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Seu jeito de caminhar pode dar pistas sobre ansiedade e depressão
Você já percebeu que seu jeito de andar muda quando está cansado, preocupado ou sem disposição? O ritmo dos passos e a intensidade dos movimentos podem variar bastante ao longo do dia.
Agora, pesquisadores encontraram uma relação entre alguns desses padrões de movimento e os sintomas de ansiedade e depressão.
O achado não significa que seja possível identificar uma dessas condições apenas pelo jeito de andar. Mas ajuda a entender por que aquilo que fazemos sem pensar, como caminhar, pode mudar quando a saúde mental também muda.
O que o jeito de caminhar tem a ver com o humor?
A relação entre movimento e saúde mental já vem sendo estudada há algum tempo. Em pessoas com sintomas de depressão, por exemplo, algumas pesquisas encontraram uma caminhada mais lenta.
O novo trabalho procurou saber se algo parecido poderia ser observado fora de um laboratório, durante a rotina normal.
Publicado na revista científica Scientific Reports, o estudo acompanhou adultos de 40 a 64 anos durante 90 dias.
Um aplicativo registrou dados de movimento em diferentes momentos do dia, enquanto os participantes respondiam questionários sobre sintomas de ansiedade e depressão.
O ritmo dos passos mudou junto com os sintomas
Para entender os padrões de caminhada, os pesquisadores observaram principalmente duas características:
- Cadência: o ritmo dos passos.
- Amplitude do movimento: o quanto o corpo se movimentava durante a caminhada.
Um dos padrões, com passos mais rápidos e movimentos de maior amplitude, apareceu associado a níveis mais baixos de sintomas de depressão. Nas análises gerais, esse mesmo padrão também esteve relacionado à ansiedade.
Mas isso não significa que uma pessoa consiga olhar para o próprio jeito de andar e saber se está deprimida ou ansiosa. O estudo encontrou uma associação entre movimento e sintomas, não uma forma de diagnóstico.
O que isso significa na prática?
Por enquanto, não há motivo para começar a prestar atenção à velocidade dos próprios passos como se ela fosse um teste de saúde mental.
O mais importante é não tirar conclusões a partir de um único comportamento. Uma caminhada mais lenta em um dia pode ter relação com cansaço, dor, sono ruim ou simplesmente falta de disposição.
A preocupação merece mais atenção quando mudanças no comportamento aparecem junto com outros sinais persistentes, como tristeza, perda de interesse pelas atividades, preocupação excessiva, irritabilidade ou alterações importantes no sono.
Nessas situações, o jeito de caminhar não define o que está acontecendo. É o conjunto dos sintomas, sua duração e o impacto na rotina que merece ser avaliado por um profissional de saúde.
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