Jenna Ortega conta até 71 prendendo a respiração: os rituais ligados ao TOC e quando a repetição merece atenção

Você já sentiu que precisava repetir uma ação até que ela parecesse certa, mesmo sabendo que não havia um motivo claro para isso? Para quem convive com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), situações assim podem ir muito além de uma simples mania.

A atriz Jenna Ortega, conhecida por interpretar Wandinha na Netflix, contou que convive com o transtorno desde os 7 anos. Em entrevista à revista Vogue, publicada recentemente, ela relembrou que acordava antes dos irmãos para cumprir uma sequência específica de tarefas antes de ir à escola.

Precisava abrir a roupa de cama de determinada maneira, mexer nas gavetas seguindo uma ordem e pentear o cabelo lentamente. Hoje, aos 24 anos, ainda percebe esses comportamentos, principalmente quando está ansiosa, cansada ou enfrentando mudanças de fuso horário.

Entre seus rituais atuais estão repetir uma expressão um número determinado de vezes, entrar no estúdio com o pé esquerdo primeiro e prender a respiração enquanto conta até 71.

Mas o que explica essa necessidade de repetir ações? E quais sintomas de TOC merecem atenção?

O que é o TOC e por que ele provoca repetições

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição de saúde mental marcada por obsessões, compulsões ou ambas.

  • Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos indesejados que voltam repetidamente e podem provocar medo, angústia ou ansiedade.
  • Compulsões são ações ou rituais mentais que a pessoa sente que precisa realizar para aliviar esse desconforto.

É o que pode acontecer com alguém que confere várias vezes se trancou a porta, lava as mãos repetidamente ou sente que precisa contar até determinado número antes de continuar uma atividade.

O ritual pode trazer alívio momentâneo, mas a inquietação tende a voltar. Assim, a pessoa fica presa em um ciclo difícil de interromper.

Quais são os principais sintomas de TOC

Os sinais variam de uma pessoa para outra e não se limitam à limpeza ou à organização. Entre os mais comuns estão

  • Pensamentos indesejados que voltam repetidamente e causam angústia.
  • Medo excessivo de contaminação ou de que algo ruim aconteça.
  • Necessidade de conferir portas, objetos ou tarefas várias vezes.
  • Contagem repetitiva ou repetição de palavras, mentalmente ou em voz alta.
  • Necessidade de organizar objetos ou executar ações de uma maneira considerada exata.

Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Em alguns casos, os rituais são visíveis. Em outros, acontecem apenas na mente, sem que quem está por perto perceba.

Ter manias significa que a pessoa tem TOC?

Não. Gostar de organização, seguir uma rotina ou conferir algo novamente de vez em quando não significa ter o transtorno.

A diferença está na intensidade, na dificuldade de controlar os comportamentos e no impacto que eles provocam. Quem tem TOC pode sentir uma necessidade difícil de resistir, mesmo reconhecendo que a repetição é excessiva.

Os sintomas também podem consumir muito tempo e atrapalhar o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou outras atividades cotidianas.

Por isso, não basta identificar uma mania para concluir que existe TOC. O diagnóstico depende de uma avaliação profissional.

Ansiedade e cansaço podem piorar os sintomas?

Jenna relatou que seus rituais tendem a aparecer com mais intensidade quando está ansiosa, cansada ou enfrentando o jet lag, uma alteração temporária do relógio biológico após viagens entre fusos horários.

O estresse pode agravar os sintomas em quem já convive com TOC, embora ansiedade e cansaço, isoladamente, não signifiquem que alguém tenha o transtorno.

A atriz também contou que já fez terapia e experimentou medicamentos. Uma estratégia pessoal que a ajuda a lidar com a situação é tentar encarar os rituais como um jogo, reduzindo parte da pressão que sente.

Quando procurar ajuda

Se pensamentos repetitivos ou rituais provocam sofrimento, ocupam muito tempo ou prejudicam a rotina, vale procurar um profissional de saúde mental.

O tratamento pode incluir psicoterapia e, quando indicado por um médico, medicamentos.

Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem controlar melhor os sintomas e recuperar qualidade de vida.

O relato de Jenna ajuda a mostrar que o TOC não é apenas uma questão de organização ou de ter manias. Para quem convive com o transtorno, a repetição pode representar uma dificuldade real, que merece compreensão e cuidado.

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Redação SaúdeLab

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