ser consideradas.

Principais vantagens

Maior definição do contorno facial

Em pacientes bem selecionados, a cirurgia pode proporcionar um contorno mais harmonioso, preservando as características naturais do rosto.

Resultado duradouro

A retirada da gordura é considerada permanente. No entanto, isso não impede que o rosto continue mudando naturalmente com o envelhecimento ou com variações de peso.

Recuperação relativamente rápida

Na maioria dos casos, atividades leves podem ser retomadas entre uma e duas semanas, embora o resultado final costume aparecer apenas após a redução completa do inchaço, geralmente entre dois e três meses.

Principais riscos

Assim como qualquer cirurgia, a bichectomia envolve riscos, entre eles infecção, sangramento, hematomas, assimetria facial, lesão de nervos, lesão do ducto da glândula parótida e limitação temporária para abrir a boca.

Complicações graves são pouco frequentes, especialmente quando o procedimento é bem indicado e realizado por profissional legalmente habilitado.

Outra preocupação é a possibilidade de o rosto adquirir um aspecto mais encovado com o passar do tempo quando a indicação não é adequada.

O Dr. Vinícius explica que “o envelhecimento facial está diretamente relacionado à perda de volume. Se retirarmos gordura de um paciente que já possui pouca reserva nessa região, o resultado pode ser uma face mais escavada, com sulcos mais aparentes e aparência de maior cansaço.”

Por isso, atualmente a cirurgia é indicada de forma muito mais criteriosa do que há alguns anos.

Como é o pós-operatório?

Nos primeiros dias, é comum haver inchaço, hematomas, desconforto e dificuldade para mastigar alimentos mais consistentes.

Durante esse período, o médico pode orientar repouso relativo, alimentação mais macia, boa higiene da boca, uso correto dos medicamentos prescritos e retorno às consultas de acompanhamento.

O resultado costuma ficar mais evidente entre dois e três meses, quando o inchaço diminui de forma significativa.

A bichectomia é segura?

Quando bem indicada e realizada por profissional legalmente habilitado, em ambiente adequado e após uma avaliação individual, a bichectomia costuma apresentar um bom perfil de segurança.

Ainda assim, como qualquer cirurgia, ela envolve riscos e não deve ser encarada como uma solução para todos os casos.

Mais importante do que a técnica é saber se o procedimento realmente faz sentido para as características do seu rosto.

Vale a pena fazer bichectomia?

A bichectomia continua sendo uma opção válida quando existe indicação adequada. O que mudou foi a forma de enxergar o procedimento.

Hoje, mais do que afinar o rosto, a cirurgia busca preservar a harmonia facial e respeitar as características de cada pessoa.

Por isso, a decisão deve levar em conta não apenas o resultado estético imediato, mas também o envelhecimento natural da face.

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Redação SaúdeLab

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