Quem tem diabetes não precisa considerar a farinha de mandioca ou a farinha de milho como alimentos proibidos. Mas é comum surgir uma dúvida na hora de escolher: entre as duas, qual pode ter menor impacto na glicemia?
A resposta não é tão simples quanto apontar uma vencedora. As duas são ricas em carboidratos, e a quantidade consumida costuma fazer mais diferença do que simplesmente trocar uma pela outra.
Ainda assim, existe uma diferença nutricional que vale conhecer.
Na comparação entre a farinha de milho na forma de fubá e a farinha de mandioca torrada, o fubá apresenta menos carboidratos na mesma quantidade de alimento.
Isso pode ser levado em conta, mas não significa que ele seja automaticamente a melhor opção para toda pessoa com diabetes.
Farinha de milho e farinha de mandioca: o que muda?
A composição nutricional ajuda a entender essa diferença. Na mesma quantidade de alimento, os valores encontrados na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA) são:
- Fubá: cerca de 75 g de carboidratos e 4,4 g de fibras a cada 100 g.
- Farinha de mandioca torrada: aproximadamente 83 g de carboidratos e 6,5 g de fibras a cada 100 g.
A farinha de mandioca, portanto, tem mais fibras, mas também apresenta mais carboidratos nessa comparação. Isso mostra por que não basta olhar para apenas um componente para decidir qual delas seria melhor para quem tem diabetes.
E existe uma diferença importante entre a tabela e a vida real. Ninguém precisa colocar 100 g de farinha no prato. A quantidade consumida em uma refeição muda bastante essa conta.
O que essa diferença significa para quem tem diabetes?
O fato de o fubá apresentar menos carboidratos na mesma quantidade pode parecer decisivo, mas não determina sozinho o efeito sobre a glicemia.
A resposta do organismo também depende da quantidade consumida, dos outros alimentos presentes na refeição e da forma de preparo. Por isso, não seria correto transformar essa diferença em uma regra de que a farinha de milho é sempre melhor.
As recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Diabetes valorizam a qualidade e a quantidade dos carboidratos, com preferência por alimentos ricos em fibras e minimamente processados.
A alimentação também deve ser adaptada às necessidades de cada pessoa.
E a farinha de mandioca, precisa ser evitada?
Não. Ter diabetes não significa que a farinha de mandioca precise desaparecer da alimentação.
Como mencionado, o cuidado está principalmente na quantidade. Uma porção pode acrescentar uma quantidade considerável de carboidratos à refeição, especialmente quando a farinha aparece em preparações como farofa.
Também vale olhar para o restante do prato. Arroz, batata, massas, pães e outros alimentos ricos em carboidratos podem estar presentes na mesma refeição e aumentar a quantidade total consumida.
Por isso, trocar a farinha de mandioca pela farinha de milho sem observar o restante da alimentação pode fazer pouca diferença no resultado final.
Afinal, farinha de milho ou farinha de mandioca?
Não existe uma vencedora universal para quem tem diabetes.
Se a comparação for feita apenas pela quantidade de carboidratos na mesma quantidade de alimento, o fubá apresenta valores menores na TBCA. Isso pode ser levado em conta na escolha, mas não é suficiente para dizer que ele será sempre a melhor opção para o controle da glicemia.
A farinha de mandioca também não precisa ser vista como vilã, assim como a farinha de milho não é um alimento de consumo livre. O que importa é como a porção se encaixa no conjunto da refeição e na alimentação de cada pessoa.
Se você gosta de farofa, por exemplo, não necessariamente precisa abandoná-la.
Para quem percebe dificuldade frequente para controlar a glicemia depois de comer, vale conversar com o profissional que acompanha o diabetes para ajustar as quantidades de acordo com o tratamento e a rotina.
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