Infecção urinária: o exame que pode revelar o que está por trás do problema

Ardência ao urinar, vontade de ir ao banheiro várias vezes e dor na parte baixa da barriga podem ser sinais de infecção urinária. Em algumas situações, porém, apenas os sintomas não são suficientes para saber o que está causando o problema.

É aí que entra a urocultura.

O exame analisa uma amostra de urina para verificar se há crescimento de bactérias ou outros microrganismos. Se houver, o laboratório pode identificar o agente encontrado e fornecer informações que ajudam a definir o tratamento.

Qual é a diferença entre urocultura e exame de urina?

Apesar de os dois exames usarem uma amostra de urina, eles têm objetivos diferentes.

  • O exame de urina, como o EAS, verifica se a urina apresenta alterações que podem indicar um problema, como sangue, proteínas, células de defesa ou outros elementos.
  • A urocultura procura identificar se há crescimento de bactérias ou outros microrganismos na amostra. Se houver, o laboratório pode identificar qual foi encontrado.

Por isso, os dois exames podem se complementar. O EAS mostra alterações que podem sugerir um problema; a urocultura ajuda a verificar se há crescimento de um microrganismo e qual é ele.

Para que serve o antibiograma?

Quando uma bactéria é encontrada na urocultura, o laboratório pode fazer também um antibiograma.

O teste verifica a resposta da bactéria a diferentes antibióticos. Com esse resultado, o profissional de saúde consegue avaliar quais medicamentos têm maior chance de funcionar caso seja necessário tratar a infecção.

Essa informação pode ser especialmente importante quando há suspeita de resistência, infecções que voltam com frequência ou falta de resposta ao tratamento inicial.

Segundo recomendações de entidades brasileiras da área da saúde, os resultados da urocultura e do antibiograma ajudam a orientar o tratamento das infecções urinárias complicadas.

Quando a urocultura é indicada?

Nem toda pessoa com sintomas de infecção urinária precisa fazer uma urocultura. Nos casos mais típicos de cistite (infecção da bexiga), por exemplo, a avaliação clínica pode ser suficiente para orientar a conduta.

A urocultura pode ser necessária quando há dúvida sobre o diagnóstico, os sintomas não melhoram ou voltam, há maior risco de a bactéria ser resistente aos antibióticos ou existe suspeita de uma infecção mais grave.

O exame também é importante quando há suspeita de pielonefrite, uma infecção que pode atingir os rins.

Durante a gestação, a urocultura pode ser solicitada para investigar a presença de bactérias na urina, mesmo quando não há sintomas.

Como é feita a coleta?

A urocultura utiliza uma amostra de urina coletada em recipiente apropriado. O laboratório fornece as orientações para a coleta.

Segui-las corretamente é importante porque uma amostra contaminada pode dificultar a interpretação do resultado.

Também é importante informar se você está usando ou usou recentemente algum antibiótico. O medicamento pode interferir no crescimento das bactérias e alterar o resultado da cultura.

Quanto tempo demora o resultado?

A urocultura não fica pronta imediatamente porque o laboratório precisa acompanhar a amostra para verificar se há crescimento de microrganismos.

Se houver crescimento, ainda pode ser necessário identificar a bactéria e realizar o antibiograma.

Por isso, o resultado costuma demorar mais do que o de um exame de urina comum. O prazo depende do laboratório e dos testes realizados.

Urocultura positiva significa infecção urinária?

Não necessariamente. A urocultura pode encontrar bactérias na urina mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas. Essa situação é chamada de bacteriúria assintomática e, em muitos casos, não precisa de antibiótico.

Por isso, o resultado precisa ser avaliado junto com os sintomas, o histórico e outros exames. Uma urocultura negativa também deve ser interpretada dentro do quadro clínico, especialmente se os sintomas continuarem.

Não é recomendado começar, trocar ou interromper antibióticos por conta própria com base apenas no resultado do exame.

Se os sintomas persistirem ou surgirem febre, dor nas costas ou piora do estado geral, é importante procurar avaliação profissional.

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Farm. Elizandra Civalsci Costa

Editora-chefe do SaúdeLAB. Farmacêutica (CRF MT nº 3490), formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner.

Atua na supervisão editorial e na produção de conteúdos jornalísticos e informativos sobre saúde, ciência e bem-estar, seguindo critérios de apuração, revisão e responsabilidade editorial.

Possui formação em revisão de conteúdo para web pela Rock Content University e capacitação em fact-checking pelo Poynter Institute.

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