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Uma queda, uma cirurgia — e a autonomia do idoso em jogo
Entenda a artroplastia de quadril e a importância da fisioterapia no pós-operatório
As quedas em idosos estão entre os eventos de maior impacto na saúde da população idosa.
Estima-se que cerca de um terço das pessoas com mais de 65 anos sofra ao menos uma queda por ano, e esse risco aumenta progressivamente com o avanço da idade.
Entre as consequências mais graves estão as fraturas de quadril, especialmente as que acometem o fêmur proximal, responsáveis por altas taxas de hospitalização, perda de independência funcional e mortalidade.
Nesse cenário, a artroplastia de quadril surge como uma alternativa terapêutica essencial para restaurar a mobilidade, aliviar a dor e permitir que o idoso retome atividades básicas da vida diária.
No entanto, o procedimento envolve desafios físicos, emocionais e sociais que vão muito além da cirurgia em si, exigindo acompanhamento multiprofissional e reabilitação adequada.
Por que o quadril é tão afetado nas quedas?
O quadril é uma articulação central para a locomoção e sustentação do corpo.
Ele conecta a pelve ao fêmur, o maior e mais resistente osso do organismo humano, sendo responsável por suportar grande parte das cargas impostas durante a marcha, o sentar e o levantar.
Apesar de sua robustez, o envelhecimento provoca alterações importantes nessa região.
A perda de densidade óssea, a redução da massa muscular, o comprometimento do equilíbrio e da visão, além do uso frequente de medicamentos que afetam a pressão arterial e o sistema nervoso central, tornam o idoso mais vulnerável às quedas.
As fraturas mais comuns nessa população ocorrem no colo do fêmur, na cabeça femoral e na região trocantérica.
Essas lesões são consideradas graves porque comprometem diretamente a articulação do quadril e, na maioria dos casos, exigem intervenção cirúrgica.
Fratura de fêmur: mais do que um evento ortopédico
A fratura de fêmur, especialmente em idosos, representa um marco negativo na trajetória funcional do paciente.
Diferente de fraturas em outros segmentos, ela frequentemente leva a longos períodos de internação, perda de autonomia e necessidade de cuidados contínuos.
Quando ocorre uma fratura nessa região, o tratamento conservador raramente é indicado.
A cirurgia costuma ser a melhor opção para permitir mobilização precoce, reduzir complicações associadas ao repouso prolongado e melhorar as chances de recuperação funcional.
Dependendo do tipo e da gravidade da fratura, o tratamento pode envolver:
- Fixação com placas;
- Parafusos;
- Hastes intramedulares;
- Substituição parcial ou total da articulação por meio da artroplastia de quadril.
O que é a artroplastia de quadril e quando ela é indicada?
A artroplastia de quadril é um procedimento cirúrgico que substitui parcial ou totalmente a articulação do quadril por uma prótese.
Ela é indicada quando há dor intensa, limitação funcional significativa e comprometimento da qualidade de vida, seja por fraturas, artrose avançada, necrose da cabeça femoral ou falhas em tratamentos anteriores.
Existem dois principais tipos de procedimento:
- Hemiartroplastia, quando apenas a cabeça do fêmur é substituída;
- Artroplastia total do quadril, quando tanto a cabeça femoral quanto o acetábulo são substituídos por componentes protéticos.
Atualmente, a artroplastia total é a mais realizada, especialmente em casos de fraturas mais complexas ou doenças degenerativas avançadas.
Desafios e custos do procedimento
A artroplastia de quadril é considerada uma cirurgia de grande porte e envolve custos elevados para o sistema de saúde, relacionados à prótese, à internação hospitalar, ao uso de medicamentos e ao acompanhamento pós-operatório.
Além disso, há riscos inerentes ao procedimento, como:
- Infecção;
- Trombose venosa profunda;
- Luxação da prótese;
- Complicações cardiovasculares.
Apesar disso, quando bem indicada e associada a um programa de reabilitação adequado, a cirurgia apresenta altos índices de sucesso e satisfação.
A fisioterapia é parte central do tratamento antes e, principalmente, após a artroplastia de quadril.
A reabilitação precoce contribui para:
- Reduzir dor e edema;
- Diminuir o risco de trombose;
- Evitar perda de força muscular;
- Acelerar o retorno à marcha e às atividades funcionais.
Logo após a cirurgia, o fisioterapeuta atua na orientação postural, nos exercícios respiratórios, no controle da dor e no início da mobilização.
À medida que o paciente evolui, são introduzidos exercícios de fortalecimento, alongamento, treino de equilíbrio e reeducação da marcha.
A adesão às orientações é fundamental para evitar complicações e garantir a durabilidade da prótese.

Vida diária após a artroplastia: cuidados essenciais
Nos primeiros meses após a cirurgia, algumas adaptações são necessárias para proteger a articulação e favorecer a recuperação:
- Evitar cruzar as pernas e flexionar excessivamente o quadril;
- Utilizar cadeiras mais altas e com apoio para os braços;
- Manter atenção ao sentar, levantar e deitar;
- Adaptar o ambiente doméstico, retirando tapetes soltos e instalando barras de apoio.
Atividades de alto impacto devem ser evitadas, enquanto exercícios como caminhada, hidroginástica, natação e ciclismo são estimulados por promoverem ganho funcional com menor sobrecarga articular.
Qualidade de vida: muito além da ausência de dor
A qualidade de vida é definida pela percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, considerando aspectos físicos, emocionais, sociais e culturais.
No contexto da artroplastia de quadril, a melhora da qualidade de vida está fortemente associada à redução da dor, ao resgate da autonomia e à possibilidade de retomar atividades cotidianas.
Estudos mostram que a maioria dos pacientes relata melhora significativa da dor e da função após o procedimento, especialmente quando há acompanhamento fisioterapêutico adequado no pré e no pós-operatório.
As quedas em idosos representam um problema de saúde pública com impacto direto na incidência de fraturas de quadril e na necessidade de artroplastia.
Embora seja uma cirurgia complexa, a artroplastia de quadril oferece ganhos expressivos em mobilidade, alívio da dor e qualidade de vida quando associada a uma reabilitação bem conduzida.
Investir em prevenção de quedas, diagnóstico precoce e acompanhamento fisioterapêutico contínuo é essencial para reduzir complicações e promover um envelhecimento mais ativo, seguro e funcional.
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