Já provou arroz com pequi? Descubra por que esse fruto é o tesouro do Cerrado

O pequi (Caryocar brasiliense) é uma fruta típica do Cerrado brasileiro, reconhecida pela casca espinhosa e pelo sabor marcante.

Esse bioma, que ocupa cerca de 24% do território nacional, é o principal berço dessa espécie nativa, que faz parte da identidade cultural e alimentar de diversas regiões do país.

O pequizeiro pode atingir até 20 metros de altura e produzir cerca de 2.000 frutos por safra.

É uma árvore de grande importância econômica e social, especialmente para comunidades de baixa renda, já que seu fruto é utilizado não apenas na culinária, mas também na produção de óleo, artesanato e até em construções civis e navais, graças à versatilidade da sua madeira.

Benefícios nutricionais do pequi

Os benefícios do pequi são amplamente reconhecidos.

O fruto apresenta alta concentração de fibras, lipídios, vitaminas A, C e E, além de minerais essenciais como ferro, cálcio, potássio e magnésio.

A polpa é rica em calorias, o que a torna uma excelente fonte de energia.

Seu consumo contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e ajuda na prevenção de doenças inflamatórias e crônicas.

O óleo de pequi, amplamente utilizado na medicina popular, possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. É empregado tanto para auxiliar na cicatrização quanto na indústria de cosméticos, onde sua composição natural agrega valor a cremes e loções.

Pequi e preservação ambiental no Cerrado

No âmbito ambiental, o pequi desempenha um papel essencial na biodiversidade do Cerrado, ajudando a manter o equilíbrio dos ecossistemas locais e servindo de abrigo e alimento para diversas espécies da fauna.

Entretanto, o bioma enfrenta grandes desafios, como as queimadas frequentes durante a estação seca, que provocam erosão do solo, perda de habitat e comprometem o ciclo natural de regeneração das espécies.

Além das ameaças ambientais, o pequizeiro também sofre com a baixa taxa de germinação das sementes e com doenças que afetam sua produção.

Por isso, é fundamental investir em manejo sustentável e em políticas de preservação que assegurem a continuidade desse recurso natural tão valioso.

Importância socioeconômica do pequi

A importância socioeconômica do pequi é evidente nas regiões onde ele é cultivado e coletado.

Durante a safra, muitas famílias garantem seu sustento com a coleta e comercialização do fruto.

O extrativismo, quando feito de forma responsável, representa uma oportunidade de desenvolvimento sustentável, equilibrando a exploração econômica com a conservação ambiental.

O valor agregado do pequi tem crescido com a diversificação de produtos derivados, como óleo, farinha, doces e biscoitos, que ampliam o potencial econômico e geram novas oportunidades para as comunidades locais.

Arroz com pequi.
Foto: Canva PRO

Pequi na culinária brasileira: sabor e tradição

Nada melhor para valorizar a cultura do Cerrado do que celebrar suas tradições culinárias. E entre elas, o arroz com pequi ocupa lugar especial.

Trata-se de uma receita emblemática, que une sabor, história e identidade.

Seu aroma marcante e cor vibrante traduzem a riqueza desse fruto típico, tornando o prato não apenas uma refeição, mas também uma experiência afetiva e cultural.

Receita de arroz com pequi

Ingredientes:

  • 1 kg de arroz
  • 1 kg de pequi (fresco ou em conserva)
  • 50 ml de óleo
  • 2 dentes de alho
  • Cheiro-verde (para decorar)
  • Pimenta bode (opcional)

Modo de preparo:

Refogue o pequi em uma panela com o óleo e o alho socado. Deixe fritar até começar a soltar a polpa.

Acrescente o arroz e a água quente, tampe a panela e deixe cozinhar.

Antes de secar completamente, adicione o cheiro-verde e a pimenta bode, se desejar, e tampe novamente.

Além de saboroso, o prato valoriza ingredientes nativos e conecta quem cozinha à tradição regional, despertando memórias afetivas em quem o prova.

Incorporar receitas como o arroz com pequi ao dia a dia é uma forma de preservar a cultura alimentar do Cerrado e reforçar o reconhecimento de sua biodiversidade.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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