Nem só de cremes vive o tratamento do melasma: o que a alimentação pode mudar na pele

O melasma é uma das alterações de pele que mais impactam a autoestima, especialmente entre as mulheres.

Caracterizado pelo aparecimento de manchas acastanhadas ou acinzentadas, principalmente na face, o melasma pode surgir por diferentes fatores.

Entre eles estão a predisposição genética, as alterações hormonais, a exposição à radiação ultravioleta e, mais recentemente, o estresse oxidativo, um desequilíbrio que favorece danos às células, além dos processos inflamatórios.

Por apresentar caráter crônico e elevada taxa de recorrência, o tratamento do melasma continua sendo um desafio para dermatologistas e nutricionistas.

Por isso, o cuidado com a doença exige uma abordagem que vá além dos tradicionais cremes clareadores.

Durante muitos anos, o tratamento concentrou-se principalmente no uso de cremes e substâncias que ajudam a clarear as manchas, como a hidroquinona, que atua reduzindo a produção de melanina.

Embora seja considerada um dos principais ativos para o controle da doença, seu uso prolongado pode estar associado a efeitos adversos.

Isso impulsionou a busca por estratégias complementares mais seguras.

Nesse contexto, a nutrição vem despertando interesse crescente na comunidade científica.

Uma revisão publicada na revista Cosmetics mostrou que antioxidantes, como vitamina C, vitamina E e extrato de semente de uva, podem ajudar a neutralizar os radicais livres e reduzir o estresse oxidativo.

Esses processos estão envolvidos nos mecanismos que favorecem a produção excessiva de melanina, o pigmento responsável pela cor da pele.

Segundo os autores, os melhores resultados tendem a ocorrer quando diferentes cuidados são combinados.

Entre eles estão o uso diário do protetor solar, os tratamentos indicados pelo dermatologista e uma alimentação adequada.

Ao mesmo tempo, eles ressaltam que ainda são necessários mais estudos clínicos para definir quando e como a suplementação pode ser recomendada.

Alimentação para melasma: como pode ajudar no controle das manchas

Além dos suplementos, uma alimentação rica em substâncias naturais com ação antioxidante pode ajudar a garantir uma boa ingestão desses nutrientes.

Nesse cenário, a biodiversidade brasileira oferece diversos alimentos ricos em compostos que contribuem para a proteção das células.

A acerola é uma das maiores fontes naturais de vitamina C do mundo.

O camu-camu apresenta concentrações ainda mais elevadas desse nutriente.

Já frutas como jabuticaba, açaí, araçá, jambolão e uvaia concentram antocianinas e outros polifenóis, substâncias conhecidas pela ação antioxidante.

Oleaginosas brasileiras, como a castanha-do-pará e a castanha-de-caju, também fornecem vitamina E e outros compostos que ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres.

Embora esses alimentos, por si só, não sejam capazes de tratar o melasma, sua inclusão regular em uma alimentação equilibrada pode fortalecer os mecanismos naturais de defesa do organismo.

Além disso, eles podem complementar outras formas de tratamento.

O que a ciência já sabe sobre alimentação e melasma

É importante ressaltar que nenhum alimento ou suplemento substitui o uso diário do protetor solar nem o acompanhamento com profissionais habilitados.

O tratamento do melasma deve ser individualizado e baseado em evidências científicas.

Ainda assim, as pesquisas reforçam que a alimentação pode exercer um papel relevante como parte de uma abordagem mais ampla para o cuidado da pele.

Isso mostra que cuidar da pele também envolve escolhas feitas à mesa.

Incorporar alimentos naturalmente ricos em antioxidantes, especialmente aqueles provenientes da rica biodiversidade brasileira, representa uma forma prática de promover saúde.

Também é uma maneira de valorizar ingredientes nacionais e contribuir para uma abordagem mais completa no cuidado com a pele.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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