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Como é feito o diagnóstico do autismo hoje? Existe exame de sangue ou de imagem?
Muitas famílias que começam a investigar sinais de autismo fazem a mesma pergunta. Existe algum exame de sangue, de imagem ou um teste capaz de confirmar o diagnóstico?
Apesar dos avanços da medicina e da neurociência, a resposta ainda é não.
Essa realidade explica por que pesquisadores de diferentes países continuam buscando formas de tornar parte da avaliação mais objetiva.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, investigou se um jogo capaz de analisar movimentos poderia contribuir para esse processo.
Antes de entender o que esse estudo encontrou, vale saber como o diagnóstico do autismo é feito atualmente.
Como é feito o diagnóstico do autismo?
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) segue critérios internacionais e não costuma ser definido em uma única consulta.
Os profissionais reúnem diferentes informações sobre a criança (ou, em alguns casos, sobre o adulto) para avaliar se as características observadas são compatíveis com o transtorno.
Essa avaliação considera, principalmente:
- desenvolvimento da linguagem e da comunicação;
- interação social;
- comportamentos repetitivos ou interesses restritos;
- histórico do desenvolvimento;
- observações feitas em diferentes ambientes, como casa, escola e consultório;
- aplicação de instrumentos padronizados por profissionais treinados.
Dependendo da situação, a avaliação também pode envolver uma equipe multiprofissional, formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.
O diagnóstico, portanto, resulta da análise conjunta dessas informações, e não de um único exame.
Por que ainda não existe um exame para diagnosticar autismo?
Porque o autismo não está ligado a uma única alteração biológica que possa ser detectada por exames.
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado principalmente por diferenças persistentes na comunicação e na interação social, além de padrões repetitivos e restritos de comportamento.
Essas características variam bastante entre as pessoas.
Por isso:
- exames de sangue não confirmam o diagnóstico;
- exames de imagem, como a ressonância magnética, não são usados para diagnosticar autismo;
- testes laboratoriais, isoladamente, também não conseguem identificar o transtorno.
O diagnóstico depende da análise conjunta do comportamento, da história do desenvolvimento e da evolução da pessoa ao longo do tempo.
Por que pesquisadores procuram formas mais objetivas de avaliação?
Embora existam critérios diagnósticos bem definidos, a avaliação do TEA exige experiência para interpretar manifestações que podem variar bastante de uma pessoa para outra.
Por isso, pesquisadores em diversos países estudam tecnologias que possam fornecer informações objetivas para complementar a avaliação clínica.
Entre elas estão:
- análise de movimentos corporais;
- rastreamento dos movimentos dos olhos;
- inteligência artificial aplicada ao comportamento;
- análise de padrões de fala;
- tecnologias digitais que registram o desempenho durante tarefas específicas.
Nenhuma dessas ferramentas faz parte, atualmente, das recomendações para confirmar o diagnóstico do autismo. Todas ainda estão em fase de pesquisa.
O que uma pesquisa brasileira investigou?
Dentro dessa linha de investigação, uma dissertação de mestrado desenvolvida na Universidade de São Paulo, apresentada em reportagem do Jornal da USP, avaliou um jogo interativo capaz de registrar movimentos do corpo.
A proposta era que os participantes movimentassem os braços para interceptar bolhas que apareciam na telado computador, enquanto uma câmera registrava seus movimentos.
Depois, os pesquisadores analisaram indicadores como tempo de resposta, precisão e eficiência dos movimentos.
O que o estudo encontrou?
O principal resultado foi o tempo de resposta.
Em média, os participantes com TEA demoraram mais para responder às tarefas do jogo do que aqueles com desenvolvimento típico.
Esse foi o indicador que melhor diferenciou os dois grupos avaliados.
Mas isso não significa que a lentidão motora seja um sinal capaz de diagnosticar autismo.
Também não significa que todas as pessoas com TEA apresentem esse padrão ou que o jogo possa substituir a avaliação feita por profissionais.
O estudo mostra apenas que, naquele grupo específico, a tecnologia conseguiu identificar diferenças médias de desempenho durante uma tarefa controlada.
No entanto, como se trata de uma pesquisa inicial, esses resultados ainda precisam ser confirmados por estudos maiores antes que esse tipo de tecnologia possa ser incorporado à prática clínica.
O diagnóstico do autismo continua sendo clínico
Apesar dos avanços da pesquisa, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) continua sendo clínico e deve ser realizado por profissionais capacitados.
Pesquisas como a desenvolvida na USP ajudam a ampliar o conhecimento sobre o autismo e podem contribuir para o desenvolvimento de novas ferramentas de apoio à avaliação.
Mas, por enquanto, elas não substituem a análise clínica nem mudam a forma como o diagnóstico é feito atualmente.
Diante de sinais persistentes de atraso no desenvolvimento, dificuldades de comunicação, interação social ou comportamentos repetitivos, a orientação continua sendo procurar uma avaliação especializada.
Quanto mais cedo o diagnóstico é estabelecido, mais cedo também podem ser iniciadas as intervenções indicadas para cada caso.
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