Tratamento para Psoríase: nova opção oral amplia alternativas além das pomadas

Quem convive com a psoríase sabe que o tamanho das lesões nem sempre mostra o impacto que a doença pode causar.

Uma pequena placa no couro cabeludo, nas mãos ou no rosto pode afetar a autoestima, o convívio social e até atividades simples do dia a dia.

É nesse cenário que ganha relevância a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova opção de tratamento para psoríase por via oral.

O medicamento à base de apremilaste passa a integrar as alternativas disponíveis para pacientes com psoríase em placas moderada a grave, incluindo adultos e crianças a partir de 6 anos conforme indicação aprovada.

A chegada da terapia amplia as possibilidades de tratamento, mas não significa que todos os pacientes precisarão de um medicamento oral.

O que muda no tratamento da psoríase?

A aprovação amplia as opções para pacientes que não conseguem controlar adequadamente a doença apenas com cremes, pomadas e outros tratamentos aplicados diretamente na pele.

Nesses casos, o dermatologista pode avaliar o uso de medicamentos que atuam no organismo como um todo, chamados de tratamentos sistêmicos. Eles podem ser administrados por via oral ou injetável.

Segundo o dermatologista Marcelo Arnone, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), a nova terapia passa a ser mais uma ferramenta para o controle da doença.

“Os dermatologistas têm agora mais uma opção de tratamento sistêmico para o controle da psoríase, com a vantagem de ser uma droga com bom perfil de segurança, facilitando o seu manejo na prática clínica,” afirma.

A escolha do tratamento depende de fatores como a gravidade da psoríase, a localização das lesões, a resposta a terapias anteriores e as características de cada paciente.

A psoríase pode ser grave mesmo com poucas lesões

A quantidade de pele afetada não é o único critério usado pelos dermatologistas para avaliar a gravidade da psoríase.

Lesões em áreas como couro cabeludo, mãos, face, unhas e dobras do corpo podem causar grande impacto na qualidade de vida, mesmo quando ocupam uma área pequena.

“Hoje o conceito de psoríase em placas grave inclui também os casos de lesões localizadas, mas que trazem grande comprometimento da qualidade de vida, como as regiões palmares, a face, as regiões das dobras e o couro cabeludo”, explica Marcelo Arnone.

Segundo o especialista, alguns desses pacientes não conseguem controlar adequadamente o quadro apenas com medicamentos de uso local e podem precisar de tratamentos sistêmicos, administrados por via oral ou injetável.

Como funciona o apremilaste?

O apremilaste é um medicamento oral que atua na inflamação envolvida na psoríase. Ele ajuda a equilibrar a resposta do sistema imunológico, reduzindo a atividade de substâncias relacionadas ao surgimento das lesões na pele.

O medicamento faz parte de uma classe chamada inibidores de PDE4, que atua em uma etapa do processo inflamatório.

O que mostram os estudos?

Antes da aprovação, o medicamento foi avaliado em estudos com pessoas que tinham psoríase em placas moderada a grave.

Nos estudos ESTEEM 1 e ESTEEM 2, que reuniram mais de 1.200 participantes, o tratamento mostrou resultados positivos no controle das lesões e na redução da gravidade da doença.

Esses resultados contribuíram para que o apremilaste passasse a integrar as opções terapêuticas consideradas para alguns pacientes com psoríase.

Ainda assim, a resposta pode variar de uma pessoa para outra. A escolha do tratamento depende da avaliação do dermatologista e das características de cada caso.

O que é a psoríase?

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, de origem imunológica, que provoca o surgimento de placas avermelhadas e descamativas na pele.

As lesões aparecem com frequência em regiões como cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar, mas podem atingir diferentes partes do corpo.

A condição não é contagiosa e, em alguns pacientes, a inflamação também pode afetar as articulações, causando a chamada artrite psoriásica.

Embora não tenha cura definitiva, a psoríase pode ser controlada com diferentes tratamentos.

A escolha depende não apenas das lesões visíveis, mas também do impacto que a doença causa na vida de cada pessoa.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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