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O que ninguém explica sobre seus direitos como paciente
Você já saiu de uma consulta com dúvidas, mas ficou com vergonha de perguntar? Ou já assinou um papel sem entender exatamente o que estava autorizando?
Situações assim são mais comuns do que parecem. E, na maioria das vezes, não acontecem por má-fé, mas por falta de informação.
Conhecer os direitos do paciente faz diferença real no atendimento em hospitais e clínicas. Não para criar conflito com médicos ou equipes de saúde, mas para garantir um cuidado mais seguro, respeitoso e humano.
Esta coluna existe justamente para isso. Explicar os direitos do paciente de forma clara, sem juridiquês e sem complicação.
Informação clara é o primeiro direito
Todo paciente tem o direito de entender o que está acontecendo com a própria saúde.
Isso inclui saber qual é o diagnóstico, para que serve um exame, por que determinado tratamento foi indicado e quais são os riscos e alternativas possíveis.
Informação clara não é ouvir termos técnicos difíceis ou receber respostas apressadas.
É o profissional explicar em uma linguagem que faça sentido para quem está ali, preocupado com a própria saúde.
Se você não entendeu, pode (e deve) pedir que expliquem novamente. Isso não é incômodo. É exercício legítimo dos seus direitos como paciente.
Consentimento não é apenas assinar um papel
Outro ponto central é o consentimento.
Nenhum procedimento deve ser realizado sem que o paciente saiba o que será feito e concorde com isso.
Assinar um formulário sem explicação não é consentimento verdadeiro.
É fundamental compreender o que está sendo autorizado. Perguntar faz parte do processo.
Existem situações de emergência, com risco imediato de vida, em que a equipe médica pode agir para preservar o paciente mesmo sem autorização formal. Fora desses casos, a regra é clara: informação antes da decisão.
Respeito e dignidade fazem parte do tratamento
Ser bem tratado não é um favor. É básico.
Os direitos do paciente incluem atendimento sem humilhação, grosseria ou discriminação, independentemente de plano de saúde, aparência, idade ou condição financeira.
A privacidade também entra aqui.
Exposição desnecessária do corpo, comentários inadequados ou descuido com a intimidade não devem ser normalizados.
Cuidar da saúde também é cuidar da dignidade.
Sigilo não é opcional
Informações sobre diagnósticos, exames e tratamentos devem ser mantidas em sigilo. Elas não podem ser compartilhadas sem autorização.
Além das regras éticas da medicina, a proteção de dados pessoais de saúde é reforçada pela legislação brasileira.
O paciente tem o direito de confiar que sua vida e sua condição clínica não serão expostas indevidamente.
Acompanhante não é privilégio
Em diversas situações previstas em lei, o direito a acompanhante é garantido — como no atendimento a crianças, idosos hospitalizados, pessoas com deficiência e durante o trabalho de parto.
Esse apoio não é luxo. Muitas vezes, é essencial para segurança emocional e até para a compreensão das orientações médicas.
Quando o acompanhante é impedido sem justificativa adequada, pode haver violação dos direitos do paciente.
O paciente também pode recusar tratamento
Muita gente não sabe, mas é possível recusar um tratamento, desde que o paciente esteja devidamente informado sobre os riscos e consequências da decisão.
Isso faz parte da autonomia. Ninguém é obrigado a aceitar algo que não compreende ou com o que não concorda.
Há exceções previstas em lei, especialmente quando há risco à saúde coletiva ou quando a pessoa não tem capacidade para decidir sozinha.
Fora dessas situações específicas, a decisão informada é um direito.
E quando algo não parece certo?
Se você sentir que seus direitos do paciente não estão sendo respeitados, o primeiro passo é pedir esclarecimentos. Muitas situações se resolvem com diálogo.
Se o problema continuar, é possível registrar a ocorrência na ouvidoria do hospital ou da clínica.
Em serviços públicos, a ouvidoria do SUS pode ser acionada. Em planos de saúde, também é possível registrar reclamação na operadora e, se necessário, na ANS.
Guardar documentos, exames, protocolos e orientações recebidas é sempre importante.
Buscar orientação jurídica é um caminho possível, mas não precisa ser o primeiro.
Informação e organização já protegem muito mais do que se imagina.
Conhecer os direitos do paciente não transforma ninguém em alguém “difícil”. Pelo contrário.
Pacientes informados participam mais do próprio cuidado, fazem perguntas melhores e contribuem para um atendimento mais seguro.
Na próxima coluna, vou explicar como funciona o acesso ao prontuário médico — um direito que muita gente descobre tarde demais, quando já está enfrentando um problema.
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