O jeito de preparar o café pode mexer no colesterol e pouca gente percebe isso

Para muita gente, o café é mais do que uma bebida: é um ritual. Ele ajuda a “ligar o dia”, acompanha conversas e cria pequenas pausas em meio à rotina.

Por isso, é natural que surja uma dúvida quando o assunto é saúde cardiovascular: o café coado pode interferir no colesterol?

A resposta pede nuance. O café, por si só, não deve ser tratado como vilão. Para a maioria das pessoas, ele pode fazer parte de um estilo de vida saudável.

Ainda assim, há um detalhe pouco comentado que vale conhecer: o método de preparo muda a composição do café e isso pode ser relevante para quem tem LDL elevado, histórico familiar de doença cardiovascular ou consome várias xícaras por dia.

O que muda no café dependendo do preparo

O grão de café contém compostos naturais chamados diterpenos, especialmente cafestol e kahweol. Eles fazem parte da estrutura do café e não são “toxinas”.

No entanto, a literatura científica observa que, quando consumidos com frequência e em maiores quantidades, esses compostos podem contribuir para elevar o LDL, um marcador associado ao risco cardiovascular.

O ponto central é que a quantidade de diterpenos na xícara não é fixa: ela varia conforme a forma de preparo.

O papel do filtro de papel

Quando o café passa por filtro de papel, boa parte dos diterpenos tende a ficar retida. Por isso, métodos como coador tradicional,  costumam resultar em uma bebida com menor presença desses compostos.

Já preparos sem filtragem (ou com filtragem menos eficiente) tendem a permitir maior passagem de diterpenos, como pode ocorrer com prensa francesa, café fervido e algumas preparações de máquinas, dependendo do sistema de filtragem utilizado.

Isso muda o quê, na prática?

Para não cair em conclusões apressadas, é importante lembrar: esse efeito não costuma ser “instantâneo”, nem depende de um único hábito isolado.

Ele se relaciona com frequência, quantidade e contexto individual. Uma pessoa que toma café sem filtro ocasionalmente não precisa enxergar isso como um problema.

Por outro lado, quem consome várias xícaras todos os dias pode se beneficiar de ajustes simples.

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Café coado e saúde do coração: por que não dá para simplificar

A relação entre café e saúde cardiovascular é complexa e vem sendo estudada há décadas.

Em linhas gerais, estudos observacionais frequentemente encontram uma associação entre consumo moderado de café e desfechos favoráveis, como menor mortalidade geral e menor risco de algumas doenças crônicas.

Isso não significa que “café cura”, mas ajuda a desfazer a ideia de que ele seja automaticamente prejudicial.

O que faz sentido é olhar para o café dentro do conjunto: alimentação, atividade física, sono, estresse, tabagismo, peso corporal e predisposição genética.

O colesterol costuma ser resultado desse cenário inteiro, não de um único item.

Quando vale considerar um ajuste no preparo

Algumas situações justificam prestar mais atenção aos detalhes.

Se você tem LDL elevado, já recebeu orientação médica para reduzir risco cardiovascular, tem histórico familiar importante ou toma muitas xícaras ao longo do dia, pode ser razoável priorizar café filtrado em papel com mais frequência.

Isso não precisa virar um “tudo ou nada”. Muita gente se dá bem com uma estratégia prática: manter o café filtrado como padrão e deixar outros métodos para momentos pontuais.

Esse tipo de ajuste costuma ser mais sustentável e, por isso mesmo, mais útil no mundo real.

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Como deixar seu café mais saudável sem perder o prazer

Além do método de preparo, existe outro ponto que frequentemente tem mais impacto do que se imagina: o que entra junto com o café.

Em consultório, é comum perceber que o maior “peso” não está na bebida em si, mas no excesso de açúcar, xaropes adoçados, chantilly, cremes e acompanhamentos ultraprocessados.

A boa notícia é que dá para melhorar bastante a qualidade do café com pequenas escolhas, sem transformar o hábito em algo sem graça.

Ingredientes que podem combinar bem com o café

Se a ideia é trazer sabor e sensação de conforto com menos açúcar, alguns ingredientes podem ajudar:

  • Canela: aumenta a percepção de doçura e aroma, o que pode facilitar a redução de açúcar.
  • Cacau em pó 100%: adiciona sabor mais intenso e pode ser uma opção interessante para quem gosta de “mocha” sem xaropes.
  • Noz-moscada ou cardamomo: em pequenas quantidades, dão um toque aromático que muda a experiência sem acrescentar calorias relevantes.
  • Leite ou bebida vegetal sem açúcar: pode suavizar a bebida para quem tem sensibilidade gástrica ou prefere café menos intenso.

Esses complementos não são “tratamentos” para colesterol, mas podem tornar o consumo mais alinhado a um padrão alimentar equilibrado, especialmente quando ajudam a reduzir adoçantes e ingredientes ultraprocessados.

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O que costuma piorar o perfil do café

Vale atenção especial a combinações que aumentam açúcar e gordura saturada de forma rotineira. Não é sobre proibir, e sim sobre frequência.

Se o café do dia a dia vira uma sobremesa líquida, isso pode contribuir para ganho de peso e piora metabólica — fatores que influenciam o colesterol e o risco cardiovascular de forma mais ampla do que o método de preparo isolado.

O melhor caminho é o equilíbrio, não o radicalismo

Quando falamos de saúde, é tentador procurar uma resposta definitiva: “pode” ou “não pode”. Mas o corpo não funciona bem nesse tipo de lógica.

O café pode seguir presente na sua rotina, e a maioria das pessoas pode consumi-lo com tranquilidade.

Se você tem motivos para olhar com mais cuidado para o colesterol, considerar o filtro de papel como padrão é uma medida simples.

E, quando fizer sentido, ajustar a forma de adoçar e os ingredientes que acompanham o café pode trazer um impacto ainda maior no conjunto.

No fim, o que costuma funcionar melhor é o que cabe na vida real: escolhas pequenas, consistentes e sustentáveis.

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Daniela Marinho

Daniela Marinho é produtora de conteúdo web há mais de seis anos e editora de receitas do SaúdeLAB. Diagnosticada com diabetes tipo 1 desde a infância, desenvolveu uma relação próxima com a alimentação equilibrada e aplica essa experiência na criação de receitas saudáveis, práticas e saborosas, voltadas ao bem-estar e à consciência alimentar.

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