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Ovo, óleo de coco, ômega 3 e remédios: 15 mitos e verdades sobre colesterol
O colesterol virou sinônimo de perigo para muita gente. Basta ouvir falar nele para surgir a ideia de que se trata de algo que precisa ser eliminado do organismo. Mas essa visão não conta toda a história.
Presente em todas as células do corpo, o colesterol participa da produção de hormônios, vitamina D e outras funções importantes para o funcionamento do organismo.
O problema não é ter colesterol, mas quando determinados tipos dessa gordura aparecem em excesso no sangue.
Esse desequilíbrio pode favorecer a formação de placas nas artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Ainda assim, muitas dúvidas permanecem: comer ovo aumenta o colesterol? Pessoas magras podem ter colesterol alto? É preciso tomar remédio para sempre? Óleo de coco realmente protege o coração?
Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, o SaúdeLab reuniu 15 mitos e verdades sobre o tema com base nas informações do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Antes dos mitos: o colesterol não é um vilão por si só
O colesterol é uma substância essencial para o corpo. Ele ajuda na formação das membranas das células e serve como matéria-prima para a produção de hormônios e vitamina D.
A preocupação está principalmente no excesso do LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”. Quando seus níveis permanecem elevados, essa partícula pode se acumular nas paredes das artérias e contribuir para a aterosclerose, um processo que aumenta o risco de problemas cardiovasculares.
Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, participa do transporte do colesterol de volta ao fígado, onde ele pode ser processado pelo organismo.
1. Comer ovo aumenta o colesterol?
Mito.
Durante muitos anos, o ovo foi visto como um dos grandes vilões do colesterol. Isso aconteceu porque a gema realmente possui colesterol em sua composição. Mas o colesterol que está no alimento não tem o mesmo efeito para todas as pessoas que o colesterol que circula no sangue.
A maior parte do colesterol sanguíneo é produzida pelo próprio organismo, principalmente pelo fígado. Por isso, para a maioria das pessoas, comer ovos dentro de uma alimentação equilibrada não provoca um aumento significativo do colesterol.
O que costuma ter maior impacto nos níveis de colesterol é o excesso de gorduras saturadas na dieta, presentes em alimentos como carnes gordurosas, embutidos e alguns produtos ultraprocessados.
2. Colesterol alto pode prejudicar as artérias?
Verdade.
Níveis elevados de LDL favorecem a formação de placas de gordura dentro das artérias. Esse processo, chamado aterosclerose, pode deixar os vasos mais rígidos e estreitos, dificultando a circulação do sangue.
Com o passar do tempo, essas alterações aumentam o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.
3. Chá ou água de berinjela reduzem o colesterol?
Mito.
Apesar de algumas pessoas consumirem essas bebidas como uma alternativa natural para controlar o colesterol, não existem evidências científicas suficientes de que elas reduzam de forma significativa os níveis dessa gordura no sangue.
A melhora do colesterol depende principalmente de fatores como alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, acompanhamento médico e, quando necessário, uso de medicamentos.

4. Colesterol alto depende apenas da alimentação?
Mito.
A alimentação influencia os níveis de colesterol, mas não é o único fator envolvido.
A genética tem papel importante. Algumas pessoas podem apresentar colesterol elevado mesmo mantendo hábitos considerados saudáveis, principalmente quando existe predisposição familiar.
Além disso, idade, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e algumas doenças também podem interferir no controle do colesterol.
5. O abacate aumenta o colesterol?
Mito.
O abacate é fonte de gorduras monoinsaturadas, um tipo de gordura associado a uma alimentação mais equilibrada para a saúde cardiovascular.
No entanto, isso não significa que o alimento possa ser consumido sem limites. O abacate é calórico e deve fazer parte de uma dieta adequada às necessidades de cada pessoa.
6. Pessoas com colesterol elevado precisam fazer acompanhamento?
Verdade.
O acompanhamento é importante porque o colesterol alto geralmente não apresenta sintomas. Muitas pessoas só descobrem a alteração após realizar exames de sangue.
A necessidade de avaliação depende de fatores individuais, como idade, histórico familiar, presença de diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo e outros riscos cardiovasculares.
7. Pessoas magras não têm colesterol alto?
Mito.
O peso corporal, sozinho, não determina os níveis de colesterol.
Pessoas magras também podem apresentar colesterol elevado, especialmente por fatores genéticos ou alterações no metabolismo das gorduras.
Por isso, manter um peso adequado não elimina a necessidade de acompanhamento da saúde cardiovascular.
8. Colesterol alto pode aumentar o risco de infarto e AVC?
Verdade.
O excesso de LDL está associado ao desenvolvimento da aterosclerose, que pode comprometer o fluxo de sangue nas artérias.
Quando uma dessas placas se rompe e forma um coágulo, pode ocorrer uma obstrução capaz de levar a eventos como infarto ou AVC.
9. Óleo de coco ajuda a reduzir colesterol e emagrecer?
Mito.
Apesar de ser frequentemente associado a benefícios para a saúde, o óleo de coco possui grande quantidade de gordura saturada.
O consumo em excesso pode contribuir para o aumento do colesterol LDL. Além disso, por ser um alimento calórico, não existe comprovação de que ele ajude diretamente no emagrecimento.
10. Remédios para colesterol devem ser interrompidos depois de um tempo?
Mito.
A decisão de manter ou suspender medicamentos para colesterol deve sempre ser feita com orientação médica.
Em muitas situações, o tratamento é contínuo porque o objetivo não é apenas reduzir números no exame, mas diminuir o risco de doenças cardiovasculares ao longo dos anos.
11. Medicamentos para colesterol não são seguros para idosos?
Mito.
Quando indicados corretamente e acompanhados por profissionais de saúde, esses medicamentos podem trazer benefícios também para pessoas idosas.
A escolha do tratamento considera fatores como idade, histórico de doenças, risco cardiovascular e condições gerais de saúde.
12. Dietas com pouco carboidrato podem aumentar o colesterol?
Verdade.
O efeito depende de como a alimentação é organizada.
Quando a redução de carboidratos vem acompanhada de aumento no consumo de gorduras saturadas, como carnes gordurosas e alguns produtos ricos em gordura, pode haver elevação do colesterol.

13. Suplementos de ômega 3 reduzem colesterol?
Mito.
O consumo de peixes ricos em ômega 3 faz parte de padrões alimentares associados a benefícios cardiovasculares.
Mas isso não significa que suplementos de ômega 3 sejam uma solução geral para reduzir colesterol ou prevenir doenças do coração.
O uso deve ser avaliado individualmente, principalmente em pessoas com condições específicas de saúde.
14. Reduzir muito o colesterol faz mal ao cérebro?
Mito.
Existe a ideia de que níveis muito baixos de colesterol poderiam prejudicar o funcionamento do cérebro, mas as evidências científicas não confirmam essa relação.
As células do organismo conseguem produzir o colesterol necessário para suas funções. Por outro lado, manter o colesterol elevado sem controle pode aumentar riscos cardiovasculares.
15. Crianças também podem ter colesterol alto?
Verdade.
O colesterol elevado não é um problema exclusivo dos adultos.
Crianças podem apresentar alterações, principalmente quando existe histórico familiar de colesterol alto ou outras condições associadas.
Por isso, a avaliação deve fazer parte do acompanhamento pediátrico quando houver indicação.
Controlar o colesterol vai além do exame de sangue
O colesterol alto raramente dá sinais perceptíveis no dia a dia, mas seus efeitos podem aparecer anos depois.
Por isso, prevenção continua sendo a principal estratégia. Uma alimentação equilibrada, atividade física regular, controle de outros fatores de risco e acompanhamento médico ajudam a proteger a saúde cardiovascular.
O Dia Nacional de Combate ao Colesterol reforça justamente essa mensagem. Entender o colesterol é o primeiro passo para cuidar melhor do coração.
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