Neuroplasticidade: o cérebro não envelhece igual para todo mundo — e há motivo

A neuroplasticidade não diminui depois dos 25 anos; ela passa a acontecer de forma menos espontânea. Isso significa que as nossas escolhas têm um papel determinante em como o nosso cérebro vai envelhecer.

Por que alguns idosos parecem se atualizar e outros não? A neuroplasticidade sofre influência de fatores genéticos, que podem tornar o cérebro mais ou menos resiliente ao envelhecimento, mas principalmente de fatores ambientais relacionados ao estilo de vida — e é aí que entra a importância de entender como fazer boas escolhas.

Para quem não é habituado com o termo, neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se moldar e adquirir novas habilidades ao longo do tempo.

Estilo de vida e neuroplasticidade

A atividade física é o pilar base para manter a neuroplasticidade em dia.

Uma vida ativa faz com que o coração entregue sangue de maneira mais eficiente ao cérebro; assim, o cérebro produz substâncias químicas — como o BDNF, um fator de crescimento neuronal — que melhoram a comunicação entre os neurônios.

O sono é outro pilar essencial para manter a neuroplasticidade eficiente ao longo do tempo.

As memórias são consolidadas durante um sono de qualidade; tudo o que aprendemos ao longo do dia é, de fato, fixado pelo cérebro durante o sono.

Portanto, atividade física e sono são dois pilares fundamentais.

A alimentação rica em nutrientes antioxidantes também contribui.

Há estudos mostrando a importância do ômega-3; afinal, fornecer nutrientes é dar combustível para que o cérebro realize seus processos de crescimento e adaptação.

Por que o cérebro envelhece de formas diferentes

Outro ponto importante é manter uma vida social e intelectual ativa — e isso ajuda a entender por que alguns idosos parecem se atualizar e outros não.

Todos esses fatores precisam ser mantidos ao longo da vida.

É muito comum, na terceira idade, observarmos isolamento, e isso reduz significativamente a neuroplasticidade.

O último ponto, e fundamental, é o controle do estresse crônico.

Submeter o cérebro a estresse diário não gerenciado é um dos principais fatores de redução da capacidade de aprendizado e também da manutenção da saúde emocional.

Esses pilares explicam por que alguns idosos se mantêm atualizados enquanto outros não, e nos dão base para escolher como queremos conduzir o nosso envelhecimento cerebral.

Genética não é destino

Apesar dos fatores genéticos influenciarem a resiliência do cérebro ao envelhecimento, eles não competem com o estilo de vida.

As nossas escolhas são determinantes para a forma como essa genética vai se manifestar.

E o ponto mais importante: escolhas independem da idade. Podemos decidir mudar em qualquer fase da vida, e o cérebro sempre se beneficia disso.

 

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Dra. Marília Graner
Dra. Marília Graner

Sou neurologista, especialista em neurociência comportamental e cognitiva, com foco em como nosso cérebro molda pensamentos, emoções e comportamentos. Meu objetivo é traduzir a ciência do cérebro de forma prática e acessível, ajudando pessoas a desenvolverem mais autoconfiança, equilíbrio emocional e clareza mental. Além disso, compartilho conhecimento sobre saúde mental, hábitos e produtividade, sempre integrando a ciência à vida cotidiana.

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