O que você joga no lixo da cozinha pode ter mais fibras do que a parte que come; 12 alimentos foram analisados

Na hora de preparar uma salada, cozinhar legumes ou cortar uma fruta, é comum retirar cascas, sementes, talos e outras partes antes de levar os alimentos à mesa. Mas será que jogar tudo isso fora significa também desperdiçar uma parte importante das fibras?

Em alguns casos, sim. Algumas dessas partes habitualmente descartadas concentram mais fibras alimentares do que a porção que costumamos consumir.

Aproveitá-las na cozinha pode ser uma maneira simples de enriquecer as refeições e diminuir o desperdício de alimentos.

Algumas partes descartadas concentram mais fibras

Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 na revista International Journal of Food Sciences and Nutrition analisou o teor de fibras de 12 frutas e hortaliças, comparando partes habitualmente consumidas com aquelas geralmente retiradas durante o preparo.

Os resultados mostraram que, em 10 dos 12 alimentos avaliados, as partes menos aproveitadas apresentaram maior concentração de fibras alimentares totais.

Entre os destaques estão a casca, as sementes e outras partes internas da abóbora-manteiga, com 9,25 gramas de fibras a cada 100 gramas. A casca do kiwi também chamou atenção, com 7,96 gramas, enquanto a casca e o miolo do abacaxi apresentaram 6,64 gramas.

Até mesmo partes como o talo da couve crespa, as folhas e o miolo da couve-flor e as pontas e raízes do alho-poró demonstraram potencial para contribuir com a ingestão de fibras.

Nem toda casca ou talo tem mais fibras

Apesar dos resultados, isso não significa que todas as partes normalmente descartadas sejam melhores fontes de fibras.

O talo do brócolis, por exemplo, apresentou 28,4% menos fibras do que as flores. Algo semelhante aconteceu com o miolo e as camadas externas do funcho, também conhecido como erva-doce, que tinham 10,6% menos fibras do que a parte habitualmente consumida.

Portanto, o aproveitamento integral dos alimentos pode ajudar a diversificar a alimentação, mas não existe uma regra de que tudo o que seria descartado tenha maior valor nutricional.

Como aproveitar essas partes na cozinha

A casca da abóbora pode ser cortada em pedaços e assada junto com a polpa. Os talos de couve ficam bem picados em refogados, enquanto folhas e talos de couve-flor podem ser acrescentados a sopas e caldos.

Já a casca do kiwi também pode ser aproveitada em vitaminas e sucos.

O aproveitamento desses alimentos, porém, exige alguns cuidados. Nem toda casca ou semente é própria para consumo, e algumas partes precisam de preparo específico. Lave bem os vegetais antes de utilizá-los.

Quais frutas e hortaliças foram analisadas

A pesquisa avaliou 12 frutas e hortaliças. Confira quais partes apresentaram mais ou menos fibras em comparação com as porções habitualmente consumidas:

  • Abóbora-manteiga: a casca, as sementes e as partes internas descartadas apresentaram 362,7% mais fibras do que a polpa.
  • Kiwi: a casca tinha 195% mais fibras do que a parte interna da fruta.
  • Aipo-rábano: a casca apresentou 83,6% mais fibras do que a raiz consumida.
  • Pimentão: o cabinho, as sementes e a parte branca interna tinham 233,8% mais fibras do que a polpa.
  • Abacaxi: a casca e o miolo apresentaram 453,7% mais fibras do que a polpa.
  • Alho-poró: as folhas superiores e as raízes, normalmente retiradas durante a limpeza, tinham 76,8% mais fibras do que a parte central.
  • Couve crespa (kale): os talos apresentaram 6,6% mais fibras do que as folhas.
  • Couve-flor: o miolo e as folhas tinham 112% mais fibras do que as flores.
  • Beterraba: a casca apresentou 40% mais fibras do que a parte interna consumida.
  • Brócolis: os talos tinham 28,4% menos fibras do que as flores.
  • Funcho (erva-doce de bulbo): o miolo e as camadas externas apresentaram 10,6% menos fibras do que as partes internas normalmente consumidas.
  • Melancia: a casca apresentou 425,5% mais fibras do que a polpa.

Os dados reforçam que vale a pena olhar com mais atenção para as partes dos alimentos que costumamos descartar, desde que sejam próprias para consumo.

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Redação SaúdeLab

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