Exame IGRA: o que é e por que tanta gente está fazendo

Se você recebeu um pedido de exame IGRA e sentiu aquele aperto no peito (como se a sigla já viesse carregada de preocupação) respira.

Isso acontece com muita gente. Quando um exame aparece com um nome diferente, é natural imaginar mil coisas antes mesmo de entender o básico.

O IGRA é, de forma bem direta, um exame de sangue usado para avaliar se o seu sistema imunológico já teve contato com a bactéria da tuberculose.

Ele costuma ser mais associado à chamada infecção latente: quando a pessoa teve contato, mas não está doente, não tem sintomas e não está “espalhando” a doença.

Isso é importante porque “tuberculose” assusta e com razão. Mas o IGRA não nasce para causar pânico.

Em muitos casos, ele entra justamente como um exame de prevenção e rastreio, solicitado para pessoas em situações específicas, nas quais faz sentido reduzir riscos antes que algo evolua.

O que é o IGRA, afinal?

IGRA é uma sigla em inglês para um tipo de teste que observa como o corpo reage quando entra em contato, no laboratório, com substâncias relacionadas à tuberculose.

A lógica é parecida com: “se o organismo já reconhece aquilo, ele pode reagir”.

Na prática, você faz a coleta de sangue e o laboratório analisa essa resposta. O objetivo não é “carimbar” uma doença, e sim ajudar a esclarecer se existe sinal de contato prévio com a bactéria, principalmente quando o médico está avaliando risco e tomando decisões preventivas.

Por que esse exame virou assunto agora?

O IGRA vem aparecendo mais por um motivo simples: ele ajuda a investigar a infecção latente por tuberculose com praticidade, e em alguns contextos ele é visto como uma alternativa ao teste tradicional da pele (o PPD).

Além disso, em determinados grupos, a medicina costuma ser mais “cautelosa” (no bom sentido).

Pessoas com imunidade mais baixa, quem vai iniciar alguns tipos de medicação que mexem no sistema imune, candidatos a transplante e pessoas que tiveram contato próximo com casos de tuberculose podem entrar no radar de rastreio. Nesses cenários, o médico pode preferir “checar antes” para evitar surpresas depois.

E é aí que muita gente pensa: “Se pediram esse exame, é porque eu estou com tuberculose”. Nem sempre. Às vezes, pediram justamente porque você não está com sintomas, mas faz parte de um grupo em que vale a pena investigar com mais cuidado.

Se você quiser ver as orientações oficiais, vale consultar o protocolo do Ministério da Saúde sobre infecção latente.

Leitura Recomendada: Como entender exames laboratoriais: o que os resultados mostram (e o que não mostram)

Exame IGRA é a mesma coisa que PPD?

Não. E essa é uma das maiores confusões.

O PPD é o teste da pele: aplica-se uma substância e depois se mede a reação alguns dias depois. Já o IGRA é feito no sangue e costuma ser mais “direto” no sentido de logística: coleta, laboratório, resultado.

Por que isso importa? Porque algumas pessoas têm dúvidas por conta de vacina (como BCG), histórico pessoal ou porque já fizeram PPD antes. O ponto principal é: o médico escolhe o melhor método para o seu contexto, e nem sempre existe um “melhor para todo mundo”.

Como o exame é feito? Precisa de jejum?

O IGRA é, na prática, uma coleta de sangue. Não tem segredo e costuma ser rápido.

Sobre jejum: em muitos laboratórios não é exigido, mas isso pode variar conforme a rotina do local (e se o exame estiver junto de outros). O melhor caminho é simples e sem estresse: confirmar no momento do agendamento.

Depois, o laudo geralmente vem com uma destas possibilidades: negativo, positivo ou indeterminado (ou um termo parecido, dependendo do laboratório).

Leitura Recomendada: Exame de TGO e TGP: o que são, para que servem e o que os resultados indicam

Como entender o resultado sem cair em armadilhas

Aqui é onde mais gente se angustia e onde vale muito ter calma.

Um IGRA negativo, na maioria das situações, sugere que não houve evidência de resposta compatível com contato. Isso costuma tranquilizar.

Ainda assim, existe um detalhe importante: se a pessoa está com imunidade muito comprometida, ou se a suspeita clínica é forte por outros motivos, o médico pode interpretar o resultado com mais cautela. Não é para criar medo, é para lembrar que medicina é contexto, não só número.

Um IGRA positivo significa que houve uma resposta imune compatível com contato prévio com a bactéria. Isso, com frequência, aponta para infecção latente, especialmente quando a pessoa não tem sintomas. E aqui entra um ponto que muda tudo: positivo não significa automaticamente tuberculose ativa.

Em geral, o próximo passo não é “desespero”, e sim organização: o profissional avalia seus riscos, pergunta sobre sintomas, histórico de contato e, se necessário, solicita exames complementares para confirmar se existe ou não doença ativa. Muitas vezes, a conversa é justamente sobre prevenção e acompanhamento.

Já o resultado indeterminado costuma ser o mais frustrante, porque parece “não disse nada”. Mas ele acontece e pode ter motivos técnicos (como a amostra, o comportamento dos controles do teste ou características do organismo no dia).

O que normalmente ocorre é uma decisão entre repetir o exame ou seguir por outra estratégia, dependendo do caso.

O que quase ninguém te conta sobre o IGRA

O IGRA é útil, mas ele não é um “oráculo”. Ele não fecha diagnóstico sozinho e não conta a história completa sem olhar para o seu contexto.

Na prática, o que define conduta é um conjunto: sintomas, risco, histórico de contato, exame físico e, quando necessário, outros exames. Isso é especialmente importante porque a tuberculose ativa tem sinais e precisa de avaliação específica. Então o resultado do IGRA é um pedaço importante, só não é o único.

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Quando isso pode não ser uma boa ideia

A parte mais perigosa desse tema não é o exame em si. É o que a gente faz com a informação.

Não é uma boa ideia interpretar o laudo sozinho e decidir por conta própria o que “tem” ou “não tem”. Um resultado positivo pode gerar medo desnecessário. Um negativo pode dar uma falsa sensação de “está tudo resolvido” quando existem outros sinais em jogo.

Também não é uma boa ideia adiar atendimento se você estiver com sintomas que merecem avaliação — como tosse persistente por semanas, febre, suor noturno, perda de peso sem explicação ou cansaço importante. Nesses casos, a prioridade é conversar com um profissional, porque o caminho de investigação costuma ser mais amplo do que um exame só.

Se você fez (ou vai fazer) IGRA, um passo a passo simples

Se a sua cabeça está a mil, tente seguir uma lógica bem prática:

  • Não leia o resultado como sentença. Leia como “informação para o médico”.
  • Anote o que pode ajudar na consulta: se teve contato com alguém com TB, se tem sintomas, se usa medicamentos que baixam imunidade, e por que o exame foi pedido.
  • Leve o laudo para quem solicitou. É ali que o resultado ganha sentido.

No fim, o IGRA é um exame que muita gente está fazendo porque a medicina tem usado mais rastreio e prevenção em grupos específicos. E, sim, é normal ficar ansioso quando a palavra “tuberculose” aparece. Mas você não precisa carregar isso sozinho — e nem tirar conclusões antes de entender o quadro completo.

Leia também: Exame GGT: para que serve, o que significa quando está alto e quando se preocupar

Atenção: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Se você tem sintomas importantes ou teve contato próximo com alguém com tuberculose, procure orientação profissional.

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Farm. Elizandra Civalsci Costa

Editora-chefe do SaúdeLAB. Farmacêutica (CRF MT nº 3490), formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner.

Atua na supervisão editorial e na produção de conteúdos jornalísticos e informativos sobre saúde, ciência e bem-estar, seguindo critérios de apuração, revisão e responsabilidade editorial.

Possui formação em revisão de conteúdo para web pela Rock Content University e capacitação em fact-checking pelo Poynter Institute.

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