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Uma inflamação silenciosa por trás do alerta da Anvisa sobre canetas emagrecedoras
O alerta recente da Anvisa sobre o uso de canetas emagrecedoras acendeu um sinal importante para pacientes e profissionais de saúde.
A agência chama atenção para o risco de pancreatite, uma inflamação do pâncreas, associada ao uso desses medicamentos sem acompanhamento médico ou fora das indicações aprovadas em bula.
Nos últimos meses, houve um aumento nas notificações de problemas no pâncreas em pessoas que utilizavam medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. No Brasil, seis mortes estão sob investigação, além de mais de 200 casos em análise.
Todos ainda são considerados suspeitos, sem confirmação de relação direta com os remédios, mas o volume de relatos foi suficiente para reforçar o alerta.
Diante desse cenário, cresce o interesse em entender melhor o que é pancreatite, como essa inflamação se manifesta e por que ela passou a preocupar autoridades de saúde.
O que é pancreatite?
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão localizado no abdômen que tem papel essencial na digestão dos alimentos e no controle do açúcar no sangue. É o pâncreas que produz enzimas digestivas e hormônios importantes, como a insulina.
Quando ocorre a inflamação, essas enzimas podem ser ativadas antes da hora e passar a atacar o próprio órgão, em vez de agir apenas na digestão.
Isso costuma causar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, além de náuseas, vômitos e mal-estar significativo.
Em quadros mais graves, a inflamação pode se espalhar, comprometer outros órgãos e levar a complicações sérias, com risco de morte. Por isso, a pancreatite é considerada uma condição médica urgente, que exige avaliação e tratamento rápidos.
Qual a relação entre pancreatite e as canetas emagrecedoras?
Os medicamentos citados no alerta atuam em hormônios ligados ao apetite e ao controle da glicose no sangue. Eles são indicados principalmente para o tratamento da obesidade e do diabetes e, em situações específicas, também para redução do risco cardiovascular ou tratamento da apneia do sono.
A pancreatite já está descrita como possível reação adversa nas bulas desses medicamentos. O que chamou a atenção da Anvisa foi o aumento recente das notificações, especialmente entre pessoas que utilizaram as canetas para emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem indicação clínica adequada.
Além disso, é importante destacar que muitos pacientes que fazem uso desses remédios já apresentam fatores de risco para pancreatite, o que dificulta afirmar uma relação direta em cada caso.
Ainda assim, sem acompanhamento médico, os sinais iniciais da inflamação podem passar despercebidos, atrasando o diagnóstico e aumentando o risco de complicações.
O que o alerta da Anvisa quer evitar
O principal objetivo do alerta é evitar o uso indiscriminado de medicamentos potentes, que muitas vezes são vistos como inofensivos.
A Anvisa orienta que, ao primeiro sinal de suspeita de pancreatite, o uso do medicamento seja interrompido. Se o diagnóstico for confirmado, o tratamento não deve ser retomado.
A agência também chama atenção para o risco de produtos falsificados, especialmente quando adquiridos pela internet ou no comércio informal, o que pode ampliar ainda mais os perigos para a saúde.
Um aviso direto para quem usa ou pensa em usar
Para os pacientes, o recado é o de não iniciar o uso dessas canetas sem prescrição médica.
Diante de dor abdominal intensa e persistente, especialmente se vier acompanhada de náuseas e vômitos, é fundamental procurar atendimento médico com urgência. E, após um episódio confirmado de pancreatite, nunca reiniciar o medicamento.
Já para os profissionais de saúde, o alerta reforça a necessidade de orientação clara, acompanhamento contínuo e atenção redobrada a sintomas que possam indicar inflamação do pâncreas, garantindo que os benefícios do tratamento não sejam superados pelos riscos.
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